Março outra vez

11 de março de 2012

 

 Maria Helena Tomé   Gonçalves

 

                      Olho o dia amanhecendo lá fora , o sol já brilha festivo, dourado suave anunciando que será mais um dia de tempo excelente para praia, para férias. Uma preguiça comprida me invade e não consigo afastar a pouca vontade de levantar, preparar-me para a nova-velha rotina diária. Uma boa caminhada, a sessão de ioga, o trabalho diário. Como diz a letra da música: Tudo está no seu lugar, Graças a Deus, Graças a Deus… Passada a temporada, tudo retorna. Nós, os torrenses, não temos férias na praia durante os veríµes. Temos trabalho mais intenso, mais pesado e que por isso mesmo, deveria ser mais gratificante. Como em outros veríµes, trabalhamos duro, mas questiono se estamos satisfeitos com os resultados…

                      Mais uma vez, hora de fazer balanço. O tempo em janeiro castigou um pouquinho, muitos dias de chuva atrapalharam bastante. Fevereiro foi ótimo, muito sol, bastante calor. Março começou festivo, mas agora o povo já se foi, está na praia um número reduzido de pessoas, o grupo que não tem compromisso com filhos em escolas, a moçada da terceira idade… e nós, os moradores que não veraneamos, que prestamos serviços aos visitantes, que fazemos nossa vida invertida. Quando todo mundo de fora tira férias, nós, os litorâneos, trabalhamos mais pesado. Em março, para quem sobra um dinheirinho do verão, uns dias de descanso na vizinha Catarina, para a maioria, a velha rotina de volta. Para muitos, o desemprego.

                      Agora, a gente fica mirando o calendário, os feriados, torcendo para que aconteçam em dias próximos aos finais de semana, precisamos dos feriadíµes para faturar e tornar mais ameno o longo inverno que se avizinha rápido. A vida segue e eu pergunto: será que estamos satisfeitos com os resultados…

                      A cidade continua em obras, tão despreparada para receber visitas quanto estava durante o ano que passou e antes da chegada do verão. As ruas esburacadas, os canteiros sujos, o lixo esparramado, as praças em obras, nada fica pronto e acabado de fato. Estamos novamente fora da temporada sem expectativas melhores para o ano todo. Ano de eleiçíµes que certamente não mudarão nada porque parece que aqui tudo deve ser como diz a música já citada, tudo está no seu lugar… mas não está, não está… Há muita coisa fora de lugar, fora de propósito, fora de cogitação. Mas a gente já se acostumou e vai apenas tocando de barriga, empurrando, levando… é, a gente vai levando, vai apenas levando como dá e como pode.

                      Acho que precisamos sacudir a poeira do marasmo, da acomodação, da preguiça modorrenta do mês de março   e da atração que as praias catarinenses exercem sobre as lideranças torrense e dar um grito de basta ao status quo estabelecido e sair logo para planejar a curto, médio e longo prazo essa cidade que cresce adoidadamente para cima, rumo ao céu sem preocupar-se com o rés do chão, sem preparar o solo e o piso. Olhamos para cima e vemos belí­ssimos prédios elevando-se ao sol do amanhecer e buscando as estrelas í  noite, mas as calçadas por onde nossos pés pisam, as ruas por onde rodam os pneus dos carros nada mais são do que um caos.

                      Hora de olhar para o nosso redor e analisar seriamente se é isso o que queremos para nossas vidas, se é isso o que podemos oferecer de melhor aos nossos visitantes, se essa é a cidade turí­stica que queremos fazer acontecer. Hora de fazer mudanças. Iniciar por mudanças internas, por inquietação e constatação do nosso ní­vel de satisfação com nossos administradores locais, hora de pensar sozinho, pensar em grupo, fazer propostas, lutar por melhorias. A hora começa agora. Março, mês de iniciar mudanças. Fazer balanço do ní­vel de satisfação… fazer mudanças…


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