Nos últimos meses constatou-se que um medicamento liberado para uso no Brasil em março de 2010 para o controle da glicemia têm sido utilizado indiscriminadamente para o emagrecimento. O fármaco em questão é composto por liraglutida, uma molécula de alta complexidade, de uso injetável.
A indicação de uso do medicamento aprovada pela Anvisa é como adjuvante da dieta e atividade física para atingir o controle glicêmico em pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2, para administração uma vez ao dia como monoterapia ou como tratamento combinado com um ou mais anti-diabéticos orais (metformina, sulfoniluréias ou uma tiazollidinediona), quando o tratamento anterior não proporciona um controle glicêmico adequado.
Além dos efeitos colaterais ainda não serem totalmente conhecidos, a população que está fazendo o seu uso da maneira segura, os diabéticos do tipo 2, estão ficando sem a medicação, pois o alarde que a medicação provoca o milagre do emagrecimento fez o mesmo sumir as prateleiras das farmácias.
Problemas relacionados ao sistema gastrointestinal (náuseas e diarréia) e dores de cabeça foram os eventos adversos mais frequentemente relatados em estudos. Porém a própria bula cita a probabilidade da ocorrência de efeitos colaterais imprevisíveis ou desconhecidos. Outros riscos associados ao seu uso são pancreatite (inflamação do pâncreas), desidratação e alteração da função renal, distúrbios da glândula tireóide e casos de urticária e alergias.
A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético. Não há até o momento solicitação na Anvisa por parte da empresa detentora do registro de extensão da indicação do produto para qualquer outra finalidade. Não foram apresentados í Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto para redução de peso e tratamento da obesidade.
De acordo com os estudos já publicados e com a Anvisa, o perfil de eficácia e segurança do produto é aceitável para indicação terapêutica como anti-diabético. Foi comprovada a estabilização da glicemia, com uma cobertura de 24h, garantindo, desta forma, até o controle da glicemia pós-prandial.
A Anvisa não reconhece a indicação da liraglutida para qualquer utilização terapêutica diferente da aprovada e afirma que o uso do produto para qualquer outra finalidade que não seja como anti-diabético caracteriza elevado risco sanitário para a saúde da população.
Antoniela Vieira – Nutricionista – Torres – RS


