MP divulga denúncia-crime contra ex-prefeito e ex-vice de Torres

3 de fevereiro de 2014

Números que chegaram a anunciar R$ 6 milhíµes em desvios são desmentidos. Uma construtora e seu verdadeiro objeto social são o centro das investigaçíµes

 

 

Marcelo Dornelles (C), com Márcio Carvalho, Luciano Vaccaro, Viní­cius Lima e Roberto Masiero

 

O MP chamou a imprensa (jornais, TVs e rádios “ inclusive da capital) para uma coletiva na sua sede aqui na comarca de Torres, e anunciou que entrou com uma denúncia crime contra o ex-prefeito de Torres João Alberto Cardoso e seu ex-vice, Valmir Alexandre, o Pardal (ambos do PMDB), além de outros suspeitos de participarem da mesma ação investigada. Presente na mesa, junto a todos os promotores de justiça torrenses, o subprocurador geral para assuntos institucionais do MP, que comandou a coletiva de imprensa realizada na última quinta-feira (30), í  tarde.

A ação criminal é fruto de avanços investigatórios na chamada Operação Money Trail, batizada com este nome buscando fazer uma analogia irí´nica a caminhos ou trilhas (Trail – em inglês) de dinheiro (Money em inglês), dinheiro supostamente desviado da prefeitura de Torres e que, supostamente também, teria sido utilizado para que uma obra de propriedade particular fosse levantada, supostamente também, para lavar o dinheiro desviado.

Superfaturamento e licitaçíµes direcionadas em duas obras públicas na cidade, uma escola infantil e um posto de saúde, ambos entregues no final do ano de 2013 e a realização de eventos (balonismo e Réveillon) fazem parte dos focos de investigação do MP.

A construtora M.A.S. “ Construçíµes Ltda. é o centro da investigação. Ela é a empresa que ganhou licitaçíµes de duas obras consideradas direcionadas e ao mesmo tempo é a dona de uma obra civil, que está sendo construí­da no centro de Torres.  Para a promotoria torrense, esta empresa é, de fato, de propriedade do ex- vice-prefeito de Torres Valmir Alexandre, o Pardal (PMDB), embora formalmente o mesmo esteja somente veiculado í  construtora através de contrato de trabalho, com carteira assinada.   Conforme foi informado na coletiva de imprensa as provas desta certeza dos investigadores foram obtidas através de escutas telefí´nicas, mas se mantém, ainda, em segredo de justiça, portanto não podem ser disponibilizadas publicamente.

 

Valores distorcidos

 

No primeiro anúncio da operação, feito em outubro de 2013, o promotor presidente da investigação Vinicius de Melo Lima informou em matéria veiculada no site do MP/RS que a Operação ˜Money Trail™ investigava o desvio de recursos públicos municipais superiores a R$ 6 milhíµes para a construção de torres residenciais e comerciais (este texto ainda está no site do MP). Mas o valor foi desmentido na coletiva de quinta-feira (30) pelo subprocurador. A promotoria não sabe dizer ao certo quanto seria a quantia dos recursos supostamente desviados. Falam de R$ 1,3 milhíµes, mas A FOLHA questionou a origem deste valor e os promotores não conseguiram explicar de onde ele sairia. O promotor Vinicius de Melo Lima, por sua vez, justificou os R$ 6 milhíµes anunciados como valores desviados, lá em outubro passado, como um erro de informação. Os R$ 6 milhíµes, conforme Viní­cius, é o valor orçado de toda a edificação, que está sendo construí­da no centro da cidade.

 

Próximos desdobramentos

 

A denúncia crime está apresentada e í  disposição do judiciário da comarca torrense. Na denúncia crime, o MP pede autorização para quebra de sigilo bancário dos envolvidos com o intuito de obter provas. São pedidos de cautelares do MP que podem ou não serem aceitos pelo juiz, após o judiciário apreciar a fundamentação da denuncia. Em seguida, iniciam as audiências, onde defesa e acusação irão debater as acusaçíµes em juí­zo.


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