Nem só de aparências.

30 de abril de 2012

 

MARIA HELENA TOMí‰ GONí‡ALVES

 

                      A crí´nica da semana anterior teve bastante repercussão e várias pessoas se manifestaram tanto a favor quanto contra a idéia do uso de uniformes ou roupas especí­ficas para cada profissão. Quanto ao Magistério, em especial o magistério público, já que as escolas particulares primam pelo uniforme usado por seus profissionais, a queixa foi maior. Pela Legislação os uniformes ou equipamentos de proteção individual “ EPIs devem ser fornecidos pelas empresas que empregam os profissionais, deduzindo-se que caberia aos Estados e Municí­pios o fornecimento de tapa-pós ou jalecos ou a indumentária que se convir usar para os seus professores e demais profissionais da Educação. Sabe-se, de antemão, que essa idéia é difí­cil de criar corpo pois Estados e Municí­pios não tem como prioridade a Educação, por isso as escolas são carentes de muita coisa, imagina fornecer EPIs aos professores.

                      Alguém disse que esse tipo de uniforme não se enquadra como EPI. Interessante, para o ramo da alimentação as empresas são obrigadas pela lei a fornecer os uniformes, desde proteção í  cabeça e cabelos aos calçados. Isso é EPI. No momento em que a Escola adota uniformes para os alunos, roupas que os identificam primeiro como estudantes, depois como alunos de determinado estabelecimento, estão também protegendo esses alunos de muitas formas de abuso e desrespeito, pois de modo geral o aluno é menor, o uniforme mostra isso, estando identificado pelas cores e logomarcas presentes como pertencente a essa ou aquela escola. Isso já é uma forma de proteção. Se os professores adotarem um uniforme por escola, mesmo que os patríµes Estados e Municí­pios se façam de cegos perante a lei, o uniforme economiza roupas de uso particular e seu custo se dilui facilmente na economia do uso de outros trajes.

                      Mas o que me prende na idéia é o sentido de identidade e de autoridade que a roupa transmite aos usuários e aos seus interlocutores. Numa viagem que fizemos a ilhas do Caribe paramos em Grenada, que acredita-se ser a ilha mais negra da região pois sua população é quase totalmente descendente de povos africanos. Estávamos em pleno meio dia ao descermos do navio e os alunos saiam das escolas devidamente uniformizados. As garotas de saias pregueadas marrom, paletós marrom, camisas brancas, meias longas brancas, sapatos pretos e… gravatas marrom. Os garotos da mesma forma, apenas as saias substituí­das por calças modelo social. Em pleno meio dia no calor do Caribe os alunos saiam das escolas de colonização inglesa devidamente trajados de forma social. Quando estudava há cinqí¼enta anos atrás nossos uniformes eram semelhantes aqueles. Não se deseja tanto, pois isso parece um absurdo na época em que os tecidos se modernizaram e as formas das roupas se tornaram esportivas, os abrigos de malhas sintéticas e as camisetas substituindo com vantagem as roupas formais. Os uniformes atuais usados no Brasil pelos alunos nas escolas em geral são ótimos, oferecem conforto, praticidade, economia e identidade aos seus usuários.   Basta estender seu uso aos professores, apenas diferenciando os modelos. Quem forneceria… cada um adquire o seu!

                      Nossa atual Secretária de Educação está sendo reconhecida como excelência em gestão. Eis uma idéia para ser posta em prática. Valorizar o professor e demais profissionais da área, identificando-o como profissional respeitado tanto pelo papel que desempenha quanto pelo traje que porta.            


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