OPINIíO – Nossos vereadores não exploram em diárias

18 de outubro de 2011

Nossos vereadores não exploram em diárias

 

   

A RBS TV veiculou na quinta-feira (13) uma matéria denunciando o excesso de diárias em várias Câmaras Municipais espalhadas pelo Estado. Triunfo foi a que mais chamou a atenção, seguida por cidades da fronteira. A Câmara que mais gastou por habitante foi de uma pequena cidade. Foram gastos R$ 27 por habitante no último ano.

 

O procurador geral do Ministério de Contas do Estado, Geraldo da Caminho, afirmou que é nos menores municí­pios que as diárias são extrapoladas. Ele sugeriu que a população exija participar junto í  câmara com os orçamentos previstos para as viagens das casas legislativas. Ele lembrou que existe autonomia da câmara para a decisão, desde que não extrapole a lei, mas a população deve opinar, sem esquecer que viagens são, sim, necessárias, o condenável são os excessos.

 

Um assessor de uma Câmara Municipal deixou claro que as diárias acabam sendo utilizadas para integralizar salários de polí­ticos. Este dado é relativo, pois os salários são desiguais, diferente dos salários de deputados, que são tabelados.

 

Aqui em Torres a Câmara não costuma gastar muito em diárias. Tem-se de forma transparente as diárias de 2011. Dá para ver que os valores não são de se questionar. E aqui as pessoas podem ver em suas próprias casas a movimentação no site WWW.camatorres.rs.gov.br.

 

 Abaixo as despesas com diárias, de janeiro a setembro de 2011, vereador a vereador.

   

 Tenora: R$10.618,00; Betão da Cal: R$ 1.650,00; George Rech: R$ 10.618,00; Gimi: R$ 9.380,00; Brocca: R$ 6.990,00; José Ivan: 1.840,00; Prof. Lú: R$ 4.570,00; Rogerinho: R$ 10.618,00; Tiago Sousa: R$ 6.518,00

       

Edificaçíµes e seus impactos

   

Ainda existe muita dúvida da sociedade sobre a permissão ou não da construção de prédios altos nas proximidades da beira da Praia Grande, aqui em Torres. Na Prainha e na Praia da Cal a faixa de areia é pequena, portanto não resta dúvida sobre o sombreamento que edificaçíµes acima de 10 metros trariam para elas. Mas na Praia Grande a coisa é diferente.

 

Existe um estudo em que as constataçíµes indicam que o mar  na Praia Grande  está recuando. Desde a construção dos Molhes, a praia aumentou. Basta olhar para o equipamento de salva-vidas de concreto, construí­do na década de 1950, que hoje é muito longe do mar, o que sugere que antigamente era mais próximo, ou seja, o mar recuou. O sombreamento na faixa de praia, então, não deve ocorrer,  e o estudo feito pelos arquitetos da UFRGS afirma isto peremptoriamente, para prédios pelo menos de oito andares.

 

Mas a questão dos recuos laterais talvez seja mais importante que a altura dos prédios.   í‰ que o chamado Nordestão que insiste em soprar á tarde por estes pagos acabará gerando embolsamento de ventos, o que torna desagradável para qualquer vivente caminhar nas calçadas durante este vento forçado por rebate. Existe uma área na parte alta da cidade, próximo ao residencial Dunas Flat, que já prova isto. Em dias de Nordestão, uma pessoa com pouco peso pode até levantar ví´o. E isto é causado por uma parede de edifí­cios construí­da entre a praça e Dunas Flat. Como não há espaço para o vento encanar, ele é jogado de volta, formando um redemoinho para os que passam.

 

Minha opinião é sobre a atenção á falta de recuos em prédios na beira da praia, mesmo se os prédios forem pequenos. O impacto efetivamente será no coletivo, nas ruas, onde todos passam. O arquiteto sugere projetos que obrigue que as edificaçíµes não tenham aberturas laterais, alegando a falta de intimidade entre moradores de edifí­cios vizinhos. Trata-se de uma boa sacada, mas pra mim invade a opção de cada um; o que é diferente do vento embolsado, que é jogado para todos, causando uma mazela que poderá e deverá espantar turista.

 

 Abaixo imagens da beira de praia de Guarujá e da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Dá pra se ver que a altura não é tão importante assim, principalmente pela nossa área de faixa de praia, que com as dunas fica maior que os dois exemplos.Mas os recuos são obedecidos por lá, isto que eles não tem o Noredestão.  

 

                                   

 

                                                    Barra da Tijuca, no Rio na imagem da esquerda e Guarujá, em São Paulo na da direita

 

 

     

Regras e a pressa

   

O que deve se chamar a atenção de TODOS é esta fase de troca entre um Plano Diretor e outro. Se há muita modificação DA ESTEIRA DAS REGRAS, como está previsto, pode acontecer UMA VERDADEIRA CORRIDA DE APROVAí‡íƒO DE PROJETOS,  antes de entrar a nova lei em vigor. Isto acaba sendo ruim, pois a PRESSA í‰ INIMIGA DA PERFEIí‡íƒO, irmã siamesa da confusão. Mas as pessoas são obrigadas a se defender, a defender seus patrimí´nios, e é razoável que haja muitos movimentos neste sentido.

 

O melhor seria a votação rápida do novo Plano. Pelo que se vê, terão muitas discussíµes e embates frontais de idéias divergentes, mas isto faz parte de ambientes democráticos. Torço que seja eleito um Plano inteligente, sem radicalismos de nenhum lado, que fomente o aumento da qualidade e da quantidade do turismo na cidade.

 

   

Desperdí­cios e desperdí­cios…

   

Saiu na Zero Hora uma matéria sobre locais onde na avaliação do repórter houve desperdí­cio do dinheiro público, onde a Usina de reciclagem de Torres foi citada. Não sei se houve desperdí­cio. Talvez tenha havido mudanças de planos em cima de inviabilidades econí´micas e jurí­dicas com o passar do tempo. Mas a Recivida está lá. Hoje organiza o lixo reciclado de Torres para ser vendido e este processo deve aumentar cada vez mais. E é só a municipalidade resolver gastar MUITO dinheiro para impermeabilizar a usina com materiais que o MP aprove,   que    pode-se voltar a se fazer lá a separação inclusive do lixo bruto. Além disto, o local é alto, longe do lençol freático, de fácil acesso e com área grande.

 

Acho maior o desperdí­cio   feito no projeto da Cooperativa de Pesca do bairro Salinas. O vereador Tenora lembrou muito bem o problema em seu espaço de fala na última sessão da Câmara.  Aquilo sim foi uma passagem pra lua (só de ida) que alguém da EMATER ( que não está mais em Torres) desenhou sem sequer pesquisar coisas básicas de mercado. Foi lá construí­do um elefante branco, que acabará sendo abandonado . Lembro que a idéia foi do governo federal, com apoio do governo Estadual, vendida como boa para o governo municipal, que também comprou mal a idéia. Uma culpa nacionalizada ou generalizada,  portanto.

 

Ainda existe uma espécie de plano de salvamento da idéia, mas deverá ser muito diferente da idéia idealizada, pois dificilmente uma cooperativa de pescadores poderá estar apta a concorrer com empresas multinacionais de venda de pescado. Vamos torcer.

 

   

 

Muita água vai rolar

   

Não houve nada de muito forte com o término da data de troca de partido, que aconteceu na sexta-feira passada. O empresário Nasser Samhan saiu do PSDB e foi para o PP. Esta foi a única mudança importante no quadro polí­tico atual, já que se trata certamente de um possí­vel candidato para defender o Partido Progressista da cidade, que quer voltar ao poder de qualquer forma. Houve várias filiaçíµes de possí­veis candidatos í  vereança, mas nenhum nome com grande densidade eleitoral hoje em dia, embora muitos com altos potenciais.

 

Mas no PMDB os movimentos de idas e vindas mexeram com as bases do partido. Ainda é cedo para diagnosticarmos se trata-se de momentos passionais ou se haverá dissidência ou divisão dentro da sigla. Embora, diga-se de passagem, divisão dentro de sigla grande já faz parte até de coisa formatada, como é o caso do PT, que possui várias correntes de pensamento internas, e que naturalmente constroem verdadeiros mini-partidos dentro do PT. No PMDB pode estar surgindo o mesmo, mas na hora da eleição todos acabam votando nos candidatos escolhidos.

 

 O que fica certo é que a disputa entre Pardal, Gimi e José Ivan  dentro do PMDB deve continuar, no estilo guerra fria, mas vai haver sim, e é saudável. As caracterí­sticas de cada um irão aparecendo. E ainda podem surgir outros nomes como Tubarão, Tiaguinho e Roniel. Esperem.                


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