O colorido dia de Corpus Christi

25 de junho de 2011

Por Guilherme Rocha

 

                      Um dia de benção e celebração para os católicos. O Corpus Christi é a festa onde a Igreja comemora a instituição do Santí­ssimo Sacramento da Eucaristia, e é uma das mais antigas celebraçíµes do catolicismo no mundo. A procissão simboliza a presença do próprio Jesus Cristo, saindo í s ruas para abençoar as pessoas, as famí­lias e a cidade. Ainda por cima, o Corpus Christi configura-se de como uma bela manifestação criativa, destacada na confecção dos tapetes ornamentais, que une estudantes, professores e fiéis em sentimento de dedicação e solidariedade.

                       

                      A história da data

   

                      A data foi instituí­da pelo papa Urbano IV, em 1264, após uma série de histórias e milagres que principiou em 1192, com o nascimento de Juliana de Mont Cornillon. Juliana nasceu em Retines, Bélgica. Ficou órfã muito pequena, e foi educada por freiras Agustinas na localidade de Mont Cornillon. Aos 17 anos começou a ter visíµes, que retratavam uma lua cheia com uma mancha escura. A jovem interpretou que as visíµes solicitavam í  Igreja uma festa em honra do Santí­ssimo Sacramento. Em 1230, ela confidenciou estas visíµes ao arcediago de Lií¨ge, que 31 anos depois viria a ser o Papa. Neste mesmo ano, a festa do Corpo de Cristo passou a ser celebrada em Lií¨ge.    

                      A confirmação do Corpus Christi veio com um milagre. Aconteceu quando, em 1264, o Padre Pedro de Praga celebrou uma Missa em Bolsena, Itália, onde de uma hóstia partida começaram a cair gotas de sangue. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.   Hoje, uma mancha de sangue existente no altar da mesma igreja é atribuí­da a esse momento.  

                      O então Papa Urbano IV(antigo arcediago de Lií¨ge) residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena. Quando foi informado do milagre, ele ordenou que lhe fossem levadas as relí­quias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em uma procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relí­quia eucarí­stica as palavras: Corpus Christi. Em 11 de agosto de 1264, o Papa lançou para o mundo católico, através de um decreto, o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.  

                      A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa pelo mundo. Mesmo assim, o dia santo se propagou por algumas igrejas da Europa. Anos depois, o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no Concí­lio Geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção da festa. Em 1317 é promulgada uma recompilação de leis, e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

                        O Concí­lio de Trento (1545-1563), por causa da Reforma de Lutero e dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarí­stica pelas ruas das cidades, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.                      

                      A procissão pelas ruas de Torres

 

 

     

                      A procissão de Corpus Christi é uma das mais tradicionais festas do Brasil, e é comemorado no paí­s desde a chegada dos portugueses. A tradição de fazer os tapetes ornamentados, inicialmente com folhas e flores, foi instituí­da aqui no perí­odo colonial, no municí­pio mineiro de Ouro Preto. Essa tradição praticamente desapareceu em Portugal continental, onde teve sua origem, mas foi mantida nos Açores e nos lugares aonde chegaram seus imigrantes, como no sul do Brasil. O barroco português enriqueceu esta festa com todas as suas caracterí­sticas de pompa, com uma profusão de cores, música e expressíµes de grandeza.  

                      Aqui em Torres, os tapetes ornamentados para o Corpus Christi já são uma tradição que embeleza nossas ruas ano após ano. Em 2011, nem mesmo a chuva estragou a festividade. "Chegamos aqui í s seis da manhã para fazer os tapetes, com chuva mesmo. Participam alunos e professores de várias escolas, além de movimentos pastorais, grupos de catequese e cursilho. Todos trabalhando junto, em solidariedade para fazer um belo trabalho", indica Helena Scheffer, ministra da Eucaristia na Igreja Santa Luzia. Estudantes como Luiza e Michele, 13 anos e estudantes do Jorge Lacerda, não se importam em acordar ainda de madrugada para ajudar na procissão. "í‰ uma festa muito bonita, uma manifestação de amor e fé, e me sinto feliz de fazer parte disso", declara Luiza.  

                      Na confecção dos tapetes, além da tradicional serragem colorida, diversos tipos de materiais são usados. "Aproveitamos nos painéis materiais que seriam colocados no lixo. Erva-mate, Borras de café, colagens com papeis, algodão, farinha, com criatividade tudo vira adereço neste trabalho", afirma o professor de biologia da escola São Domingos, Benedito Salvador Ataguile. Para o professor, a procissão de Corpus Christi configura uma manifestação popular da arte sacra que, mesmo se tratando de uma festividade católica, envolve todas as pessoas, independente de diferenças religiosas.  

                      Finalizados os tapetes, por volta das nove horas tem iní­cio a procissão. Entre cantos e oraçíµes, a passeata foi acompanhando a passagem do Santí­ssimo Sacramento, enquanto o padre abençoava o hospital, a delegacia, residências e estabelecimentos comerciais de Torres. Foram distribuidas mudas de plantas para motivar o equilí­brio ambiental, e partilhou-se o pão simbolizando o corpo de Cristo. A procissão teve fim com os fiéis encaminhando-se í  igreja para uma missa, e assim os belos tapetes ornamentais cumpriram sua honrosa função de conduzir a passagem do corpo de Cristo. Mas não importa o quão efêmeros estes mosaicos sejam não importa que durem apenas um pouco mais que a passagem dos devotos. Na memória daqueles que trabalharam em sua confecção, daqueles que uniram forças para tornar este dia mais bonito, os tapetes estarão sempre guardados como pura obra de arte.

 

 


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