O futebol contra a crise econí´mica na Espanha

10 de julho de 2012

 

 

Por Guile Rocha*

 

 

No último domingo (01), um jogo de futebol simbolizou tempos de trégua e festa em uma Espanha que, nos últimos meses, não tem tido muito a que comemorar. A conquista da Eurocopa pela segunda vez consecutiva, no último domingo (01) deu novo ânimo ao orgulho espanhol, gravemente ferido pela crise que assola a Europa.

 

 

A Fúria Espanhola: imbatí­vel no futebol

 

A seleção espanhola goleou a Itália por 4 x 0 no último domingo, em Kiev, tornando-se a primeira seleção europeia a conquistar dois tí­tulos continentais consecutivos. Além disso, em 2010 o time venceu também a Copa do Mundo da ífrica do Sul. O caminho espanhol para a Copa no Brasil começa em setembro, mas independentemente disso, os espanhóis já têm lugar assegurado em um a Copa das Confederaçíµes, em 2013.

David Silva e Jordi Alba, com gols no primeiro tempo, e Fernando Torres e Juan Mata, que saí­ram do banco e balançaram a rede na etapa final, foram os responsáveis por construir o placar. Apesar de não estar em sua melhor fase, Fernando Torres foi um dos seis artilheiros da competição, com três gols.

Pela terceira vez seguida, um brasileiro naturalizado disputou a final da Euro. Depois de Deco por Portugal em 2004 e Marcos Senna pela Espanha em 2008, a Itália teve Thiago Motta neste domingo, mas por apenas três minutos (Motta saiu lesionado). E sua Itália, campeã da Euro-1968, não teve chances contra a força da Fúria, como é conhecida a seleção espanhola.

Em entrevista coletiva após o tí­tulo da Eurocopa, o técnico espanhol Vicente sp Bosque prestou homenagem ao seu antecessor, Luis Aragonés, que montou o time campeão europeu de 2008. Seguimos o caminho estabelecido por Aragonés, e agora temos novos objetivos nas eliminatórias da Copa, e depois na Copa das Confederaçíµes. Queremos fazer uma boa exibição lá. Del Bosque, de 61 anos, é apenas o segundo técnico a conseguir vencer a Copa do Mundo e a Eurocopa. Além dele, Helmut Schoen obteve a proeza com a Alemanha Ocidental, na década de 1970.

Um dos principais nomes no consagrado esquema espanhol é Xavi, e o meia do Barcelona mostrou seu valor na final contra a Itália, dando os passes para dois gols, depois de atuaçíµes apagadas em jogos anteriores. O jogador, que terá 34 anos na Copa de 2014, afirmou que estaria disponí­vel para continuar jogando pela sua seleção, caso esteja em boas condiçíµes fí­sicas. Estou me sentindo bem por estar aqui, afirmou a jornalistas. Vou conversar com o treinador, mas basicamente, sim, vamos ver.

Qualquer equipe que deseja desafiar a hegemonia espanhola terá de descobrir como furar sua sólida defesa, e ao mesmo tempo resistir aos seus impetuosos ataques. A Espanha, 1 ª colocada no ranking de seleçíµes da FIFA, segue invicta nos seus dez últimos jogos eliminatórios pela Eurocopa e a Copa do Mundo, e o goleiro Iker Casillas não levou nenhum gol nos últimos 12 jogos pela seleção.

 

 

Tempos de festa (e trégua na crise)

 

Com a goleada por 4 a 0 sobre a Itália, a Espanha parece ter esquecido, pelo menos por ora, o í­ndice de desemprego alarmante e outros efeitos devastadores da turbulência dos mercados. No domingo (01) pela noite, as principais avenidas da capital, Madri, foram invadidas por multidíµes vestidas de vermelho e amarelo, as cores da bandeira espanhola. O público não só bloqueou o tráfego de veí­culos, como promoveu um buzinaço que durou horas. As comemoraçíµes vararam a madrugada e, ainda pela manhã, ouvia-se o barulho das buzinas dos que continuavam festejando a vitória.

Na segunda-feira (02), os principais jornais da capital espanhola trouxeram matérias ou artigos falando exatamente do poder dessa vitória sobre o estado de espí­rito da população. O El Mundo publicou um artigo dizendo que a seleção espanhola era o espelho para o qual olhava toda a nação, que quer se parecer com ela.

O diário esportivo Marca foi além, com a manchete A Espanha e ninguém mais, referindo-se ao fato de que nenhuma outra seleção ganhou por duas vezes consecutivas a Eurocopa junto com uma Copa do Mundo (2010). Já o jornal ABC, teve como manchete Espanha invencí­vel.

 

 

Economia vacilante e grande desemprego na Espanha

 

Mas apesar do êxtase contagiante, a vida na Espanha continua difí­cil para muitos. O paí­s ocupa o primeiro lugar na União Europeia entre os paí­ses com maior taxa de desemprego (24.6%), segundo dados da agência de estatí­stica Eurostat. Isto é o equivalente a mais de 5,5 milhíµes de spanhóis.

Em maio passado, os endividados bancos do paí­s receberam um socorro da ordem de 100 bilhíµes de euros (R$ 250 bilhíµes). Todo esse dinheiro foi emprestado pela União Europeia na busca por reerguer o sistema financeiro espanhol.

A Espanha é, definitivamente, a bola da vez na zona do Euro. Há mais de um ano que o paí­s figura entre o baixo clero das potências europeias, os chamados PIGS, grupo de paí­ses em dificuldades financeiras (formado por Portugal, Irlanda, Grécia e, mais recentemente, Espanha).A turbulência econí´mica que a Espanha enfrenta provocou o fechamento de várias empresas, especialmente aquelas ligadas í  construção civil.

A crise no sistema bancário espanhol ocorreu devido í  expansão desenfreada do crédito, logo após a criação do euro. Resumindo: as caixas econí´micas do paí­s emprestavam dinheiro a juros baixí­ssimos, para clientes com contratos de hipotecas na aquisição de imóveis. Mas com o desemprego e a desaceleração econí´mica, ocasionados (em parte) pela crise financeira de 2008, os contratos de hipotecas deixaram de ser honrados pelos clientes. A inadimplência fez com que as caixas econí´micas tivessem de reaver os imóveis, que se desvalorizavam rapidamente e deixaram as instituiçíµes em alerta. E o mundo inteiro.E a cada dia que passa, 350 famí­lias espanholas perdem sua casa por falta de pagamento.

 

 

*Com informaçíµes de BBC Brasil, Terra, Estadão, UOL e Exame

 

 

 


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