O hábito não faz o monge mas… identifica!

22 de abril de 2012

 

Maria Helena Tomé Gonçalves

 

                      Há alguns anos encontrei um amigo de infância dos nossos filhos. Era uma terça feira í  tarde e o garotão estava impecavelmente trajado de terno e gravata. Admirada perguntei-lhe aonde ia tão elegante assim, ao que ele respondeu: – A cada palhaço a sua fantasia. Estou vindo de uma audiência no Fórum, sou advogado!. Realmente, a cada profissão a sua indumentária, contrariando o dito de que o hábito não faz o monge… Até pode não fazer, mas identifica o profissional. Os advogados vestem rotineiramente terno e gravata para as audiências e as advogadas adotaram versíµes femininas de terninhos e taillers. Quando encontramos pessoas trajadas de branco sabemos que são profissionais da área da saúde. A roupa branca começou sendo usada pelos médicos e enfermeiros estendendo-se com o passar do tempo í s demais especialidades da área da saúde, aos dentistas, aos fisioterapeutas, aos massoterapeutas e aos demais profissionais da saúde. Na nossa casa nos habituamos í s roupas impecavelmente brancas usadas pelo pai médico e, anos mais tarde, pela filha fisioterapeuta. Calças, camisas, jalecos, meias e sapatos brancos são triviais na casa e se o pai sai para o trabalho no consultório com outra cor de roupa, estranhamos.

 

                      A roupa além de identificar o profissional, impíµe respeito, uma certa consideração e reconhecimento. O padre católico já não usa batina no cotidiano, mas não reza a missa sem estar devidamente paramentado. Os pastores evangélicos adotaram a calça e camisa social com gravata. Os profissionais da Educação Fí­sica usam abrigos esportivos e tênis, mas o time da aviação é um charme nas suas roupas formais do tipo uniformes militares. Quando um técnico de time de futebol entra no campo í  moda européia de terno e sapato social isso soa como um deslocamento no ambiente rústico do gramado, ficando bem melhor aquele que se veste com um abrigo esportivo do time que representa. Charmosos também são os profissionais da área da alimentação com seus aventais e toucas especiais. Assim, de fato, a cada profissão sua indumentária.

 

                      As empresas tem obrigação de fornecer aos seus funcionários equipamento de proteção individual, os chamados EPIs, conforme a atividade realizada por cada um, indo desde macacíµes ou uniformes de brim forte, í s calças e camisetas, jalecos e aventais, calçados adequados ou botinas, luvas e protetores de cabeça desde bonés e capacetes até redinhas   e toucas para prender os cabelos. O fornecimento de EPIs é responsabilidade das empresas.

 

                      Nesse cenário, estranho que os professores em geral e, especialmente, os professores de escolas públicas, que há tanto lutam pela sua valorização profissional, não usem indumentária que os identifique em seu ambiente de trabalho e nas comunidades em que as escolas estão inseridas. Quando iniciei como professora primária estadual, usávamos jalecos brancos nas escolas públicas. Ao migrar para o ensino particular, na escola religiosa onde trabalhei usávamos jardineiras de tecido xadrez azul e branco e blusas brancas, porém, nos últimos tempos, o uniforme foi banido do sistema público e o professor não tem identidade de indumentária. Talvez por aí­ pudesse começar a sua revalorização profissional: uso de uma indumentária que marque sua presença, que o identifique como profissional da educação, que desperte reconhecimento e admiração. Nada de professores de shortinhos e bermudas no ambiente escolar. Não se vai í  missa de maií´, nem se vai í  praia de terninho. Assim, no ambiente profissional, cabe elegância, retidão, postura. O hábito, de fato, não faz o monge, mas o identifica o profissional, o valoriza, o reveste de dignidade e coerência. A cada palhaço a sua fantasia. A cada profissional a sua indumentária. Aos professores, urgente, uma indumentária identificadora da dignidade da sua profissão.    


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