O í­ndio no século XXI: Entre tradições e modernidade (parte 2)

18 de julho de 2011

 

   Aldeia Guarani está instalada no Campo Bonito, em Torres  

Por Guilherme Rocha

 

                O ponto de vista de quem ajuda          

        Conversei com o secretário municipal de Ação Social, Carlos Monteiro "Tubarão", buscando entender como vêm se dando a relação da população indí­gena de Torres com o restante da sociedade. "Os povos indí­genas passam por uma situação diferente hoje em dia, tentando se incorporar ao ritmo urbano, mas sem perder seus antigos costumes". O secretário afirma que a tribo Guarani do Campo Bonito vem se integrando ao contexto moderno da atualidade, embora ainda encontre problemas de carência. "Fazemos o possí­vel para auxiliar a aldeia com as demandas que lhes são mais urgente, embora ainda haja o que melhorar. Na Ação Social, enviamos 8 cestas básicas por mês para a comunidade, além de roupas e agasalhos entregues em forma de adoção", indica.  

                      Tubarão ressalta que a principal carência da tribo encontra-se na questão da habitação. "Os í­ndios do Campo Bonito estão na maioria vivendo em barracos improvisados, levantados por eles próprios, e não estão sendo disponibilizados materiais para se construir novas moradias, reclamação não atendida pela Funai. Porém existem duas casas já construí­das no local, que não vem sendo bem aproveitadas pelos guaranis". A área onde a aldeia está instalada hoje foi adquirida como parte do projeto de duplicação da BR-101, através da definição de várias medidas compensatórias de natureza socioambiental. Uma delas previa a aquisição de terras para realocação das comunidades indí­genas situadas nas suas margens, o que aconteceu efetivamente em 2009. Antes disso, os í­ndios guaranis passaram por um perí­odo de quase dois anos no meio de embates jurí­dicos entre Funai, Dnit e Ministério Público para definição sobre onde a aldeia seria assentada. Neste perí­odo os guaranis, desalojados de sua terra, se viram obrigados a viverem em uma área irregular em Morro Grande, no sul de Santa Catarina.

 

 

   Agricultura sustentável  

 

                     

   

Secretário Tubarão e técnico da Emater Jânio Pinto representam  

                 o apóio local aos í­ndios do Campo Bonito

 

 

                          Outros órgãos públicos e privados trabalham em conjunto buscando a melhor relação dos povos indí­genas com a sociedade.   Janio Rodrigues Pintos é técnico de uma dessas instituiçíµes, a Emater, serviço oficial de assistência e extensão rural do Estado. "Temos feito um trabalho, em parceria com a Funai, que auxilia a comunidade guarani de Torres em desenvolver a agricultura sustentável. Disponibilizamos mudas e sementes aos í­ndios, além de animais para criação. Tentamos fazer um pomar por lá também, mas a aldeia não mostrou muita motivação com a idéia". A Emater ainda trabalha pela melhoria do solo na reserva Pitangueiras, utilizando fosfato natural e esterco na adubagem. "Enquanto isso, a Funasa se responsabiliza pela assistência médica na aldeia, em visitas constantes. Ocorre a pesagem das crianças para controle de desnutrição, e atualmente os problemas de saúde são apenas pontuais na reserva", indica o técnico da Emater.      

                Janio, que é presença frequente na aldeia buscando pelo bem estar dos í­ndios, indica que, embora existam alguns problemas especí­ficos na vida dos guaranis da reserva, a tribo vem tendo melhoria na qualidade de vida. "A falta de recursos é algo constante em todas as áreas da sociedade, e a causa indí­gena também sofre dessa carência. Ainda assim, está sendo feito todo o possí­vel com os recursos que são disponibilizados. Os vizinhos da comunidade do Campo Bonito também vêm ajudando com doaçíµes, e os guaranis eventualmente conseguem emprego em zonas rurais dos arredores". Janio finaliza lembrando das dificuldades de aceitação da comunidade indí­gena por parte da sociedade moderna, e faz um apelo por mais respeito as diferenças entre culturas. "í‰ inegável que existe um preconceito social contra os í­ndios, que por sua vez já se sentem historicamente acanhados para se incorporar, evitam o conflito direto com o homem branco. Deveria haver maior consideração em relação a tradição indí­gena, pois sua cultura é rica, diversificada, e é um legado que todo brasileiro deveria ajudar a preservar".                      

 


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