O medo da felicidade
5 de novembro de 2010
Quanto mais observamos a nossa natureza humana, a conduta, o sentir as emoçíµes, mais percebemos o quanto somos contraditórios e ambivalentes. A primeira delas, entre tantas é a busca ansiosa pela felicidade e o medo de alcançá-la. Mas é justamente aí, na necessidade vital que dela temos, que talvez resida a razão principal de nossos temores: o medo de tê-la e depois perdê-la.
Algo parecido acontece com o bebê em relação ao seio materno: tanto dele necessita, tanto teme perdê-lo, que chega lhe ser hostil por reconhecer seu poder de causar-lhe sofrimento. Gikovate (1989) descreve esse medo como uma sensação de iminência de catástrofe que sempre acompanha nossos momentos mais felizes. E atribuiu o ritual supersticioso de bater na madeira ou fazer figa com que muitas pessoas reagem a qualquer alusão a bons acontecimentos que estejam vivenciando.
Explicando melhor, o medo da felicidade não acometeria a todos, mas basicamente aquelas pessoas inseguras, intranqí¼ilas e com baixa auto estima, além disso, com sentimentos inconscientes de autopunição, por não se julgarem merecedoras da felicidade. Sei que muitos leitores julgarão o raciocínio tortuoso, complexo ou psicologizado. A questão, meu caro amigo, é que tortuosos e complexos são, de fato, a mente e as emoçíµes humanas. Fica bem evidente, também, certa ambivalência em relação a felicidade na expressão podia morrer agora que muitas vezes empregamos nos momentos felizes.
Gikovate, F: Homem Sexo Frágil. MG Editores. São Paulo, 1989


