O retrato da vida do profissional: Caminhoneiro

11 de novembro de 2012

 

Os motoristas de caminhíµes são considerados profissionais importantes no desenvolvimento econí´mico, polí­tico e social para o progresso do paí­s, visto que  trabalham com um dos principais meios de locomover as riquezas produzidas no Brasil. A realização deste estudo proporcionou o conhecimento das questíµes de vulnerabilidade voltadas a estilo de vida, í  sexualidade, doenças transmissí­veis e drogas entre os caminhoneiros.

 Têm-se como principais problemas o desconhecimento do risco a que estão submetidos em relação í  adesão de medidas de prevenção para DST /Aids; ao consumo de drogas devido ao curto prazo de entrega das mercadorias e a distância do percurso de entrega; o longo perí­odo fora de casa ocasiona solidão, aumentando o comportamento de risco.

Os motivos que os levam a buscar relacionamentos sexuais e drogas durante as viagens de trabalho, além das drogas psicoativas mais usadas entre os caminhoneiros de estrada são: stress, solidão, ansiedade, isolamento social, ausência da famí­lia por muito tempo. A má alimentação, a redução do sono e o sedentarismo acarretam danos í  sua saúde, como   hipertensão e diabetes.  O envolvimento em relaçíµes sexuais no perí­odo de trabalho é relevante entre esta categoria de trabalhadores; e que uma grande maioria, detêm o conhecimento das práticas de prevenção, mesmo assim, acabam se envolvendo com profissionais do sexo, afim de procurar companhia e acabar com a solidão ocasionada por longos perí­odos na estrada.

A permanência contí­nua ao volante do caminhão ajuda o aumento do uso de drogas psicoativas,  acarretando maiores danos í  sua saúde. O grande perí­odo que os caminhoneiros de estrada passam fora de casa é facilitador para práticas de risco, pelo grande número de parcerias sexuais casuais e pelo uso de drogas, principalmente o "rebite" (combinação de anfetaminas e álcool). Este longo perí­odo que passam longe de seus lares constitui um dos principais fatores que tem contribuí­do para o aumento de doenças sexualmente transmissí­veis (DST) e da epidemia da Sí­ndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Outro fator contribuinte é o uso de álcool e anfetaminas (para reduzir o sono) que faz parte do cotidiano de alguns destes profissionais, uma vez que sob o efeito da bebida nos pontos de parada para descanso, alguns se envolvem com profissionais do sexo.

O consumo abusivo de álcool durante viagens em estradas pode ocasionar também acidentes de transito. A vulnerabilidade desta categoria se deve não apenas pelo fato de longos dias afastados de seus familiares, mas também, pela questão da incorporação de valores machistas impostos pela sociedade aos homens em geral e principalmente í  classe de caminhoneiros.

O machismo sempre exerceu um domí­nio do homem em relação í  mulher. Isso permite ampliar o leque das dimensíµes socioeconí´micas, polí­ticas e culturais, ressaltam-se as dimensíµes culturais do risco como um dos aspectos da vulnerabilidade. Chama atenção para a proliferação de diversos comportamentos onde a submissão compreende a noção de riscos e significados que vem acumulando de acordo com os momentos históricos baseado nas classes sociais, religião e escolaridade culturalmente valorizada.

Associado a fatores socioeconí´micos, como dí­vidas pessoais, crise no setor de transportes e exigências de entrega de cargas em curto prazo, muitos caminhoneiros chegam a rodar mais de 18 horas por dia para cumprir horários. Eles recorrem ao uso de anfetaminas e álcool para reduzir o sono e aliviar a ansiedade, respectivamente.   Ante o exposto, foi possí­vel concluir que, os caminhoneiros são de extrema relevância para a sociedade em geral, portanto, faz-se necessário uma maior atenção psicossocial voltada a esta classe a fim de aprimorar a qualidade de vida desses profissionais.

Continuaremos conversando sobre este assunto nas próximas semanas. Até lá!

 


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