í“cio Criativo

6 de junho de 2012

                                                                                                   

     Maria Helena Tomé Gonçalves

 

                     

Há alguns anos ganhei um livro de presente cujo tí­tulo é O í“cio Criativo   e seu autor um professor e sociólogo italiano chamado Domenico De Masi, especialista no assunto Trabalho. Segundo o autor é mister que o ser humano busque maior interação entre o trabalho, o tempo livre e o estudo, devendo a sociedade educar os indiví­duos para privilegiar a satisfação de suas necessidades radicais como a introspecção, a amizade, o amor, as atividades lúdicas e a convivência. De Masi diz que o ócio na sociedade atual tende a transformar-se em violência, neurose, ví­cio e preguiça, quando deveria elevar-se para a arte, a criatividade e a liberdade, pois é no tempo livre passado nos nossos dias que podem ser melhor desenvolvidas nossas potencialidades.

                      Historicamente sabe-se que o século XX foi dominado pelos paí­ses que souberam organizar o trabalho como bem de produção. O autor diz que o século XXI será dominado pelos paí­ses que souberem gerenciar o tempo livre de suas populaçíµes. Dessa forma é preciso criar estratégias e equipamentos que   possibilitem ao ser humano a ocupação saudável desse tempo, pois a criatividade e a estética devem ser, antes de qualquer outra coisa, determinantes da nossa felicidade, enquanto a burocracia e seus entraves são determinantes da nossa infelicidade. Tudo o que funciona mal na sociedade organizada, a má prestação de serviços públicos, o descaso com a educação e a saúde, o desemprego generalizado e o subemprego, a má remuneração que leva í  falta de recursos básicos para a manutenção de necessidades vitais, o desgoverno, geram a infelicidade individual e coletiva ao desconsiderar que trabalho, estudo e lazer são necessidades básicas inerentes ao ser humano.

                      Segundo os Dicionários: í“cio é descanso do trabalho, folga, repouso; é o tempo que se passa desocupado, é vagar, quietação, lazer; é preguiça, indolência, moleza. Porém, ócio é também trabalho mental, ocupação suave e agradável, é, em suma, o tempo livre ocupado de forma feliz. Em cima dessa idéia, o autor criou a teoria do ócio criativo que propíµe incluir no cotidiano, atividades que reúnam o descanso, o lazer, o trabalho e a aprendizagem, de forma dinâmica, integrada, complementares entre si. Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, pois realiza seu trabalho com prazer e não descuida de ocupar seu tempo livre com atividades lúdicas e está sempre disposto a aprender, sempre buscando algo mais, é criativo e inventivo. A criatividade resulta de fantasia e realização e esses princí­pios devem nortear a ação administradora individual e coletiva, o que deve ser perseguido por todos os governantes, em todos os ní­veis de governos.

                      A administração da vida coletiva requer também a busca do atendimento de forma organizada e eficiente da ocupação do tempo livre. í‰ necessário que sejam disponibilizados nas cidades, independente do seu tamanho geográfico, econí´mico e populacional, equipamentos e recursos que possibilitem uma vida mais saudável e feliz aos seus habitantes. Aqui entram os princí­pios citados: criatividade e estética. Não basta fazer uma praça apenas com calçadas e bancos. Não basta fazer só um calçadão ao longo da orla. Não basta iluminar uma rua com postes e lâmpadas. Não basta espalhar camadas e camadas de asfalto sobre as ruas. Não basta cortar árvores exóticas e deixar túmulos vazios em seus lugares. í‰ preciso criatividade. Muita criatividade. Criatividade que resulte em fantasia e realização. Em fazer bem feito e bonito, muito bonito. O homem que vive em meio ao bom e ao belo certamente terá melhores recursos para tornar-se um cidadão melhor e um ser humano mais feliz.

 


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