EDITORIAL – Onde estão os ideais?

8 de outubro de 2010

 

A entrada da candidata Marina Silva (PV) pra valer no primeiro turno do pleito realizado no último domingo acabou servindo para que o eleitor do Brasil mostrasse que está em dúvida quanto ao futuro de suas vidas na nação.    Os debates entre os principais colocados no primeiro turno, fora as posiçíµes do PV e do Psol, ficaram pasteurizadas e acabaram colocando em cheque somente quem seria a melhor pessoa para seguir as polí­ticas públicas no paí­s.  

A candidata governista Dilma Rousseff (PT) se apresentou abertamente como a escolhida pelo presidente Lula para seguir seu governo.   O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na campanha de forma intensa dizendo para os brasileiros que a continuidade de seu governo estaria somente garantida pela eleição de sua companheira Dilma, em uma atitude pouco republicana, pois estava ainda exercendo a cadeira de presidente da nação e não pediu licença para fazer campanha, utilizando de certa forma a sua agenda de presidente para fazer palanque eleitoral.  

Já o candidato que se imaginava que faria uma oposição frontal ao governo, pois seu partido e seus aliados assim o fizeram durante os oito anos do governo do PT, José Serra (PSDB), acabou também se apresentando como uma pessoa que faria melhor o trabalho de continuidade do governo Lula, de certa forma referendando o governo do presidente e deixando crí­ticas de ideais no bolso, sem se posicionar contra o estabelecido. Serra somente prometeu ampliar açíµes do governo do PT, promessa fácil de ser feita e pouco confiável para o eleitor, mesmo os menos cultos.  

Os ideais confrontados ficaram somente, afinal, com a candidata Marina Silva (PV), que estampou assuntos conceituais de governo em debates e em seu pequeno espaço na propaganda polí­tica. Marina colocou o ar e não obteve resposta o alto desemprego dos jovens do Brasil causado por seu despreparo, e nenhum candidato falou se seu programa atacaria isto. Marina colocou no ar também talvez um dos temas mais importantes de posiçíµes estratégicas de programas governamentais: o desperdí­cio do dinheiro público. Mais uma vez nem Serra nem Dilma falaram sobre qual seria a posição de seus planos no assunto. Marina também questionou e mostrou posição sobre o ultrapassado sistema tributário da nação, sugerindo uma reforma profunda e defendendo os prefeitos, que são os primos pobres do bolo tributário no Brasil. Nem Dilma nem Serra colocaram suas posiçíµes sobre o tema, principalmente sobre a asfixia dos municí­pios no sistema atual.

 Estamos em fase de iní­cio dos debates para a eleição do segundo turno. Seria extremamente didáticas que as TVs que promovem os encontros colocassem de forma direta e peremptória as posiçíµes de ambas as partes nestes assuntos. Eles é que fizerem que eleitores da candidata governista trocassem para Marina seus votos de forma acelerada e ascendente nas últimas duas semanas de campanha do primeiro turno, sugerindo, inclusive, que se houvesse mais tempo a candidata que representou o PV poderia disputar o segundo turno com Dilma, eliminando o candidato do PSDB da corrida.     O eleitor está atento, e deverá votar em quem se posicionar de forma confiável aos temas que efetivamente significam alguma coisa e projetam algum horizonte em suas vidas.  


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados