OPINIíO – Briga pública

3 de novembro de 2013

 

Por: Fausto Araújo Santos Junior  

 

PROGRAMA RUIM, MILITíƒNCIA CONCORRIDA…

 

O Programa Bolsa Famí­lia se trata da polí­tica pública mais preguiçosa que já vi. Ao invés do Estado levar a sério o serií­ssimo problema da miséria em familiais desestruturadas de valores e de cultura civilizada com programas estruturados e completos, o governo atual resolveu atuar de forma superficial e hipócrita, com uma espécie de tele entrega de dinheiro. Fugiu da raia do enfrentamento, atendendo um problema bem maior de forma simples e superficial, colocando dinheiro na conta das pobres pessoas como se isso fosse solução. Pior é que ele – o Bolsa Famí­lia – é uma unanimidade entre os polí­ticos brasileiros e agora virou palco de disputa de paternidade. Que tristeza…

O crescimento financeiro de baixa renda no paí­s aconteceu somente pela estabilidade econí´mica iniciada no governo FHC e inteligentemente mantida nos governos Lula e Dilma. Quem viver verá.

 

Minha opinião sobre a CICLOVIA nova

 

Acho bonita e inteligente a nova ciclovia no calçadão, que está sendo construí­da pelo governo atual de forma diferente da construí­da e projetada no governo anterior. Sempre a opção por lajotas ao invés de asfalto é mais inteligente, principalmente quando se as colocam em locais onde não há trafego pesado, a realidade das Ciclovias.

Mas temos de assumir que as duas ciclovias, a do governo anterior e a atual, são equipamentos que ficarão na maioria do tempo OCIOSOS. A Avenida Beira mar é muito pouco utilizada por trabalhadores ou estudantes para seu dia-a-dia produtivo (trabalhar e estudar). Uma via como esta seria muito mais importante na Avenida Castelo Branco, na Avenida José Bonifácio, na Avenida Barão do Rio Branco ou na rua que liga o centro í  Zona Sul (que não me recordo o nome). Portanto, as ciclovias da Beira Mar serão úteis somente como equipamentos para veranistas e turistas utilizarem na TEMPORADA. No resto do ano, são poucas pessoas que utilizarão as vias construí­das í  beira mar.

A grande incógnita que fica no ar é a da troca das ciclovias pelos estacionamentos. Em Audiência Pública realizada ainda no governo João Alberto, foi vencedora a proposta de não tirar estacionamento da Avenida Beira Mar. O que restaria, então, seria construir as ciclovias no CENTRO da avenida. Mas o povo foi voto vencido. Em uma decisão polí­tica e intransigente í s demandas, o governo anterior manteve o projeto das Ciclovias na Beira Mar e manteve a insistente opção e decisão polí­tica de retirar os estacionamentos oblí­quos da via, diminuindo sobremaneira as vagas, o que vai gerar tumulto no veraneio, em nome de uma ciclovia que vai ser muito mais usada nos finais de tarde dos fins de semana do verão.

Sou contra a ciclovia no Calçadão da Beira Mar. Se der tempo, sugiro a prefeita Ní­lvia que troque o projeto, retire toda a ciclovia e coloque-a no canteiro central. Este tipo de opção (no centro de avenidas) é vencedor em vários lugares do mundo.

E sou TOTALMENTE A FAVOR de ciclovias em avenidas DE SERVIí‡O, que sejam usadas por trabalhadores, estudantes e pessoas realizando TAREFAS DIíRIAS ANUAIS. E que sejam construí­das, também, NO CENTRO DAS AVENIDAS.

 

Briga pública

 

A prefeita Ní­lvia (provavelmente sugerida por sua assessoria polí­tica) resolveu tornar públicas suas rugas com vereadores do PP. Foi í  somente dois jornais de Torres e emitiu igual recado público í  vereadora Gisa Webber e ao vereador Fábio da Rosa, colocando neles certa culpa pela falta de apoio na Câmara pela base aliada, numa espécie de matéria fechada e igualitária “ como se fosse uma propaganda.

A vereadora Gisa respondeu, mas usando seu espaço formal de discurso público (mais protocolar “eu diria): a Câmara Municipal. Mas não deixou por menos na resposta. Acabou acusando a prefeita de usar seu nome para esconder sua inabilidade de trabalhar. Fora acusaçíµes públicas em estilos diferentes

As duas têm razão em reclamar. Efetivamente, a coligação entre PT e PP está difí­cil desde o iní­cio do governo. Não sei se pela falta de um articulador dentro do PP para fazer a relação do partido com o PT e o governo; não sei se pela falta de uma liderança firme na Câmara, que saiba ponderar entre bancadas, vendendo bem a idéia do governo… Mas o que sei é que os dois partidos não se entendem, pelo menos dentro da Câmara.

Portanto, concordo com a prefeita que existe, sim, uma dificuldade entre os dois partidos. Mas discordo que seja culpa de Fábio e de Gisa. O governo não foi bem nas coligaçíµes após eleito. Foi muito bem na campanha, mas depois a coisa não foi bem digerida, principalmente na relação entre o PT e o PP. E pode ser que Gisa e Fábio sejam ví­timas de uma relação institucional mal digerida.

Mas agora, com a pessoalização, me parece difí­cil que Ní­lvia recupere para si apoio incondicional dos dois citados nas matérias fechadas e iguais nos jornais, apoio necessário para que votem com o governo, mesmo em matérias polemicas. Pessoalizar quase nunca é uma boa estratégia.

 

DESEDUCADO!

 

Foi no mí­nimo deseducada a atitude do vereador Ernando Elias ao anunciar que seria secretário de Obras do governo Ní­lvia, em discurso na frente do secretário em exercí­cio, presente no plenário da Câmara durante o mesmo discurso. Ele demitiu o secretário Broquinha com a autoridade de prefeito municipal. O vereador “ agora lí­der do mais novo partido da cidade, o PROS, ainda utilizou seu discurso para criticar todos os trabalhadores da secretaria de obras, indiscriminadamente.

Acho que Ní­lvia comprou uma idéia de um novo caminho para buscar mais apoio para seu governo, mas pode estar recebendo um produto que mantém e aumenta um problema antigo, talvez de DNA das relaçíµes interpessoais. A postura do vereador Ernando Elias foi no mí­nimo mal educada, para não dizer que foi arrogante, quase que imperialista.

 Em seu discurso ele criticou até a prefeita, ironizando uma briga entre Ní­lvia e a vereadora Gisa (PP) no mês do Outubro Rosa. Colocou-se como o salvador da pátria, afirmando submersamente que a pátria teria que ser salva, criticando a secretaria de obras do governo Ní­lvia; e disse que agora tudo será perfeito, desde que ele seja o secretário de Obras. Pelo discurso de Elias, a cidade agora vai ser modelo para ser seguido nos EUA.

Vamos conferir, mas não existe milagre, a menos que Ernando Elias prove que realmente é uma espécie de perfeição na terra.

 

Tem lingí¼iça neste arroz

 

E agora parece que este movimento de Ernando Elias e Tenora “ criando um novo partido que permitiu que Elias fosse secretário e abrisse espaço para que Tenora volte í  Câmara, pode sofrer impasses jurí­dicos.

Se for verdade que o vereador Rogerinho pediu a cadeira de 2 º suplente do PP, alegando que Tenora teria pedido desfiliação do PP no iní­cio do ano, o governo Ní­lvia vai ter mais um problema: vai ter de conseguir uma secretaria para Tenora, nem que seja na marra, í  pedido (ou exigência) do lí­der do PROS Ernando Elias.

Rogerinho voltaria para a Câmara, portanto, como mais um membro do PP, partido que está defendido por Gisa e Fábio da Rosa, onde pelo menos Gisa está em rota de colisão pessoal com a prefeita Ní­lvia. E assim Rogerinho teria a opção de entrar na casa legislativa escolhendo o lado: se apóia ou não apóia o governo, se vai para a ala do PP que está apoiando o governo ou se entra direto na ala de questionamentos, diferente de Tenora, que teria sido alçado na cadeira de vereador para apoiar incondicionalmente Ernando Elias e o governo Ní­lvia, pois o vereador do PROS têm uma secretaria (dizem que são duas – a secretaria de Agricultura seria incorporada í  secretaria de Obras).

Ní­lvia terá um tabuleiro de xadrez na frente. Dificilmente conseguirá formatar um xeque mate somente com estes movimentos. Pode não tomar um xeque mate, mas, para ganhar o jogo da estratégia deverá fomentar outros grandes movimentos pela frente. Veremos.

 

 

 

 

 

 


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