OPINIíO – Conceito Turí­stico?

7 de fevereiro de 2012

   

Por Fausto Araújo Santos Júnior

Em pleno veraneio e em pleno ano pré-campanha eleitoral, há de se colocar algumas perguntas no ar para que sirvam como reflexão para os candidatos í  cadeira de prefeito de Torres, até para í queles que buscam uma vaga na Câmara Municipal. O verão é a safra da atividade econí´mica principal da cidade: o turismo e o veranismo. E os rumos que serão adotados pelas autoridades para este setor vital social, são, ou deveriam de ser, o âmago das plataformas eleitorais locais.

 

Estamos saindo de uma crise de identidade gerada nas décadas de 1990 e os primeiros anos da década passada. Com a vinda de argentinos em massa para Torres nestes perí­odos, o Câmbio favorável fez com que a comunidade econí´mica local se voltasse para as demanda de Los Hermanos. Teve o lado bom vindo do aumento de renda da população local, assim como a ascensão de torrenses da gema na sociedade, com a construção de empresas estruturadas nos vários ramos de atividade; mas teve o lado negativo: a recusa aos veranistas paga a conta até hoje…

 

Agora, após esta maré cambial baixar, desde o ano de 2001, a sociedade local vem se adaptando í s novas demandas. Fora, í  época, casas e casas construí­das para atender a avalanche de argentinos que aqui vinham que ficaram ociosas; são atividades hoteleiras pouco focadas em brasileiros que se transformam em outras atividades; são lojas de marcas que abandoaram a cidade, enfim: um novo contexto, uma nova realidade a ser enfrentada.

 

Cabe aos gestores que mastiguem bem esta contextualização e formatem um plano de marketing turí­stico de longo prazo, que leve em conta tudo que se passou, tudo que se passa e tudo que deve se passar adiante.    

     

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Querem tirar a mordomia dos veranistas? Por quê?   Eles são concorridos, ou não?

   

Uma das questíµes que deve ser revista é aquela que remete a nós, seres humanos racionais e normais, í s questíµes do tipo que perguntam se foi o ovo ou a galinha que começaram o processo. Atualmente a cidade de Torres vem servindo como um imenso mar onde pesadores de negócios jogam suas redes na buscas de seus peixes. Explico:

 

Os turistas e veranistas chegam í  cidade e se confrontam com carros de propaganda pelas ruas anunciando produtos e serviços sem perguntar se os ouvintes querem ou ao não escutar aquela propaganda, que se obrigam a digerir; vemos comerciantes de todos os ramos largando panfletos nos pára-brisas ou enfiando-os pelas portas dos carros alheios, como se os automóveis não fossem patrimí´nios particulares, um desrespeito aos bens alheios.

 

Vemos brigas por territórios de venda de beira de praia, onde o resultado das brigas acaba desfavorecendo quem mais interessa, o turista e o veranista. Um exemplo disto é a proibição dos donos de quiosques de montarem para seus clientes os guarda-sóis e barracas, tudo em nome de outros, que alugam este material, em uma reserva de mercado burra, aonde o veranista que muito pouco vêm aqui é que acabam se prejudicando.

 

Temos que planejar isto muito melhor para que a cidade não passe um conceito de sugadora de dinheiro alheio, pois a concorrência é grande, e para perder um veranista fiel é fácil; difí­cil é conquistar um com a concorrência de Santa Catarina e de Punta Del Esta, além de Xangri-lá e seus condomí­nios.

 

 E deverão fazer parte das campanhas locais estes itens: posiçíµes firmes devem ser colocadas, lembrando sempre que não se pode agradar gregos e troianos ao mesmo tempo.

     

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Outra questão que deve ser mais bem organizada no veraneio de Torres são as entradas de entidades públicas e privadas no dia-a-dia do da temporada. Não é justo que pessoas que pagam diárias em hotéis caros, ou que comprem apartamentos caros na cidade, tenham de conviver com o verdadeiro carnaval que acontece na cidade, final de semana í  final de semana do veraneio.

 

 í‰ que as entidades trabalham com a lógica da movimentação das massas. Então, como nos finais de semana a concentração de pessoas é maior no litoral, as organizaçíµes, clubes, secretarias de Estado, organizaçíµes empresarias, dentre outros, acabam preferindo organizar agitaçíµes institucionais que visam propagar suas marcas também institucionais nas praias do Litoral Norte e sul do RS. í‰ companhia Estatal de água fazendo projetos culturais, muitos deles desorganizados e sem a prévia permissão dos entes de turismo locais; é caminhão de treinamento de informática ou de legalização empresarial se instalando nas ruas ou nas praias, como se praia fosse lugar se pensar em trabalho e qualificação, vindos de entidades da indústria e do comércio; é empresa de produtos de consumo fazendo blitz e distribuindo panfletos; são campanhas e campanhas de conscientização abordando gente que sequer sabe de que se trata; são outras secretarias de Estado querendo vender e propagar seus projetos na orla, se misturando com banhistas e entregando-lhes panfletos, etc.

 

Há de se propor um conselho de turismo atuante, que priorize ou até elimine estas invasibilidades institucionalizadas em Torres. í‰ certo que em outras praias, menos conceituadas que nossa cidade, estes itens podem ser muito bem-vindos, pois são locais que quase nada tem a oferecer para os veranistas e turistas que lá vão. Mas aqui, cabe a nós formatarmos coisas estruturadas e fixas. Não dá para que veranistas e turistas se obriguem a se submeter a repetitivas passagens de carros de bombeiros buzinando ou soando o alarme para promover este ou aquele evento, este ou aquele santo.

 

Torres é por si só um show. A estrutura natural, o números de opçíµes de praias e passeios naturais, a estrutura gastroní´mica e de noite, dentre outras, já a deixam pronta. Não precisa barulho onde o show já está no ar, em tudo. E isto deveria ser pauta de planos de candidaturas í  prefeitura, ou de projetos de lei prometidos por futuros vereadores, em suas campanhas eleitorais deste ano.

 

 

   

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Um dos temas a ser muito bem pensados também é a estratégia de incentivos fiscais a ser dado ao não para que novos equipamentos de turismo venham a se instalar aqui.  Li em Zero Hora nesta semana passada que uma rede de hotéis de renome foi convidada pelo prefeito de Xangri-lá para se estabelecer naquela cidade, concorrente de Torres, sim, embora saibamos que damos de 10 em alternativas naturais e estruturais.

 

Devemos listar equipamentos que de certa forma faltam aqui no veraneio, como hotéis, restaurantes, casas noturnas, empresas de lazer, dentre outras, e montar uma forma de buscá-las para a cidade através de incentivos fiscais, como, por exemplo, a isenção de ISS por alguns anos, a doação de terrenos em troca de contratos de permanência por 15 anos, etc.

 Cabe aos polí­ticos e aos partidos que estão no poder que definam, dentre de seus ideais partidários, é claro, uma polí­tica deste formato para que constem em seus planos de governo. O turismo é cada vez mais profissional; amadores, com certeza, ficarão em segundo plano, basta definirmos em que plano queremos ficar.                          

 


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