Estado grande demais?
Independentemente do resultado da votação do chamado Pacotarso, medidas em bloco que o governador Tarso Genro irá editar após a aprovação na Assembléia Legislativa do Estado, o que fica é a clara opção dos gaúchos, por voto, por morarem em um Estado que o sérvio público seja grande, caro e pouco produtivo no que diz respeito í infraestrutura.
O novo governo aumentou sobremaneira o número de CCs; criou novas secretarias, criou o Conselhão, e agora já mostra a necessidade de aumentar arrecadação acima do crescimento do Estado, colocando em pauta o novo imposto, que vem chamado de taxa de inspeção veicular, mas que é um novo imposto, pois já se paga IPVA.
Os gaúchos escolheram e não podem reclamar. Tarso recebeu mais de 50% dos votos e se elegeu no primeiro turno. Os gaúchos não podem reclamar de optarem por um projeto onde o tamanho do Estado Público acaba ficando acima da necessidade, e muito acima da possibilidade orçamentária. O que veremos em princípio é um monte de idéia, com pouca efetividade de ação, a menos que haja mágica financeira, o que é de difícil crença.
Mas o gaúcho deve cobrar sobremaneira a melhoria da qualidade dos serviços estruturais de Estado. Pelo menos deverá melhorar (e muito) a Educação, a Segurança, a Saúde e as políticas públicas de atendimento í s classes menos abastadas. Se não haverá investimento por falta de dinheiro, consumido em recursos humanos de um Estado Grande, estes recursos humanos devem mostrar serviços.
Diárias e falta de coragem
A ministra da cultura do Brasil, Ana de Hollanda, foi pega fazendo diárias nos finais de semana no Rio de Janeiro, onde possui casa. Seu argumento para explicar a puxada de orelha do TCU foi de que seria mais caro voltar í Brasília no final do expediente na sexta, voltar para casa no sábado, ir á Brasília na segunda e voltar ao Rio na mesma segunda. Mas sabe-se que é um artifício utilizado por gestores públicos para angariar mais recursos e somar a seu salário, í s vezes baixo pela competência do gestor e seu preço no mercado executivo, mas í s vezes alto, pela procura pelo nome do mercado, muitas vezes quase nula.
A questão de diárias é recorrente em todos os níveis da administração. No caso de executivo, muitos presidentes, governadores e prefeitos devem colocar a possibilidade de obter ganhos através de diárias aos seus contratados em cargos de confiança. Não existe no Brasil, nos Estados e nos municípios, infelizmente, ambiente jurídico e moral para, por exemplo, um prefeito pagar mais a um gestor por ele contratado do que o salário base dos outros colegas do mesmo escalão. Isto limita a possibilidade de se ter bons gestores dentro da Coisa Publica. Se fosse contratado com salário maior, de forma transparente, e se a justiça não desse ganho de causa a outros lá na frente, alegando isonomia, as cidades, os Estados e o País poderiam estar muito melhor dirigidos, com mais resultados, consequentemente. E o povo teria muito mais argumento para cobrar resultados dos ˜super executivos.
Mas já que isto tudo fica na teoria, o que se deve é aumentar os salários de executivos que são contratados para dirigirem ministérios no país, secretarias nos Estados e secretarias também nos municípios. Com um salário de mercado, poderia se terminar com as diárias e programar somente o relatório de viajem, que comprova somente os gastos efetivos dos executivos. Mas falta coragem dos seus superiores…
Diárias e falta de coragem 2
Nas Câmaras de Vereadores, as diárias também, volta e meia, entram em pauta. A questão da Transparência tem sido desculpa de críticos ou oposicionistas tentarem expor vereadores questionando as diárias e o conteúdo da utilização das mesmas. O presidente da Câmara me disse que o promotor de Justiça da Comarca sugeriu que ele, o Gimi, assinasse um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se comprometendo a mudar o sistema de despesas de viagens dos vereadores. Parece que ele fez isto em todas as cidades da Comarca… O promotor Vinícius quer que não exista mais diária. Quer que sejam substituídas por Relatórios de Viagem dos vereadores. Mas o presidente da Câmara não assinou o TAC. Gimi disse que não poderia entrar no gosto ou exigência pessoal de cada edil, o que poderia fazer com que algum deles pudesse em Porto Alegre, por exemplo, dormir no Plaza São Rafael e almoçar e Jantar na churrascaria Na Brasa. Isto daria por dia mais ou menos R$ 500,00, quando a diária atual é R$ 190,00.
No caso de vereadores, me parece que a diária é o meio mais justo. Foram eleitos pelo povo para ocuparem uma função equivalente. Não se tem preço de mercado para vereador, diferente do conceito que existe, sim, para secretários e ministros, que são executivos.
Mas a questão no fundo é a mesma nas duas questíµes de diária, sistematicamente polemizadas. O salário do vereador de Torres é baixo, em torno de R$ 3,5 mil. E os vereadores acabam também necessitando em alguns casos de lucrarem com as diárias para aumentar a renda mensal. Ou seja: Recebem R$ 190,00, mas param em hotéis baratos ou e casas de amigos, e fazem as refeiçíµes também em locais mais em conta um direito absoluto. Dever-se-ia dar um aumento substancial aos vereadores de Torres. Eles são muito aliciados por cidadãos pobres em busca de trocos para pagar gás, luz, água, etc. E muito não conseguem dizer não aos pedintes.
Um ex-vereador me contou certa vez que andava com uma conta de luz e outra de água (vencidas) de sua residência no bolso. Quando um eleitor dele pedia para pagar a luz, ele puxava do bolso a conta e pedia para o pedinte que o avisasse quem conseguiria o feito, para ele, então, também pedir ao mesmo homem de bom coração que pagasse as suas, pois a coisa estava preta. Ele não foi reeleito…
Outro vereador me dizia estes dias que quando senta em uma roda de cerveja em um bar se sente na obrigação de pagar a conta. E uma roda por dia custa caro, o que entendo. Não é justificativa, mas é crível isto…
Portanto acho que os vereadores de Torres deveriam receber no mínimo R$ 5 mil por mês. Descontado o IR na fonte, fica R$ 4 mil. O que é de boa bitola para a responsabilidade.
Primeiro time
O PMDB de Torres colocou de volta seu primeiro time nas funçíµes públicas. Os vereadores titulares voltaram í s suas cadeiras e o vice “ prefeito Pardal voltou para a função que conseguiu se destacar mais. Destacar de forma saudável, dando visibilidade para seu nome na política, mas entregando bons serviços para os munícipes.
Tiago deu bem conta dor recado em tocar a secretaria de Saúde e manter e até melhorar os projetos lá estabelecidos. Enfrentou bem a demissão dos funcionários pela AMLINORTE e resolveu bem o impasse, mesmo que tenha sido por 90 dias.
José Ivan também foi muito bem em sua passagem pela secretaria de Turismo. Realizou o melhor Réveillon dos últimos tempos e o melhor Festival de Balonismo de todos. Conseguiu trazer para a Guarita o evento Madeirite e foi muito elogiado pelos dirigentes do ambiente do surfe que coordenaram o bonito encontro realizado aqui em Torres.
Mas agora os dois voltam para a casa legislativa. Vêm pela frente vários projetos que terão impasses saudáveis, mas impasses, na Câmara. O novo contrato a ser desenhado para a contratação do pessoal da Saúde; o Plano Diretor e todas suas interelaçíµes; e uma nova edição do projeto de regularização de imóveis irregulares são provas da necessidade do partido e da base estarem alinhados.
Amansando prefeitos
A presidente Dilma amansou os prefeitos na edição deste ano da Marcha dos executivos de municípios í Brasília, ocorrida nesta semana passada. A boa notícia para Torres é a inclusão de cidades com menos de 50 mil habitantes no PAC do Saneamento. Já teremos 83% de esgoto tratado, mas muito necessita ser feito nesta área aqui. Reformar canos velhos, implementar novas formas de captação de água da chuva etc., são exemplos. Podemos chegar a 100% de captação e tratamento se quisermos.
Mas a emenda 29, que define maiores percentuais enviados para as cidades para a Saúde Pública ficou para adiante. Este item é fundamental, pois Torres utiliza hoje mais de 20% de seu orçamento para a Saúde, quando o percentual mínimo é de 15%. Estamos acima, mas este dinheiro poderia estar sendo utilizado para outras coisas ou até para aparelhar melhor a Saúde Pública local.
Insistência saudável
O vereador Rogerinho (PP) insiste que a municipalidade exija que os donos de imóveis e terrenos na Avenida Castelo Branco construam suas calçadas. Trata-se tão somente de cumprir a lei.
Concordo com o Vereador. O nível econí´mico dos donos dos imóveis permite que se exija, sim, este serviço. Ou que a prefeitura faça e cobre no IPTU do ano seguinte, como débito legal.
Aonde vai o material?
O vereador Betão a Cal sugeriu que a municipalidade utilize o material do Calçadão da Praia Grande e Prainha, que está sendo substituído, para que se construa uma grande calçada que ligue o bairro Guarita ao bairro São Francisco. Boa idéia. Mas o que fica é que pode, sim, ser muito bem aproveitado o material retirado, talvez também para construir calçadas em áreas de moradores de baixa renda.


