Opinião – Fausto Jr. – Plano Diretor e confusão desnecessária

1 de novembro de 2011

Plano Diretor e confusão desnecessária

 

   

Nas duas últimas audiências públicas do Plano Diretor realizadas pela prefeitura, com a presença do técnico responsável da UFRGS, foi apresentada uma alternativa de construção de prédios de até oito andares na área de beira de praia, aqui na Praia Grande. Inclusive o tema foi protagonista das principais discussíµes nas audiências.

 

Pois agora a prefeitura divulgou a proposta formatada em seu site para avaliação do público em geral, antes de entrar formalmente na Câmara Municipal, onde NíƒO CONSTA a possibilidade de edificaçíµes na beira da praia acima dos í­ndices atuais. Trata-se de uma forma pouco inteligente de assumir de certa forma que a prefeitura NíƒO QUER edificaçíµes altas na área em foco.

 

Ora: se foi apresentada nas audiências, deveria ser apresentada na proposta formal, não acham? Mas não o foi. Isto não quer dizer que ainda não se possam sugerir alteraçíµes nas modificaçíµes do Plano Diretor. Basta ter maioria na casa, que qualquer união de cinco vereadores; ou de quatro e contar com o desempate do presidente, que se propíµe qualquer coisa. Inclusive poderia se derrubar toda e qualquer tentativa de aumento de altura de prédios na Praia Grande com o voto. O que fica prejudicado é a falta de discussão do tema, principalmente se ele (o tema de aumento de altura) foi colocado formalmente nas audiências públicas.

 

Não é necessário retirar as propostas discutidas, basta trabalhar para que elas não aconteçam. E no caso da prefeitura, ainda existe a possibilidade legal do prefeito de NíƒO SANCIONAR A LEI, ou emendas. O que geraria ainda mais discussão.

 

 

   

Minha posição sobre a beira da Praia Grande

 

 

 

 

   

Recife:  na praia da Boa Viajem  o mar é muito mais próximo da rua

e mesmo assim a sombra é somente no final da tarde

     

Sou admirador de edificaçíµes, mas as grandes, de 10 andares ou mais… Trata-se de uma forma de racionalização de moradia: economizam água, luz, concentram estacionamentos internos, e, enfim,  possibilitam que MAIS PESSOAS USUFRAM DAS VANTAGENS DE UM DETERMINADO LOCAL. E beira de praia é uma vantagem, ou não?

 

 Mas também sou favorável í  definição ANTECIPADA de um  conceito de local RíšSTICO DE PRAIA. Inclusive acabei de assinar hoje (quinta-feira) um abaixo assinado promovido por VERANISTAS de Garopaba (SC), que querem derrubar a permissão da construção de edificação por lá. Pois lá não é ainda um local que é edificado; lá ainda é possí­vel formatar um destino turí­stico com o CONCEITO DE RíšSTICO.

 

í‰ importante lembrar também que uma gestão pública em qualquer municí­pio tem a obrigação legal de atender í s demandas dos moradores locais no que diz respeito í  Saúde, Educação, Bem Estar Social, dentre outras. E para isto é necessário DINHEIRO.  Lá em Garopaba, a municipalidade local poderia fazer uma troca. Não permitir NENHUMA EDIFICAí‡íƒO, manter com isto o conceito de destino turí­stico rústico; mas em contrapartida AMENTAR CONSIDERAVELMENTE O IPTU DOS DONOS DE IMí“VEIS DE BEIRA DE PRAIA. Seria uma forma de dar respostas í s demandas sociais de lá, e ao mesmo temo atender ao pedido dos que sonham com a manutenção do modus vivendi local. Uma idéia.

 

Pois aqui em Torres a questão passa pela mesma análise. Em minha opinião, a Praia Grande não possui NENHUMA CHANCE DE SER APRESENTADA COMO UM LOCAL RíšSTICO.   Fala-se da SOMBRA na beira da praia. Pois minha proposta é para haver poucos edifí­cios na região, com recuos EXTREMAMENTE AGRESSIVOS, o que obrigaria com que a região recebesse torres arejadas, bastante espaçadas entre si, e que pouca sombra iriam fazer, pois além de nossa orla ser larga (dunas), seriam poucas edificaçíµes.

 

Minha opinião para os que acham que a altura é premissa fundamental é que, então, SE PROíBA TOTALMENTE EDIFíCIOS NA ZONA QUE ATUALMENTE PERMITE SOMENTE PRí‰DIOS DE 9 METROS. Pelo menos teremos somente residências daqui pra frente, ao invés de corrermos o risco de termos pequenos prédios populares, onde irá ter MUITA GENTE MORANDO EM POUCO ESPAí‡O e com isto, além de geral ALTO IMPACTO DE VIZINHANí‡A, corremos o risco de POPULARIZAR a beira de praia, o que não é saudável para um destino turí­stico que busca pessoas com poder aquisitivo mais alto.

 

Ah, e o aumento considerável do IPTU dos moradores das casas é justo. Viver em um local onde não pode construir edifí­cio tem que ter um preço, não acham?

 

 

   

Cálculos são necessários

   

E nas decisíµes da opinião sobre a altura de prédios na Praia Grande vale tudo. Alguns inclusive não fazem nenhuma relação com as questíµes econí´micas ao projetar os  horizontes de suas propostas.   Tem gente que quer diminuir a altura de 9 metros para 6 (dois andares) e ainda quer recuos largos entre as edificaçíµes. Trata-se de projetar a produção de  passagem pra lua…

 

Ora: como vai ser viável a construção de um edifí­cio de dois andares com recuos laterais agressivos e produzir uma mercadoria que tenha comprador ao mesmo tempo? Impossí­vel, talvez somente sendo de apartamentos JK, sem garagem,  e mesmo assim acho difí­cil, pois necessitaria de vários e vários terrenos para se ter um pequeno ganho de Escala. E qual seria o impacto de vizinhança de um edifí­cio (ou vários) de JKs sem garagem na Praia Grande?

 

Há de se colocar em qualquer avaliação mais responsável, que visa os interesses coletivos, que a indústria da Construção Civil em Torres é talvez a que MAIS GERA EMPREGO PARA A CIDADE. Há de se lembrar também que a maioria da indústria da Construção Civil em Torres é baseada em construção de edificaçíµes PARA O TURISMO E VERANISMO. Portanto, a qualidade e a quantidade destas obras são vitais para o futuro da cidade, pois o veranismo e o turismo são NOSSA FORí‡A ECONí”MICA.

 

 Será que queremos para a Praia Grande prédios apequenados, hotéis feios, pouca área comercial para suprir o Turismo, pois prédios pequenos são muito mais difí­ceis de serem viabilizados com lojas comerciais? Ou queremos ver na praia de Torres redes de hotéis importantes, edificaçíµes que geram mí­dia até nacional pela beleza,  e a qualificação do público na praia ao termos opçíµes de apartamentos altos e com vista para o mar na orla e termos também a opção de  ofertarmos um centro bonito de compras na avenida da beira da praia? Estas são questíµes que devem ser levada em conta. Não dá para tratar o Plano Diretor como uma brincadeira de Leguinhos na sala com as crianças.

 

   

Resumindo

   

São estas as discussíµes que deveriam pautar as decisíµes sobre as modificaçíµes do Plano Diretor. Uma análise econí´mica, social, mercadológica e dos horizontes do turismo que concorre com Torres devem fazer parte do tema de casa das autoridades que irão decidir isto com responsabilidade. Os donos dos imóveis na área protagonista dos debates atuais deveriam também ser ouvidos. São eles que definirão nosso futuro, pois terrenos baldios são poucos: as obras deverão ocorrer pela substituição de casas caso se permita edifí­cios,  ou com a reforma das casas atuais, caso seja preservada a área.

 

Uma tabulação responsável feita com os donos poderia iluminar melhor a decisão dos vereadores da Câmara Municipal. Este trabalho poderia inclusive ser bancado pela casa legislativa para clarear mais as decisíµes.

 

Olhando por uma óptica centralizada, avaliando somente os aspectos econí´micos, sociais e mercadológicos, acho eu que duas opçíµes radicas sejam as melhores: ou não se constrói nada além da casas unifamiliares e pousadas pequenas; ou se permite a altura liberada, com prédios altos, mas com enormes distâncias entre um e outro, o que é conseguido simplesmente com í­ndices construtivos e de obediência aos recuos laterais, o que exige que VARIOS TERRENOS SEJAM COMPRADOS PARA A CONSTRUí‡íƒO DE UMA EDIFICAí‡í•EOS, que será cara para quem compra, mas bonita para quem vê, e que abrigará pessoas e turistas de alto poder aquisitivo, normal em beiras de praia de lugares paradisí­acos como Torres.

           


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