Opinião – Ganhou o mais forte

15 de outubro de 2012

 

Fausto Santos Junior  

Como nas selvas, a eleição sempre elege o mais forte. O resultado mostra quem foi o predador e quem foi o predado… O PT buscou o PP para ganhar o pleito e colocar a ex-vereadora Ní­lvia na prefeitura, após uma tentativa frustrada em 2008. O PP aceitou, para voltar ao poder, de onde está fora desde o governo Milanez.   Os dois conseguiram seus feitos.

O PMDB tentou se manter no poder, mesmo após oito anos com a chave da cidade. Buscou o PTB, ligado a uma confiável Igreja evangélica local e buscou também outros partidos pouco fortes. Não conseguiu.  í‰ que o PTB fez seu candidato í  Câmara, mas não fez a mesma votação dentro do partido para a majoritária.  Isto estampa o fato de que o PTB entrou desunido no pleito, após o envolvimento de seu ex- lí­der, pastor Shardosin, em desentendimentos na igreja e na polí­tica.

O PSDB, outro partido grande, que possui inclusive diretório em Torres pelo número de filiados, já entrou dividido, como estava desde 2008, com a saí­da do ex-prefeito Cezar Cafrune do pleito, quando abandonou a candidatura de vice da chapa que reelegeu João Alberto naquele ano.   E acabou colaborando pouco para a majoritária do PMDB.   Os outros partidos nada somariam nem diminuí­ram a força do PMDB. Eram, e são, ví­nculos institucionais, mas que não chegaram para fortalecer a candidatura de Pardal.

Ganhou as forças naturais. PT + PP venceu o PMDB. O resto é especulação.  

 

Pesquisa: A FOLHA caiu que nem

o Chapeuzinho Vermelho…

 

O PMDB entregou na redação de A FOLHA e em TODOS OS JORNAIS LOCAIS, duas semanas seguidas, pesquisas encomendas pela agremiação para serem divulgadas. Como nenhum outro partido nem entidade da cidade nos procuraram para divulgar pesquisas, nosso jornal resolveu publicar a versão do PMDB. Não temos e não tí­nhamos dinheiro (ou falta de ética) para comprar pesquisas…

Mas a versão dos graxains de Torres estava errada, invertida (pior ainda). O atual prefeito João Alberto me assegurou que não sabia do erro… Culpou a empresa Credencial…   Vá saber… Só resta a mim, dizer: que esta tal de Credencial não seria contratada por mim nem para fazer a conciliação bancária do estrato e do talão de cheque de minha conta (que é í­nfima).   Muito menos para tabular pesquisa. E, como pelas regras rí­gidas de pesquisas eleitorais no Brasil não é permitido de forma alguma que haja manipulação das pesquisas registradas no cartório, só posso acreditar que o PMDB errou ao contratar a Credencial. O resto eu não posso dizer aqui, pois serei processado e não tenho dinheiro para pagar advogados, embora saiba que ganhe qualquer processo.

 

 

Duas campanhas de oposição

 

Mas em minha opinião o que causou a derrota do PMDB nesta eleição foi o mote da campanha. Parece que vaidades não deixaram com que a força do partido se baseasse somente na excelente administração do prefeito João Alberto. Pardal falou, sim, dos feitos do governo nos oito anos, principalmente nos quatro últimos, quando teve caixa e fí´lego para fazer inúmeras e marcantes obras na cidade. Mas só falou. Pra mim, o mote deveria ser efetivamente continuar melhorando, mas na prática não foi. Pardal e Zé Ivan diziam que queriam continuar melhorando, mas logo a seguir apresentavam mudanças. E mudanças de paradigmas. Aí­ é difí­cil o povo crer. Como se pode aceitar alguém dizer que vai continuar algo se ele diz que vai mudar? Ficou um vácuo no meio do caminho…

O PMDB praticamente esqueceu-se de citar os projetos da entrada da Zona Sul, da entrada da Zona Norte, da ampliação dos Molhes, do caminho entre a Guarita e o Itaimbezinho. Mas esqueceu principalmente de citar, quase como um mantra, que fez DUAS ESCOLAS NOVAS após vinte anos sem aumentar na cidade SEQUER UMA SALA DE AULA; que mudou o paradigma da Zona Sul colocando lá uma grande escola para os bairros mais pobres de Torres, assim como no Campo Bonito.   Que construiu um Centro de tratamento da Vida, com CAPS, posto de Saúde e Creche em andamento; que asfaltou centenas de metros de novas ruas, inclusive em bairros mais periféricos, que implantou um novo calçadão após 30 anos de marasmo no equipamento; que fez várias praças, bonitas e bem equipadas. QUE PASSOU O TRATAMENTO DE ESGOTO DE 50% CAPTADO E TRATADO para quase 100%. Devem ter feito pesquisas antes de definirem o mote, mas a empresa de pesquisa errou, assim como errou na projeção dos resultados da eleição.

Ní­lvia surfou sozinha no pleito. Quando esperava uma metralhadora giratória de feitos que dificilmente seriam explicados como conseguiria dar segmento nos mesmos, recebeu uma campanha de novidades. E novidade por novidade, o eleitor preferiu a novidade completa: A MUDANí‡A.

 

Alinhamento das estrelas

 

E o PT planejou, sim, entrar com munição para combater o bom governo de João Alberto. Introduziu em seu marketing o mote de ser do PT, quando o Estado do RS também é do PT e o paí­s também é governado pelo PT. No iní­cio da campanha Ní­lvia chegou a citar empréstimos já conseguidos no governo federal para Torres. Durante, se mostrou ao lado de poderosos do partido em Brasí­lia, surfando na popularidade da presidente Dilma.

Sabe-se que pouco isto é real. A própria lei não permite. A prefeita eleita de Torres, em seu discurso na Câmara na segunda-feira, já disse que a partir do término na eleição, Torres é o Partido. O PT é o Partido de Torres, Brocca repetiu. Inclusive, para provar que este fato de alinhamento das estelas é mais foguete do que realidade pode-se pegar o governo Tarso, do RS, com exemplo. No estado, o governo do PT vem recebendo ajudas minguadas do governo federal. Coloca-se atrás de recebimento de recursos de muitos estados, até tucanos, adversário visceral do PT.     E quanto á afinidades, mais um exemplo. O governador Tarso quando ministro da Justiça implantou um programa federal que até hoje o Estado não se adaptou ao mesmo, mesmo Tarso sendo governador, mesmo sendo do PT de Dilma.

Portanto, o PT de Ní­lvia usou bem esta força adicional que planejou para enfrentar a metralhadora giratória de obras e feitos sociais que previa que viesse do PMDB, que não veio… E O PMDB sequer falou no Mensalão. Levou e não bateu…

 

Jornal sério em Torres

 

Recebi ameaças aqui na redação após o pleito. Pessoas ligaram para cá perguntando se agora eu iria zarpar da cidade. í‰ isso mesmo, disseram zarpar mesmo, fruto de um linguajar daquele tipo de pessoa que se morrer ninguém vai ao enterro… Pois não vamos sair da cidade, não! Nem zarpar… Somos o jornal mais confiável de Torres. As bancas dizem isto. A cada 10 jornais vendidos na cidade, seis são A FOLHA, e o resto é dividido, mais focado em UM TíTULO, dentro dos outros oito ou 10 que aqui circulam. Somos puros, colocamos o que acontece não o que outros acham que deveria ser publicado.

E, caso o jornal que ligou para a nossa redação ameaçando ache que nossa marca sofrerá com a nova administração, na qual queremos fazer o mesmo que fazemos com a atual, qual seja, publicar os ACONTECIMENTOS da cidade e defender os moradores de ingerências, inclusive do MP, pode tirar o cavalinho da chuva…  í‰ que um governo que diz que foi eleito porque Ama Torres; que diz que vai primar pela TRASPARíŠNCIA e pela í‰TICA, não irá contratar um jornal que vendeu sua marca para publicar pesquisas FEITAS POR TERCEIROS, QUE NíƒO QUISERAM SE DENTIFICAR.  Fez-se aquilo lá, o que não faria acolá?… Aí­ sobra quase nada para escolher. E A FOLHA é um jornal que ficou isento destas manipulaçíµes. Veremos…

 

Secretarias devem ser peleadas

 

Após o final de eleição, é hora de trabalhar… E a prefeita eleita Ní­lvia Pinto Pereira deve ter muito trabalho para nomear os titulares das secretarias e os CCs. Embora o seu vice-prefeito eleito, o Brocca seja contra CC. Prefere concurso público, deixou isto bem claro em todos os pronunciamentos na Câmara Municipal durante os últimos quatro anos.

Mas, voltado aos CCs, o PDT, o PSB, fora o PT, possuem pessoas muito probas em seus quadros partidários, principalmente no quadro dos militantes. E como duas pessoas não conseguem ocupar o mesmo espaço, já dizia Newton, e, conforme o mesmo Newton, toda a ação gera uma reação, muito terá que ser negociado entre as centenas de pessoas que querem CC se comparado com o número de CC disponí­veis da municipalidade.   E aqueles que não levam, deveriam ficar, mesmo assim, junto com o governo, afinal eles (todos) amam Torres. Mas não é isto que a prática acontece, sabemos… Aí­ as caras aparecem…

Assim como o papel aceita tudo e muito do que se promete em planos de governo seja praticamente impossí­vel de ser realizado em quatro anos, muito que do que se promete na nomeação de CCs pode não ser cumprido.   E parece que teve candidato a vereador de partido coligado ao PT que se elegeu prometendo emprego para muita gente…

Uma pessoa que mostrou ser muito boa trabalhando na linha e mostrando resultado é o candidato a vereador Kennedy Gularte, do PSB, coligado na eleição com o PT nos últimos três pleitos. Se ele for chamado para trabalhar em um CC na prefeitura, tenho certeza que Ní­lvia colherá resultados. No aeroporto, Kennedy fez chover invertido, mudou o paradigma do terminal aeroportuário trabalhando para o Estado do RS. Mostrou que possui entrada no governo, e é isto que a cidade necessita. Kennedy é GOL.

 

Secretarias devem ser peleadas 2

 

Uma secretaria que é vital para Torres é a do Turismo. Capitaneada com muita competência pelo atual secretário de João Alberto, Roniel Lumertz, a pasta mexe com o ganha-pão dos torrenses.   Portanto, mexe com a única indústria importante economicamente na cidade: a do Turismo.

Parece que o hoteleiro e pepista Rubens De Rode só não pega a pasta se não quiser. Para os torrenses, seria um presente ter um ex-candidato í  prefeito, que vendeu em todas as campanhas o desenvolvimento do turismo na cidade como bandeira principal, que agora, na prática, assumisse os rumos do Turismo de Torres. Mas ele pode não topar a empreitada. Trabalha muito e ainda é muito demandado em seus hotéis… Mas seria um prêmio.

Outra pessoa que eu tomo í  liberdade de sugerir para o Turismo é o Marquinho. Dono do Pub da Ilha. Ele é do PT, partido de Ní­lvia, perdeu a eleição em Três Cachoeiras, e possui alto conhecimento em eventos, o perfil do Turismo de Torres. Falo isto sem pedir permissão para ele, mas tenho certeza que o Marcos não vai ficar brabo comigo… Afinal, gerenciar o Balonismo, o Réveillon, o Veraneio e suas parcerias milionárias, não é para qualquer um. Ainda mais com uma promotoria, eu diria, inteligente na cidade… que quer tirar verbas do orçamento do turismo… Veremos.

 

Bancada da oposição de alto ní­vel

 

A Câmara só manteve duas pessoas. O vereador Gimi (PMDB) e a vereadora Lú (PT). Os outros sete foram trocados e recebem mais quatro para completar as treze cadeiras na casa. A coligação liderada pelo PT elegeu a maioria. Se as alianças se mantiverem, PT + PP + PDT têm sete votos aliados ao próximo governo na Câmara de Vereadores de Torres. Já PMDB + PTB+ PC do B, ficaram com as outras seis cadeiras na casa do povo.

A situação terá pessoas novas. Somente a professora Lú mantém sua cadeira, até então como oponente, e agora como defensora das bandeiras do governo Ní­lvia. Mas há fortes chances da vereadora reeleita ser secretária, da Educação, por exemplo. Os outros nomes são novos.

Já a oposição ao próximo governo já nasce com um pouco mais de experiência. Gimi é penta campeão. Ocupa a Câmara pela quinta vez. Tubarão volta após ter sido vereador por duas vezes e com experiência em oposição e situação, como Gimi. Alessandro Bauer entra como o nome escolhido pelo PMDB para representar o governo e não deu vexame, foi o mais votado.  E ele foi, também, subprefeito da Vila São João e conhece os poríµes e as ruas pavimentadas da administração pública. De novato na oposição atual, somente o Marcos do Obras, o Jeferson do PTB, que foi secretário do secretário João Oriques na administração, e o Nego do PC do B. Esta última cadeira representando uma nova postura na Câmara, pois inaugura uma NOVA BANCADA na casa.

Portanto, acho que a oposição ao governo Ní­lvia será profí­cua. Sem mania de procurar pêlo em ovo, como algumas oposiçíµes por aí­, mas com firmeza de propósitos, principalmente em manter pelo menos vivas as portas abertas ao desenvolvimento implementadas pelo PMDB de João Alberto em oito anos, que foram muitas… E oposição é uma das coisas mais saldáveis na democracia. Assim como a concorrência no mercado ajuda que os consumidores tenham sempre melhorias de qualidade e baixa de preços, a oposição na polí­tica faz com que o eleitor consiga ver o contraditório e definir qual será seu voto em outros pleitos, em audiências publicas, em referendos, nas consultas populares…

A atual prefeita eleita Ní­lvia Pinto Pereira foi um belo exemplo de oposição na Câmara Municipal entre 2004 e 2008. Conseguia colocar sempre o outro lado dos projetos enviados por João Alberto para casa. Conseguiu muitas vezes mobilizar até a base aliada para rejeitar teses, rejeitar até projetos inteiros que foram polêmicos naquela legislatura. Com a professora Lú, a oposição foi mais light, mais de esteira partidária, mas de bastidor. E se Ní­lvia conseguiu ser prefeita, mostra que fazia uma bela e saudável oposição no tempo de Câmara.

E agora o PMDB com Alessandro Bauer, com Gimi e com Tubarão (experientes), mais o Marcos e mais o Jeff do PTB e o Nego do PC do B, projetam uma oposição ferrenha, mas de projetos, de temas, não de mesquinharias. Que bom!


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