OPINIíO – Mão na cumbuca alheia

22 de maio de 2012

 

 Por: Fausto Araújo Santos Jr  

 

Vereadores da Câmara Municipal querem investigar o que estão chamando de venda da quadra do salão paroquial da igreja Católica do centro de Torres. O vereador Gimi sugeriu criar uma comissão para averiguar tudo. O vereador George Rech desde o iní­cio se posicionou contra qualquer mudança. Ele, com todo o direito que tem de cidadão, milita pelo cancelamento da proposta que a igreja recebeu de permutar o imóvel com uma construtora, recebendo em troca área construí­da.

Acho preconceito, ou briga de bandeira religiosa. Por que a igreja teria que dar satisfação pública por seus atos? Tem de dar a seus fiéis, mas isto é de foro interno, dentro dos valores e da hierarquia da igreja, onde existem pessoas somente religiosas, que se misturam com pessoas que trabalham pela igreja e respeitam o organograma da instituição. Alardear sobre isto se trata de rancor, preconceito, inveja, desconfiança. Se posicionar contra, tudo bem, mas começar a colocar o assunto como se fosse de foro público, me parece errado, opinião humilde.

Existem clubes, igrejas, entidades, cooperativas, até empresas, que recebem benefí­cios fiscais de governos municipais. Todos eles são votados e devidamente aprovados pelas Câmaras. Se o assunto juridicamente deve ir í  casa para ser votado novamente, pois o contrato í  época estampou isto, que se vote. Mas investigar a casa dos outros e colocar publicas as atitudes de determinada entidade, me parece motivo de foro pessoal, que tem ao menos uma pontinha de vingança.

Cabe aos fieis da igreja se mobilizar perante posturas ou atitudes da igreja. Certamente muitos deles não querem que o negócio seja feito. Mesmo que a igreja utilize a área permutada exatamente como usa hoje, para angariar fundos para o exercí­cio da caridade nas cidades, talvez tenham fiéis que estão motivando os vereadores a colocarem fogo na palha. Trata-se do fogo amigo, o mesmo utilizado pelos partidos polí­ticos, mas que deve estar ocorrendo dentro da igreja. Se eu fosse os vereadores, veria e avaliaria muito bem os seus amigos que estão os utilizando para abortar uma obra da igreja em nome da dignidade pública. O caso é privado e dentro da entidade que deve ser resolvido.   Os fiéis devem deixar de serem covardes e brigarem na sua casa, antes de colocarem leigos contra sua própria igreja. Deus castiga… os fiéis e os leigos… porque Deus não tem religião.

 

Time se formando

 

Nesta semana que passou, foi o PDT de Torres que se aliou ao PT de Ní­lvia Pinto Pereira para o pleito de outubro próximo. Ideologicamente me parece coerente. O PT defende a empresa pública, o PDT também. O PT defende a forte presença do poder publico nas vidas das pessoas, o PDT também.

O PSB, já alinhado anteriormente, também possui valores internos no partido que se aproximam dos do PT e do PDT. Portanto, boa parceria, pelo menos ideologicamente falando. Somente o PP que parece que não combina.

 Os progressistas defendem mais obras, pouco governo, mais progresso material… Mas o caso aqui em Torres parece que se trata da tí­pica sí­ndrome do Grenal, qual seja: os chamados galos (apelido dos militantes do PP), não conseguem mais ver seu principal adversário, o Graxaim (apelido dado na região para os militantes e filiados ao PMDB), no poder. Trata-se de uma questão de honra o PP voltar ao governo. Na última vez que participou foi como vice no governo Milanez. Naquele governo, os pepistas ocuparam muitos cargos e são co- responsáveis pelos feitos e desfeitos do perí­odo entre os anos de 2000 e 2004.  Inclusive, o PP, í  época, se coligou com um frentão tão somente para tirar o prefeito Cafrune (na época ainda Graxaim) do Poder. E conseguiu.

Assim como no PMDB, o PP tem em seus quadros muita gente que praticamente só se sente bem e feliz trabalhando dentro de administração pública. Estes devem ter ganhado na disputa interna dos que optariam por candidatura própria.

Mas o time está se formando. Ideologias í  parte, o quadro está indicando que muitos outros partidos deverão verter para o lado de Ní­lvia. Cobrem-me.

 

Há candidato?

 

Na semana que passou, as posturas dos quatro candidatos do PMDB que concorrem internamente para ser o candidato da sigla í  cabeça de chapa pela prefeitura ficaram mais quietos. Parece que uma reunião, na sexta anterior, teve até briga í  soco. Normal em perí­odo eleitoral. Mas parece que a briga ajudou para que os candidatos baixassem as armas, pelo menos as armas que estavam de certa forma trabalhando contra um projeto de oito anos de governo, que pode ter erros como tudo na vida, mas que na prática tem em seu legado um resultado prático nunca antes visto por aqui. Os candidatos a candidatos do PMDB estavam criticando ou indo contra a própria prefeitura, quando poderiam estar faturando politicamente elogiando os feitos do governo que é DELES.

Com a baixa de armas, parece que se inicia um desenho para que a pré- convenção do partido, marcada para dia 30 de maio, possa decidir por consenso uma chapa. E a idéia de chapa pura é uma das possibilidades que e desenham no horizonte. Levar para vice um dos pré-candidatos, diminui o conflito em 50%, já é um alí­vio. Veremos.

 

PMDB e PTB

 

Aposto que esta dupla não se separa para o pleito de outubro em Torres. O PC do B está na prefeitura, mas não boto a mão no fogo pela decisão final dos comunistas. O PRB está, talvez, mais organizado que seu tamanho, e pode também debandar, mesmo tendo, também, pessoas com cargos de confiança na administração atual. O PV deve ficar com a prefeitura, depende de ouvir a proposta do PT, principalmente do plano de governo, o que está em falta no mercado, pois as negociaçíµes, infelizmente, são mais fisiológicas que ideológicas. O PSDB tem cargos na municipalidade e deve optar pela corrente que mais ajudará a eleger um vereador entre os 13 que assumem. Os movimentos do partido tem colocado gatos no telhado, o frentão é um exemplo.

O PPS não se define. Tem gente boa na administração, mas deve estar mais preocupado em colocar seus vereadores com boa votação. Talvez aumentar a bancada. Já coligou na proporcional (para vereança) com o PTB, partido que atualmente possui o maior número de CCs na prefeitura. Estes dois, portanto, devem ir junto com João Alberto, mas devem estar querendo a vaga de vice para Nilson Shardosin. Parece que a chapa PMDB e PTB está cada vez mais próxima. A maior concorrência neste caso é o PMDB, que deve ter que deixar de fazer chapa pura neste caso, e aí­ o partido pode entrar em rota de colisão interna novamente.

 

Vereador, um pepino…

 

Existe uma corrente na cidade que afirma peremptoriamente que a nominata na Câmara vais mudar radicalmente. Dizem estes que defendem a idéia, que os vereadores estão desgastados, e que por isso a sociedade deverá fazer uma faxina na casa através de votos renovados, acima de tudo renovados. Eu discordo.

As redes sociais estão demonizando os polí­ticos como um todo, principalmente os deputados federais, estaduais, Senadores e vereadores. Correntes que circulam no Facebook e no Twitter estampam declaraçíµes do tipo: queremos vereadores sem salários; queremos deputados com salário mí­nimo e com obrigação de terem seus filhos estudando em escola pública e se tratando no SUS; Melhor mais salários para professores do que vereadores… Trata-se da demonização da profissão.

Se olharmos para Brasí­lia, concordo que o deputado ganhar R$ 25 mil e ter R$ 60 mil mensais para gastar com assessores é exagero… e que exagero. No Estado, deputados estaduais ganharem os salários que ganham e terem as mordomias que têm na Assembleia, também concordo. Tem um limite para ganhos de polí­ticos, mesmo que eles, todos, passem por todos os problemas e exposiçíµes sociais que uma eleição os gera.

Mas querer que vereador trabalhe de graça chega a ser ridí­culo. Atualmente a responsabilidade moral do trabalho de um parlamentar em uma cidade é enorme. Ele convive frente a frente diariamente com seus eleitores; ele tem de cuidar da imagem na comunidade, pois estão sendo pagos pelos contribuintes; eles têm de receber em suas salas pessoas pedindo coisas que são de competência das secretarias municipais, explicar isto para elas e vê-las, após, em alguns casos saindo dizendo que não votam mais no vereador pelo não atendimento da demanda…

í‰ claro que existem vereadores e vereadores, mas esta qualidade só será melhor se o eleitor souber bem escolher seu candidato, souber o papel do vereador, saber que aquela pessoa é mais poderosa que ele perante a coisa publica, mas não é o prefeito, que por sua vez não é Deus nem pai de ninguém…

Tem vereador que marca consulta para seus eleitores. Errado! Tem vereador que paga conta de eleitor. Errado! Tem vereador que pede um aterro para um cabo eleitoral seu. Errado!

 Vereador é para RESOLVER o problema de saúde, RESOLVER o problema de falta de verbas para moradia, RESOLVER o problema do emprego e da renda na cidade. Leis especí­ficas, fomento polí­tico e empresarial e cobrança da prefeitura são suas armas. E recebe o salário (que aqui em Torres é baixo) em troca disto. Se vereador não faz o que deveria, o eleitor deve trocá-lo com seu voto. Mas trabalho escravo não é honesto para nenhuma profissão.

Portanto, acho que os vereadores, se quiserem irão í  maioria ser reeleitos. Pouca gente boa está se candidatando a se candidatar, gente boa que eu digo com conhecimento do sistema publico, que poderá ser eleito por causas saudáveis. E acho que sei a causa desta falta de gente qualificada para concorrer por vagas na vereança: é que a sociedade do qual fazem parte demoniza isto, e é muita exposição pessoal concorrer a uma vaga demonizada.  


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