OPINIíO – Não misturar alhos com bugalhos…

11 de novembro de 2013

 

Por Fausto Santos Junior

 

Um sonho que se torna pesadelo?

 

O vereador Ernando Elias trocou o PP (Partido Progressista) pela fundação de um novo partido em Torres, o PROS (Partido Republicano da Ordem Social). O vereador sequer citou algum diferencial competitivo de sua nova sigla em seu discurso; citou tão somente os GANHOS FISIOLí“GICOS que seu PROS iria ter na cidade e no governo. E de certa forma citou ganhos polí­ticos teóricos que a prefeita Ní­lvia iria ter com a união programática de seu governo com esta nova sigla.

Mas o sonho de Elias parece que se transformou em dura realidade. Ou seja: tudo ficou como era antes. A única diferença que existe para o vereador é que, antes, ele estava no PP, um partido grande e tradicional em Torres; e agora está no PROS, um ilustre desconhecido. Pode ser que a possibilidade de fazer o que quer dentro da sigla seja uma espécie de motivador do vereador Elias. Mas ter poder de açíµes em pequenos ambientes, sem, por outro lado, ter poder e inserção no ambiente maior, não adianta nada: Fica só na teoria, para não dizer no sonho.

Para os outros companheiros de Ernando Elias que adentraram nesta nova empreitada, um sonho FISIOLí“GICO pode estar se transformando em um pesadelo ideológico. Olho no lance!

 

Não misturar alhos com bugalhos…

 

Soube, nos corredores da polí­tica, que a prefeita Ní­lvia está esboçando uma Reforma Administrativa em seu governo. Saudável! í‰ que está previsto a diminuição de secretarias e de certa forma uma transformação administrativa mais voltada para a EFICIENCIA do que para a busca de louros pessoais e de empregos para pessoas partidárias.

Sugiro que se tenha em Torres duas grandes secretarias. Como se fossem uma espécie de secretarias ESPECIAIS. Uma, de DESENVOLVIMENTO ECONí”MICO, onde o assunto nos computadores e páginas do Facebook para os que la trabalham seja o crescimento do Turismo, da Indústria e do Comércio na cidade. Embaixo dela (Super Secretaria) poderia ter um departamento de OBRAS PROGRESSISTAS, que trate da parte turí­stica do espaço público da cidade, com benfeitorias novas e manutenção, pensando somente no Veranista e no Turista. E embaixo dela certamente ficariam as pastas atuais que poderiam ser chamadas de gerencias, de Turismo, Indústria, Comércio, Cultura, e a pasta de RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS.

A outra secretaria ESPECIAL seria de DESENVOLVIMENTO SOCIAL. O assunto nesta grande pasta de trabalho seria os MORADORES DE TORRES. Saúde, Educação, Ação Social, Meio Ambiente, Agricultura e desportos seriam GERENCIAS desta grande pasta. E embaixo dela deveria ter outra gerencia de obras. Mas de OBRAS DE BAIRROS DE MORADORES, com, também, benfeitorias novas e reformas, mas sobre o paradigma de área para viver os 360 dias do ano, trabalhando, estudando e se divertindo.

Vai ai a idéia, humildemente.  Mas o que tenho QUASE certeza é que quem pensa em progresso econí´mico não pode ser feliz sendo pressionado por demandas sociais de bem estar. Não que as pessoas não tenham preocupação para com isto, mas sim porque elas tem de estar arejadas para trabalhar com outro enfoque.

 E é assim com quem pensa em bem estar… Ele não pode ser feliz sendo pressionado por demandas desenvolvimentistas econí´micas e desenvolvimento de espaços para o turismo, para pessoas que vão usar a cidade para férias.

Desta forma, a prefeita Ní­lvia saberia muito bem onde estariam os alhos e onde estariam os bugalhos… í‰ isto!

 

Não misturar alhos com bugalhos 2

 

Até para a elaboração de prioridades para o orçamento público, este sistema orgânico dividido em grandes pastas: de DESENVOLVIMENTO ECONí”MICO e de DESENVOLVIMENTO SOCIAL, deixaria a coisa mais transparente para a população. Saber-se-ia muito bem se um plano de governo estaria priorizando a área produtiva (que dá crias financeiras para a cidade) ou a área social, que prioriza os moradores, mesmo correndo risco de matar a vaca leiteira (a que produz). Nos debates de palanque, o polí­tico teria que se definir se seu projeto é mais para um lado ou mais para o outro.

Polí­ticos socialistas radicais teriam de convencer seus eleitores que é melhor desenvolver menos os empregos e a renda para dar bem estar para eles. Ou seja. Seria melhor ficar sem emprego e com benefí­cios da prefeitura, do que com bons empregos e menos benefí­cios diretos.

E polí­ticos defensores da idéia que o crescimento econí´mico é mais importante que o crescimento do bem estar das pessoas, teriam que explicar para elas que não adianta ter uma bela casa dada pela prefeitura; uma boa rua com esgoto encanado e água corrente; um sistema de saúde prestativo que cure as doenças; e uma escola que atenda seus filhos, sem que o chefe ou os chefes, ou a tribo inteira dos lares não tenham bons empregos e possibilidades de ganhos profissionais no horizonte. Seriam bons os debates. Iguais aos dos EUA. E o eleitor saberia muito bem não misturar alhos com bugalhos. Votaria ou no alho ou no bugalho, embora sempre tenham os espertinhos, que dizem que dá para fazer tudo, mas que acabam ficando como o Pato: ele nada, caminha e voa; mas nada mal, caminha mal e voa mal…

 

 

PDT de Torres em apuros

O PDT de Torres parou as brigas de forma explí­cita, mas continua-nas de forma submersa, agora tipo guerra fria. E a prefeita Ní­lvia, que não tem nada a ver com o PDT, acaba tendo que arbitrar mais esta peleia para manter o voto de Dê Goulart na Câmara.

A expressão executiva do PDT no governo, a educada, ética e guerreira Karla Matos enfrenta um problema talvez causado pela falta de organização de seu PDT. Ela teve sua prestação de contas rejeitada pelo TRE e agora vai a julgamento nas turmas do tribunal.  Caso seja condenada, pode perder seu mandato de primeira suplente na Câmara e pode até perder o direito de exercer cargo público. E, finalmente, Karla pode ficar sem mandato e pode ainda ficar sem cargo público.

Pelo que se nota nos bastidores, a pedetista é mulher de confiança da prefeita Ní­lvia. E está fazendo um bom trabalho na Secretaria de Saúde, levando-se em conta que esta pasta exige alto grau de atenção e frieza administrativa, pois trabalha com orçamentos cruzados de várias esferas da administração pública, além de mexer com categorias consideradas da elite profissional: médicos, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas e enfermeiros, embora destas somente os médicos recebem remuneraçíµes altas e exijam condiçíµes de trabalho bem acima das outras.

E a ala adversária de Karla no seu PDT está torcendo para ver o circo pegar fogo. Planeja que as duas coisas aconteçam com sua adversária interna (Karla), tudo por conta da grande divisão que os pedetistas exercitam na polí­tica de Torres. Ou seja, o partido, que é, afinal, o culpado por não atender bem sua representante nas urnas campeã de votos na prestação de contas, torce para que o próprio partido seja punido, tudo para atender utopias de outros membros do partido, que desejam cargos na prefeitura e não conseguem.

Se eu fosse a prefeita Ní­lvia Pereira, desfazia esta coligação. O vereador Dê Goulart parece que tem afinidade com a prefeita. Não é por desobedecer a sigla que o vereador vai deixar de votar com Ní­lvia. A menos que ele esteja fazendo jogo de cena… Veremos e… Voltaremos!

 

PP: na berlinda ou colocando a prefeita na berlinda?

 

Na tarde desta quinta-feira (7/10) passada teve uma reunião entre o presidente do PP Rubens De Rose e a prefeita Ní­lvia. A pauta: o futuro da relação dos dois partidos: PP e PT, ou melhor, o futuro da relação PP e Governo.

Parece que o secretário de Turismo Ataualpa Lumertz já está fora da administração. Ele sairia após o Moto Beach, em meados deste mês. E parece também que a também indicada pelo PP e gerente de Turismo Vilma já teria até saí­do definitivamente da secretaria. Ou seja, haverá outro secretário de Turismo (o 3 º em 11 meses), que terá de enfrentar o verão de afogadilho, ou seja: nada de planos, só de ação repentista… E ainda sem a presença de Vilma, uma profissional qualificada, que foi supervisora da faculdade de Turismo da Ulbra, com alto grau de conhecimento e postura.

E tem a outra questão do PP. Ní­lvia quer que os vereadores Fábio da Rosa e Gisa Webber votem SEMPRE com ela. Mas Fábio e Gisa têm perfil polí­tico de votar com independência. Ou seja: Ní­lvia, para conseguir votos deles teria que conversar, ponto a ponto, sobre os projetos, além de, é claro, trocar alguns favores, como atender demandas dos polí­ticos para com seus eleitores em obras e açíµes administrativas.

E tem, ainda, a cobrança de açíµes institucionais exigidas por membros do PP que representam a elite do empresariado da cidade. Eles querem mais progresso, mais verbas para Turismo, mais açíµes desenvolvimentistas estruturais. E estes pepistas têm grande influencia no partido, embora tenham perdido na eleição interna para a ala do vice-prefeito Brocca. Mas isto foi antes de De Rose assumir a presidência…

Resumo da ópera: a coisa ta preta (no sentido de luz; não no sentido racista – que fique claro!). Parece que existe uma bomba preste a estourar na relação PP e PT, ou PP e Ní­lvia, como queiram… Como em qualquer estouro de bomba, os estragos são inevitáveis, mas os rescaldos do pós – evento podem ser positivos. Não se sabe se para o PP ou para Ní­lvia e seu governo. Não se sabe quem está na parede e quem está sendo emparedado. Veremos. Olho no lance!

 

 

 

 

 


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