OPINIíO – Paternalismo e violência urbana
26 de novembro de 2010
Pra mim esta guerra no Rio de Janeiro foi causada pelo excesso de paternalismo dos governos para com as invasíµes dos morros e a criação das Favelas por lá. Ao invés de colocar limites desde o início, ou agora, ainda, e desocupar os locais, os políticos de lá preferem tratar o assunto como um ninho de chupim. Largam seus ovos lá para que seus redutos eleitorais cresçam com promessas de melhorar as vidas, em um lugar que já nasceu torto.
Nada contra os que moram lá e são do bem, mas a favor dos que não moram e também o são. Somente acabando com os morros invadidos, aquela e outras cidades combaterão o crime organizado das gangues do tráfico.
Não adianta transformar os lugares em roteiros de Turismo ou criar políticas para pacificar. Enquanto um vendedor de contrabando continuar podendo vender seus produtos nos centros de cidades, famílias continuarem podendo invadir terra alheia pedindo que o governo lhes dê terra, etc., não cessará a violência. í‰ uma questão de didática: Como se pode pedir para que as pessoas respeitem a lei se propiciamos e até apoiamos que as mesmas a infrinjam como se nada tivesse acontecendo?
Que saiam, se quiserem
Partido é parte. í‰ parcela. Político vem do grego "polis". Partido político significa, etimologicamente, parcela de opinião pública que pensa da mesma maneira e quer chegar ao poder para aplicar seu programa na administração da "polis", ou seja, da União, dos Estados e dos municípios. Essa deve ser, também, a orientação política de qualquer partido nacional. í‰ isso que lhe dá seguidores. Serão os partidos políticos, no nosso país, guiados por essas concepçíµes? Falarei apenas do PMDB. Formou-se, o MDB, na ditadura.
Representava um conceito: oposição ao "status quo" governamental. Pregava a mais legítima democracia. Em conseqí¼ência, as mais amplas liberdades: de convicção, de expressão, de reunião, de manifestação, de imprensa, religiosa e política. E, também, a independência e a harmonia entre os Poderes. A ele se opunha, com posiçíµes, a Arena, que sustentava o Estado centralizador. Portanto, um Estado limitador de liberdades. Quem optava pelo MDB sabia a ideologia que amparava sua opção; de igual maneira os partidários da Arena. Eram parcelas definidas da opinião pública. Curiosamente, o período ditatorial ensejou tais definiçíµes programáticas, propiciando o aparecimento de partidos políticos na sua acepção real, verdadeira. Não eram siglas, mas partidos.
Quando se desenvolveu a pluralidade partidária, fragmentaram-se o MDB, já PMDB, e a Arena. Surgiram outras agremiaçíµes, extinguindo-se a Arena. O PMDB continuou. E deu-se um fato revelador da força dos partidos. Formaram-se e fortaleceram-se lideranças regionais. Em razão disso, o PMDB, embora legalmente na esfera nacional, adquiriu extraordinária vocação regional. A pretexto da democracia interna, o partido sempre foi (permita-me o termo) ˜leniente com lideranças que dissentiam da decisão nacional. Toma-se uma resolução em convenção nacional em que todos comparecem, a maioria opta por uma conduta e a minoria inconformada toma outro rumo.
Ou seja: verifica-se a negação da democracia, em que as pessoas disputam posiçíµes. Mas, vencidas, hão de seguir a maioria. O PMDB jamais tomou decisão de cúpula. Todas nasceram de convenção nacional com a representação dos Estados. E somente se imporá nacionalmente e na opinião pública se tiver unidade de ação, o que exige fidelidade, tal como a definiu o STF. Não faz sentido legal, ético e moral que o mandato obtido seja do partido e que este veja determinação nacional descumprida.
O que se viu como descumprimento da orientação nacional foi lamentável. Pode-se argumentar ser compreensível í vista de rivalidades locais. Mas a disputa local não autorizava a insurgência contra a decisão nacional. Especialmente no segundo turno, quando governadores, senadores e deputados estavam eleitos. Por isso, de duas, uma: se permitem partidos ou regionais, mediante modificação constitucional, ou nacionais, como são, e aí as decisíµes serão imperativas. O desatendimento a tal orientação deverá ensejar a expulsão do recalcitrante. Prego, portanto, a necessidade de, em convenção nacional, estabelecermos regras rigorosas. A partir de agora. Nada do passado. Para sermos fortes politicamente e críveis no presente e no futuro.
Quem não se conformar com as decisíµes tomadas em convenção poderá se desligar do partido, sem que este exija o mandato. í‰ melhor sermos menores numericamente, mas unidos na ação política, do que maiores sem unidade de comportamento. A isso tudo deve-se ligar forte base programática, que já expusemos na aliança que fizemos para a eleição presidencial. Só assim ganharemos densidade política e respeito popular.
Artigo publicado na Folha de São Paulo assinado por Michel Temer, presidente do
PMDB e vice- presidente eleito do Brasil.
Comentário: acho que o presidente do partido está certo em sugerir a saída dos insatisfeitos sem cobrar deles os mandatos, embora se eu fosse político exigiria isto assinado e reconhecido em cartório. O que não concordo é com o histórico narrado pelo líder partidário. Pelos menos aqui no RS, o pensamento é inverso do dele, imagino. Seria uma boa hora para o PMDB que seus bons políticos deixassem a sigla e entrassem em outras mais progressistas. Pois eu acho que o PMDB vai morrer abraçado na ganância do poder. Digo este de Temer…
Obras em Torres
Após várias inauguraçíµes sem cumprimento dos prazos, não é responsável se falar em novos prazos nas execuçíµes das obras previstas pela prefeitura na cidade. í‰ que, principalmente em ano eleitoral como os que estamos, dificilmente não ocorrem imprevistos. Mas, passando pela rótula da Ulbra, fiquei feliz em ver as obras andando novamente. Disseram-me que o que estaria ainda trancando sua finalização é a retirada ou desvios de fios de fibra óptica da OI, que estão embaixo da terra e em postes, e que não permitem que a empreitada vá adiante. Mas deve estar nos finalmente… e acho que o ano letivo de 2011 deve iniciar com a rótula funcionando e desafogando o tráfico por ali.
Máquinas também estão trabalhando na finalização e conserto de serviço mal feito no asfalto da José Bonifácio. Este deve terminar em breve.
Espero que a Rua Joaquim Porto, a Avenida do Riacho, parte da Avenida Barão do Rio branco e a Avenida Beira Mar sofram pelo menos algum reparo antes do veraneio, para não nos envergonharmos dos turistas que aqui chegarão a partir da metade de dezembro, que já se apresenta ali adiante.
Que venham os condomínios de luxo
Mais um condomínio horizontal (de casas) está sendo lançado aqui na cidade. Trata-se de mais uma forma de captarmos veranistas endinheirados para que passem o verão aqui, venham nos finais de semana e alguns até venham morar aqui na cidade, melhorando a quantidade e a qualidade de nossas divisas do turismo. Mas é bom também que continuemos a receber condí´minos verticais (edifícios). Estes, perto da praia, já são uma marca de Torres na cabeça dos futuros compradores.
Premio merecido
Zilca Jaques, dona do Pátio das Artes, aqui em Torres, recebe um premio de mérito cultural na noite deste domingo (28) na casa de Cultura, numa promoção da rádio Cultural. Trata-se de um prêmio mais que merecido. A empresária empreendeu de forma privada em um segmento que nem as políticas públicas dão a ele o que mereceria: a arte. Zilca inova em arriscar seu próprio capital para promover a arte quase sem cobrar, e quando cobrado, com preços quase que simbólicos. Parabéns í Zilca, o pátio merece esta honraria.


