OPINIíO – Pegou mal…

5 de abril de 2011

Duas caras

   

Quando o PT era oposição, bastava qualquer notí­cia que ele propunha uma CPI. Até os bastidores da compra da casa da ex-governadora Yeda Crusius foi tema suficiente para isto. E a fundamentação de deputados era que eles queriam saber como uma casa que valia R$ 1 milhão poderia ser vendida por R$ 700 mil, como se o mercado fosse tabelado como em Cuba.  

Agora que encontraram falcratuas diversas em plena administração petista, que acharam pessoas nomeadas pelo PT nos departamentos envolvidos, o Partido e os aliados não querem a CPI. Dizem o mesmo que o governo Yeda dizia em várias tentativas de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito. O tema já está sendo investigado pela polí­cia e pelo MP.  

Ora, por que, então, não haver uma CPI ? A seguir deverá ter também um pedido de Impeachment do governo Tarso, e a votação só não passará por conta da minoria na casa. Este foi o rito do PT na oposição. E agora? Mudou o rito?  

   

Pegou mal

   

Estive na segunda-feira em Osório para cobrir o encontro Debates do Rio Grande, promovido pelo Grupo RBS, que se propíµe a colocar em discussão, disponibilizando todos os meios de comunicação do grupo, os rumos para o progresso das regiíµes do RS. Desta vez foi a região do Litoral que foi debatida.  

Lá estavam presentes representantes de todas as cidades da região litorânea, menos de Torres e Capão da Canoa. Da região do pé da serra não compareceu ninguém.    

Lá estavam também representantes da iniciativa Privada.   A Agência de Desenvolvimento do Litoral inclusive foi uma das cadeiras debatedoras e a Agência de desenvolvimento de Torres sequer apareceu. O evento teve uma boa dinâmica e todos os prefeitos presentes foram chamados a dar suas opiniíµes.  

Acho que ficou ruim para Torres. Trata-se de uma forma de utilizar canhíµes de mí­dia para colocar a opinião pública a par das mazelas da região e das necessidades regionais. Se a cidade não comparece, parece que está tudo bem, que não precisa de nada, que concorda com tudo. E sabemos que não é esta a realidade dos municí­pios, todos, inclusive os que lá não compareceram. Seria lá que a falta de uma boa distribuição de verbas publicas do Estado e da União poderiam entrar em pauta. Seria lá que a falta de recursos para o Turismo no orçamento do Estado poderia ser questionada,  ou até denunciada para alguns que nem sabem disto. Ficou ruim.

 

   

Foco inteligente

   

 Ficou definido quase que por consenso no encontro da RBS em Osório, que o Turismo com sustentabilidade ambiental deve ser a plataforma que ditará os rumos de todas as outras estratégias de desenvolvimento do Litoral Norte.   Isto não quer dizer que se trata de transformar a região em um parque de preservação, nada disto. Mas indica que as águas, o solo, o ar e as belezas naturais devem ser preservados. E quanto ao Turismo, também não se trata de decidir que não se pode ter aqui agricultura forte, construção civil forte, ou até outra indústria não poluente  mas se trata de definir que ,efetivamente, a região possui uma identidade clara com este item produtivo: o turismo.

   

Governança?

   

Outra questão que ficou como quase um consenso entre os presentes no encontro da RBS em Osório foi a falta de uma liderança com poderes para programar na região o que é a prioridade pública. O prefeito de Osório Romildo Bolzan interferiu no grupo para lembrar que vários outros projetos de planejamento já foram realizados no Litoral Norte,  e que todos, sem exceção, ficaram no sonho. Ele disse inclusive que aquelas decisíµes que estavam sendo elencadas já haviam sido definidas em outros trabalhos de planejamento anteriores, o que indica que não é novidade o diagnóstico.  

Mas ai surgiu a ideia da governança para o Litoral Norte, que faria o papel de fomentador e gestor das açíµes regionais. Mas quem irá ser o governador regional? Será que tem clima para colocar lá alguém isento, que simplesmente queira implantar no litoral polí­ticas públicas que são elementares por aqui?

 

   

Governança II

   

Outro item que ficou bem claro em todos os diagnósticos apresentados foi a diferença entre a situação social e econí´mica da região. Nos indicadores sociais, o Litoral Norte está acima da média do RS, em alguns itens com diferenças grandes. Mas na questão dos indicadores econí´micos,  a região possui í­ndices pí­fios. Participa com somente 1,5% do PIB do Estado e estampa uma renda per capita baixa, abaixo do RS, com apenas R$ 800/mês.  

Isto deixa claro que as prioridades da região são em infraestrutura para fomentar seu crescimento. íˆ daí­ que sairá o aumento da renda média. E se a região encontra no Turismo seu maior diferencial, nada mais coerente que crescer baseada no aumento do turismo e correlatos. E para melhorar o Turismo por aqui, precisamos de ruas asfaltadas, esgoto tratado, estradas duplicadas, ligação com o pé da serra para integrar os Cânions ao Litoral e muita, mas muita comunicação… Comunicação nas estradas, nas ruas urbanas e nas estradas. A construção da continuação da Avenida Paraguaçu, até Torres, na Itapeva, é um bom começo…

E a governança deverá ter a firmeza de convencer todas as municipalidades sobre isto. Não adianta colocar uma governança para pegar mais nacos de todos os orçamentos públicos da Saúde, Educação, Segurança e Infraestrutura. Cabe í  governança priorizar o prioritário.

   

Ficha Limpa

   

Sou totalmente í  favor do projeto ficha limpa aprovado na Câmara Municipal de Torres nesta última segunda-feira (26). Mesmo que haja injustiças em alguns casos, é coerente que as pessoas que são contratadas com o dinheiro do povo tenham suas fichas limpas na justiça.  

Sugiro que as contrataçíµes dêem também o devido valor ao diploma Superior. Não é justo que alguém estude um ofí­cio, se forme,  e após perca uma contratação para quem apenas possui primeiro grau, ou segundo grau. Isto poderia ser mais um projeto de lei.

Sou contra o cooperativismo para cargos da iniciativa privada, mas na atividade pública deve-se dar o exemplo. Se não, por que iremos sugerir que o brasileiro estude em curso superior?

   

Bela idéia

   

O vereador Rogerinho (PP) deu publicamente uma bela Idéia. Digo publicamente porque ele sugeriu seu pleito na Tribuna da Câmara, pleito este de idéia que já havia corrido por aí­, mas a questão quando colocada por autoridades tem mais peso.

Ele disse que irá entrar com um projeto de lei de indicação para que a prefeitura obrigue que os donos de imóveis na Avenida Castelo Brancos construam suas calçadas, como manda a Lei…

   Rogério deixou claro que irá se incomodar com alguns muní­cipes, mas sua preocupação é que os pedestres possam caminhar em paz quando percorrem a avenida, do trabalho para casa ou de casa para o trabalho. Parabéns ao vereador. Trata-se de uma solução paliativa, mas que terá um impacto grande, antes que seja reconstruí­da a avenida, que nasceu como estrada, mas hoje é rua.        


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados