OPINIíO – Realidade brasileira

16 de julho de 2010

 

Uma famí­lia pobre, sem instrução pública nenhuma, começa a ter filhos por conta da cultura que não conta com métodos anticonceptivos, ajudada pela liberdade sexual, saudavelmente já parte da cultura de todo o paí­s, manqueteada pela TV, em todos os canais, públicos e privados, sem limites… O problema financeiro começa a aparecer, pois são pessoas a mais para comer, vestir, dormir, brincar. Aí­ aparecem os Planos Governamentais, que pagam para que aqueles menores estudem, dando uma cota financeira por filho e, em alguns casos, ajuda financeira para a famí­lia como um todo, como se fosse um prêmio… O pai, tradicional provedor dos lares, se sente rebaixado por ter de receber dinheiro público para prover seus filhos, diferente do sonho que tinha, de conseguir colocar comida na mesa com seu próprio suor.     Os filhos mais empreendedores não se contentam em somente estudar, e ir para casa. Querem comprar coisas, uniformes de futebol, tênis da moda, vestidos e roupas de moda para as meninas… A mãe, vendo a situação, resolve trabalhar para melhorar as finanças da casa. Ao ir trabalhar, a casa acaba ficando sem ninguém para cuidar dos filhos. Os maiores vão í  escola (ou matam aula); os menores são largados em creches (outro programa público). E í  noite, como deve funcionar esta casa?  

Em princí­pio o pai se sente culpado e passa no barzinho antes de voltar do trabalho para tomar uma pinga. Muitos se passam, e chegam em casa já bêbados. A mãe chega em casa cansada e ainda sente o dever de cozinhar para toda a famí­lia, além de lavar as roupas dos moradores da casa, pai, filhos e dela mesma. Isto a deixa naturalmente estressada, pois passou o dia trabalhando, tem horário no dia seguinte, e ainda tem que trabalhar para alimentar, organizar e limpar a casa, os filhos e as roupas. Fica dividida, se culpa por não estar descansada para o emprego, e se culpa por não atender melhor seus filhos…  

Geralmente neste contexto, onde o pai se sente culpado e a mãe culpada e estressada, a violência do casal está perigosamente rondando os limites de tolerância daquela famí­lia. Os filhos, por não terem muitos limites por conta justamente da ausência de pai e da mãe em sua educação diária, e não terem limites dados pela escola, pois a lei não permite professores rí­gidos, acabam não tendo limites também para entenderem o porquê que seu pai está bêbado e se sentindo culpado e sua mãe está estressada e também se sentindo culpada, geralmente brigando ente si, para tentarem achar um culpado para amenizar a angústia interna.   Então eles (filhos) assistem a um ambiente violento, ficam também violentos pela falta de limites, e a briga caseira está deflagrada. Crianças pequenas choram de birra e pedem atenção; adolescentes enfrentam pais dizendo que vão sair í  noite porque não agí¼entam aquele ambiente, e o dia termina e inicia outro no dia seguinte, repetindo toda esta rotina.

 

   

Realidade braseira 2

   

Crianças e adolescentes soltos estão a um passo das drogas, principalmente em vilas mais pobres, onde o tráfico se estabelece. As meninas recebem propostas de prostituição, quando pra ela dinheiro em troca de sexo í s vezes é uma forma de comprar í quelas coisinhas que a renda familiar não permite. Os adolescentes homens (em geral) vêem no pequeno tráfico de drogas um caminho rápido para proverem suas vontades de consumo pessoal. E podem ainda proverem seus ví­cios, caso já sejam consumidores de entorpecentes. O pai, ao se defrontar com desvios de seus filhos, se culpa mais ainda, pois as opçíµes parecem, de forma superficialmente analisadas, causas da falta de dinheiro de seu provimento daquele lar… A mãe, vendo a pureza de seus filhos sendo suja por envolvimentos com coisas e pessoas erradas, se culpa mais ainda também. E o resultado é mais violência doméstica, o que forma um ciclo vicioso com difí­cil solução, muitas vezes resolvido pelo destino, ruim quando se pára na cadeia ou se morre, e bom quando, por sorte, os adolescentes passam por aquilo sem deixarem vestí­gios maiores, embora levem em suas consciências aquele passado de maus envolvimentos e atos.  

Mas quando um destes filhos se envolve em uma irregularidade da lei, a lei trata de defendê-los, pois são ví­timas de uma famí­lia desagregada. Mas a mesma lei também não culpa pai e mãe pelos maus caminhos escolhidos pelos filhos.   Embora com base de lei os pais sejam responsáveis pelos atos dos filhos, nada acontece com eles (pais), nem um puxão de orelhas da lei. A sociedade diz que eles são ví­timas do sistema, que não têm culpa por não terem tempo de cuidar e educar seus filhos, por conta da necessidade de trabalhar, o casal, para proverem a famí­lia.   O Estado assume, então, a responsabilidade por estes adolescentes infratores, embora já tenha dado aos pais dinheiro mensal para que eles estudarem, dinheiro mensal para ajudar nas despesas domesticas, e creche gratuita para os menores da famí­lia.

   

Realidade brasileira 3

   

Neste momento a auto-estima desta famí­lia já está embaixo da sola do sapato. O pai se sente incompetente de prover sua famí­lia e vê seus filhos se venderem nas ruas para terem poucas coisas, o que ele se acha na obrigação de ter conseguido proporcionar para eles.   A mãe vê seus anjinhos que saí­ram de seu ventre se transformarem em pessoas desencaminhadas, sem caráter, diferente do que tudo que uma mãe sonha para um filho, no fundo do coração. E a pergunta que se faz: o que o Estado fez por esta famí­lia? Adianta ele (Estado) colocar culpa na própria sociedade em que dirige pelas mazelas das famí­lias brasileiras? O que ele, Estado, efetivamente está fazendo para minimizar as causas destes males que destroem almas aos borbotíµes? Será que aumentando os valores do programa Bolsa Famí­lia resolve? Acho que não, pois a receita já mostra que não deu certo, somente posterga o problema e cria custos para o Estado. Será que dando de presente uma casa para esta famí­lia morar resolve? Acho que não, pois a dignidade de pai que sofre por não prover e de mãe que sofre por não cuidar dos filhos não se compra na farmácia, nem com uma casa nova. Ela servirá somente para alimentar financeiramente um processo doentio, como dar comida para um parasita em um corpo.

   

Realidade brasileira 4

   

E esta história se repete com quase metade das famí­lias brasileiras. O IPEA (instituto de Pesquisas Aplicadas) divulgou um balanço da situação social do Brasil, onde ele afirma que aqui no RS a pobreza absoluta irá terminar no ano de 2016. Chega a ser piada. Só se for com o dinheiro do governo, pois a empregabilidade e o ní­vel de renda de empregos formais no Brasil e no RS estão longe de chegarem a este patamar. E se são sustentados pelo governo, deverão ser sustentados pelo governo o resto da vida, pois somos o que aprendemos.   Seus filhos? Crescem sob o estigma de serem filhos do Estado e não terem necessidade de se auto-sustentarem, qual seja, estão condenados í  indignidade.

 

   

Realidade brasileira 5

   

São estes temas, dentro destas realidades, que os candidatos que votaremos em outubro devem se pronunciar. Nós, simples viventes, e portadores de uma cultura um pouco melhor que a cultura de mais de 80% da população brasileira temos a obrigação de termos nossas posiçíµes e escolhermos candidatos que trilhem caminhos parecidos com nossa crença. E crer em uma forma diferente de gestionar o futuro da pobreza, não sendo pobre, não é uma ironia. í‰, sim, a verdadeira ideologia… Estamos tratando do futuro das famí­lias pobres brasileiras, que serão as pessoas que daqui a alguns anos estarão, muitas delas, nas rodas de decisíµes estratégicas no paí­s, como lí­der, como empresário, como trabalhador empregado, como funcionário público. E o legado obtido por ele e a didática para ensinar a ser cidadão será a mesma dada a eles por nós, hoje.

   

Realidade brasileira “ final

   

A escolha nestes casos é simples. Acreditamos que famí­lias pobres devem ser incentivadas a terem filhos e sustentadas pelo governo caso não vinguem? Esta é uma forma didática de se ensinar a ser cidadão?  

Ou acreditamos que as famí­lias pobres do Brasil devem ser instruí­das a terem somente os filhos que sua realidade pela frente os possibilitará de sustentar, dando para as famí­lias somente Educação (com E maiúsculo), Saúde (com S maiúsculo), Segurança (com S maiúsculo), Infraestrutura de transporte e nos bairros para morar (com I maiúsculo) e, acima de tudo, vagas de empregos formais com salários civilizados, que dêem condiçíµes de um pai de famí­lia prover sua casa? Os candidatos estão aí­, e nossas consciências estão aí­ para decidirem o que é melhor para o nosso paí­s, e não para nós… Isto é ser altruí­sta!

   

Peixe comprado na peixaria?

   Tem aquela máxima da cidadania que diz que Deve-se dar a vara de pescar ao necessitado, ao invés de dar o peixe. Isto, filosoficamente, mostra didática de cidadania. Mas tem gente que insiste em dar a vara de pescar para que o pobre consiga pescar o seu peixe, portanto, sustentar sua famí­lia com seu trabalho, mas não se dão conta que, para pescar, não é necessário somente a vara de pescar e a isca: Tem que ter peixe. O peixe é o emprego, não? E existe muita gente que insiste em investir em varas de pescar e iscas sem se dar conta que o rio de sua comunidade está sem peixe. E o "peixe que ele acaba dando para seus cidadãos acaba sendo como os peixes comprados em peixarias pelos pescadores que se dão mal nas pescarias, mas seu orgulho não deixa assumir que não pescou… í‰ par pensar…


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados