OPINIíO – Réveillon: fechar para o almoço?

5 de janeiro de 2013

 Por Fausto Santos Jr

 

Algumas pessoas reclamam do réveillon de Torres. Umas arriscam em dizer que tal show seria melhor que outro tal. Com razão, mas gosto é gosto e realidade financeira é outra… Mas outros reclamam o contrário. Dizem que a cidade enche demais e que o pessoal que vem para cá só faz sujeira; reclamam que as ruas ficam um caos, e etc., etc. e etc… Mas como se faria, então, pergunto eu?

O ano novo na beira da praia é o sonho de consumo de qualquer vivente que habita cidades sem mar. Isto já é motivo para explicar o porquê do aumento anual da presença de pessoas em Torres e em outros vários destinos turí­sticos tradicionais, muitos em Santa Catarina. Mas existe outro fator: a classe média recebeu uma nova camada de pessoas incluí­das no consumo. Graças a Deus. Somos um paí­s em desenvolvimento e isto deve ser comemorado. E estas pessoas querem ,também, com toda a razão, realizar sonhos antigos de passar o réveillon na praia.

E negar isto para Torres em nome do acúmulo de pessoas na cidade é o mesmo que um dono de restaurante fechar seu estabelecimento ao meio dia para poder almoçar em paz… Nem em Portugal acontece isto.

Vivemos em uma cidade onde a economia depende do movimento do turismo no veraneio. Pedir para diminuir o movimento se trata, portanto, de sugerir que diminuamos nossa produção, como se pudéssemos isto, o que não podemos pois produzimos um pibinho per capta ainda. Agora, sugerir que tenhamos uma estratégia de marketing de turismo para tentar qualificar mais nosso público, talvez diminuindo a quantidade em nome do maior poder aquisitivo, sim, se trata de uma demanda coerente e digna de ser militada por alguns, mesmo que outros não concordem… Mas digna e válida.

 

 

Perdas talvez vitais para o turismo local

 

Está faltando banheiros quí­micos para atender os banhistas e alguns turistas especí­ficos que passeiam em lugares tradicionais da cidade como a Guarita, dentre outros. Acontece que o PT ficou toda a campanha pedindo para seus militantes questionarem o contrato de aluguel dos banheiros quí­micos feitos pela prefeitura anterior. E os contratos venceram em  outubro e não foram renovados, é claro. Eu faria o mesmo. Além de não me expor, os alugueis devem ser feitos até o final do veraneio e a nova prefeita que pagaria a parte do ano de 2013. Como alguém acha que um prefeito que está sendo escorraçado vai mexer em abelheiro, sabendo que não será mais dele a tarefa de oferecer alternativas sanitárias para o turista?

Além disto, muitos que criticavam os banheiros diziam que o certo é construir banheiros fixos, o que é questionável, mas agora os mesmos estão no poder e devem se posicionar.

A prefeita Ní­lvia afirmou publicamente que a Corsan iria colocar banheiros quí­micos como patrocinadora aqui no verão de Torres. Esperamos que isto aconteça em breve. Se não, não sei o que será de nossos veranistas. Eles estão indignados, com razão, até porque muitos se acostumaram a ter o equipamento (quí­mico) durante anos.

Outra questão que está esbarrando na burocracia é o projeto Torres na Cena. Já houve quatro ediçíµes do programa, que propicia que pessoas em geral assistam peças teatrais por R$ 25. Peças de primeiro ní­vel, que ficam em cartaz nos teatros de Porto Alegre durante a estação alta do teatro por lá. Sei que um novo governo deve ter responsabilidade de avaliar bem os contratos de apoios. Sei também que um governo não tem tempo de licitar muitas coisas. Parece que a sonorização e a iluminação do Centro Municipal de Cultura precisam ser novamente licitadas. Tudo é compreensí­vel e a sociedade deve entender…

 Mas este projeto é MUITO bom. Trata-se de uma bela engenharia de contatos que propicia, afinal, que turistas, veranistas e até torrenses possam ver bons espetáculos durante o perí­odo de verão. Seria ruim se a cidade perdesse o Torres na Cena para outras localidades. Perderí­amos duplamente. Perdemos e damos de mão beijada aos concorrentes.

 

 

Muita gente em um mesmo lugar

 

Existe uma concentração de quiosques no calçadão acima do razoável. Ainda mais quando se vê que no resto do calçadão não existe nenhum outro equipamento, de forma nenhuma, que serve o turista/veranista que quer tomar uma água enquanto passeia com a famí­lia no local. Do Dobercão até o Buldog não há opção: morre-se de sede ou se pega um taxi.

Mas sabe-se, também, que o acúmulo foi um processo que foi criado ao longo de 30 anos. Pequenos vendedores fixos í  época de milho verde ou de cachorro quente,  se tornaram donos de quiosques de vários tamanhos e formatos. Isto é direito adquirido e o erro foi dos prefeitos dos anos em que foram dadas as licenças de funcionamento. Até o ano de 2000. De lá para cá não houve novas entradas no Calçadão de operaçíµes licenciadas. Portanto, acho que é um exagero que temos de conviver.  

Mas o que eu trago í  apreciação do leitor após constatar o descrito acima, é a escolha do SESC de editar seus projetos de beira de praia no meio de tudo isto. Assim como questiono o lugar da Arena no campeonato de futebol de areia que acontece no veraneio. Ora, se ali já há um acúmulo de operaçíµes de gastronomia, não é inteligente que se INCLUA mais coisa nesta confusão. Ainda mais atividades ligadas ao esporte. Sabe-se que não é nada saudável misturar cerveja em excesso, capetas e outras coisitas mais com pessoas fazendo atividades fí­sicas… Não combina. O que se vê passando por ali é um bando de pessoas passada no álcool olhando para as belas pernas das professoras de Educação Fí­sica do SESC e das alunas, algumas também com belas pernas. Não é um abiente que dê boas energias, não acham?

Sugiro, portanto, que o projeto do SESC se desloque para outra área da Praia Grande. Com certeza ficaria melhor para os três lados. Para os quiosqueiros, para o SESC e seu público e, principalmente, para simples viventes que vão í  praia e têm que conviver com acúmulos em áreas já acumuladas. Para pensar.

 

Ambulantes

 

O novo secretário de tributação e Fiscalização de Torres, Cezar Grazziotin,  me liga informando que a prefeitura será implacável com os vendedores irregulares que circulam nas praias e em praças da cidade. Haverá uma contratação de mais oito fiscais para reforçar a equipe atual e, diz o secretário que, tão breve o projeto de lei que autoriza as contrataçíµes for aprovado na Câmara Municipal, as novas contrataçíµes irão í  rua. Mas o controle será implacável. Parabéns ao secretário.

 

 

 

 


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