OPINIíO – Tragédia vai gerar novo modelo da Segurança?

2 de fevereiro de 2013

 

Foram quase 250 jovens que morreram pela falta de gestão de segurança pública na tragédia de Santa Maria. Não foi um cliente em uma loja pequena que teve de correr após um curto circuito. Não foi um servidor público que pegou uma virose porque existem fungos nas paredes do prédio. Não foi um lojista que perdeu seu estoque em um incêndio. Foram 250 pessoas, todos jovens, com a vida inteira pela frente, que foram se divertir em uma "balada" e morreram por inalar um gás mortal..

Seus familiares temiam muita coisa naquela noite sinistra de Santa Maria. Temiam que seus filhos fossem assaltados, na rua ou na boate (caso corriqueiro atualmente); Temiam que seus filhos pegassem uma carona com o motorista bêbado e se acidentassem – ou até os que têm carro, que bebessem e causassem o acidente – ou que fossem pegos em blitz da Balada Segura, perdessem suas carteiras e fossem multados por beberem e dirigir; Temiam que seus filhos se metessem em brigas (também usual hoje); enfim: temiam tudo, menos perder seus filhos ou parentes asfixiados pela fumaça de um incêndio, que aconteceu dentro de uma casa noturna.

Um novo modelo de segurança pública QUE PRIORIZE O PRIORITíRIO, e fiscalize com mais força os locais que oferecem mais perigo para as vidas dos cidadãos, urge no Brasil, no RS, em Santa Maria e em todas as cidades gaúchas e brasileiras. Não adianta empurrar a culpa para o outro: deve-se assumir mais responsabilidade e mais eficácia nas escolhas das prioridades a serem fiscalizadas. Chega de sermos multados por falta de Cinto de Segurança (onde somos obrigados a nos proteger) e não estarmos seguros para freqí¼entar locais onde mil pessoas se agrupam para se divertir em um ambiente fechado.  Trabalho para os polí­ticos, os legisladores, todos responsáveis por esta tragédia.

 

Ridí­culo!

 

Ainda sobre o advento triste em Santa Maria, cabe pegar um fato e colocar ele na vitrine, desnudo, í  vista para todos passarem e olharem. í‰ o seguinte:

Como é permitido, seja lá por quem for que uma pessoa possa utilizar fogos de artifí­cio dentro de um ambiente fechado? Pior ainda. Como é permitido, seja lá por quem for, que uma pessoa possa utilizar fogos de artifí­cio dentro de um ambiente fechado, que possui teto de material altamente inflamável?   Para encerrar o assunto. Como é permitido, seja lá por quem for, que uma pessoa possa utilizar fogos de artifí­cio dentro de um ambiente fechado, que possui teto de material altamente inflamável, e que não tenha sequer sido treinado para soltar foguete em terreno baldio, como se supíµe que seja o caso do músico da banda que tocava na boate na hora do iní­cio do incêndio? Nada a afirmar? Ou o senhor ou a senhora aí­ da poltrona teriam alguma resposta para estas indagaçíµes?

Disseram na cobertura da TV alguns especialistas em fogos de artifí­cio (certamente que sobrevivem deste mercado do barulho e do exibicionismo), que existe, sim, possibilidade de que uma pessoa possa utilizar fogos de artifí­cio dentro de um ambiente fechado, que possui teto de material altamente inflamável. Mas dizem que devem ser cumpridas as regras de segurança técnica disponí­veis. Ora bolas; é claro que tudo é possí­vel… Até ir a Marte é possí­vel hoje em dia… Mas sugerir que isto possa ser permitido é o mesmo que dar um bisturi para uma sala de aula de filosofia, e liberar que os alunos façam uma cirurgia em um paciente, desde que obedeçam as regras da medicina para aqueles casos… í‰ ridí­culo que a sociedade e as autoridades possam ter caí­do nesta pegadinha, mas caí­ram.

 

Sobrou pro músico…

 

í‰ claro que, se for provado que o músico acionou um fogo de artifí­cio e não se deu conta que queimaria a casa inteira com isto, na tragédia de Santa Maria, ele será condenado. Mas temos de pensar… Será que quem permitiu isto não á mais responsável pela morte dos jovens na Boate Kiss? Acho que é… ou são…

 Não sei como funciona isto no direito penal. Mas, quando, por exemplo, uma criança de oito anos dispara uma arma e mata alguém por descuido, ele matou… Mesmo sendo menor de idade, uma criança, ela matou…  Pra mim, esta criança hipotética estava com um brinquedo na mão (menos os menores recrutados pelo crime nos morros. Estes sabem bem o que mata).

 No caso do músico que ateou fogo na boate de Santa Maria é a mesma coisa. Uma pessoa, provavelmente sem preparo sequer para cuidar de um carro em um estacionamento para não ser roubado, pois é um músico, um artista, provavelmente alienado como a maioria deles (felizmente, eles cuidam de nossa diversão), recebeu autonomia para soltar o tipo de fogo de artifí­cio que quisesse dentro de uma boate com teto de isopor.   Pra mim é irresponsabilidade do dono da Kiss, e irresponsabilidade da lei, feita pelos polí­ticos. Responsabilidade do poder legislativo do Estado e de Santa Maria, executadas (ou não? @3) também pelos polí­ticos, agora do Poder Executivo.

O músico que deverá ser acusado de matar (com razão) é como uma criança ingênua acusada de matar com a arma do pai solta na mesa de casa. Quem é o culpado, ou os culpados?

 

Toma – lá, dá-cá…

 

E a questão do toma – lá “ dá – cá corre solta em todos os casos de reação da polí­tica e das leis com os simples viventes civis e empresários. Por exemplo: Os bombeiros, que pertencem ao Estado do RS, em muitas cidades gaúchas recebem favor da comunidade que, através de leis aprovadas pelas Câmaras, fornecem ajuda financeira í s corporaçíµes do interior. Não sei por que isto…

Sei que os bombeiros estão sempre no limbo das verbas públicas destinadas pelo governo do Estado… Sei que a ação dos bombeiros é nas cidades, e elas (cidades) e suas comunidades que usufruem dos benefí­cios dos serviços. Mas, então, que municipalize o corpo de Bombeiros, a Polí­cia Militar, a Polí­cia Civil, as Escolas públicas de segundo grau, por exemplo. Mas não é o que está compactuado… Ou é e eu e a   população gaúcha que não sabemos?

Aí­, começam os favores. A cidade delega para os bombeiros as licenças de incêndio. Estes (bombeiros) inclusive cobram pela taxa de licenciamento inicial. Mas as corporaçíµes continuam soltas no interior. Provavelmente os bombeiros utilizam as verbas municipais para pagar contas ordinárias e de expediente, ao invés de se modernizarem.

Aqui em Torres a questão é debatida ano após ano na Câmara. Mas a sociedade acaba sucumbindo em pena da corporação e renovando contratos de repasses í  instituição, que é do Governo do Estado. Repassa também para a Polí­cia Civil, para a Polí­cia militar… Mas tudo com requintes de esmolas, sem contrato de deveres e direitos descritos.

 E aí­ o toma- lá- dá-cá corre solto… Os bombeiros brincam de olho branco com as autoridades municipais. Não pressionam porque, afinal recebem. Não é uma acusação formal, é uma dedução, mas bastante fundamentada. Não acham?

 

 

 

 

 

 

 

 


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