Mais uma vez a cidade de Torres vai ter de engolir a seco fato. í‰ que a votação do projeto mais importante de um governo será realizada em sessão extraordinária, sem sequer aviso com antecedência formal.
Estou escrevendo esta coluna na quinta-feira (28/11), í s 15 horas, e sei que na sexta-feira (29/11), í s 2 horas terá uma sessão extraordinária na Câmara Municipal para votar a nova estrutura
orgânica da prefeitura de Torres, que aumenta consideravelmente todo o quadro de pessoal, cria cargos e cria outras coisas a mais. E no site da Câmara Municipal não está nenhuma chamada para esta sessão, que se pode considerar quase secreta.
Na sessão ordinária de segunda-feira, o presidente da casa, vereador Machado (PT), sequer mencionou esta possibilidade (a de uma sessão extra para votar o projeto mais importante deste governo). Triste isto… E não é de agora…
No governo João Alberto aconteceu a mesma coisa para votar o projeto de nova estrutura orgânica daquele governo, em 2005, e tudo aconteceu em sessão extraordinária, quando seria saudável que acontecesse em sessão ordinária, com a possibilidade de a sociedade ao menos assistir o posicionamento de seus vereadores perante o processo. E agora tudo se repete… Triste… Ta tudo dominado… como sempre esteve!
Quem está lendo este jornal na sexta-feira (porque ele já está circulando, mesmo com data de sábado), e olhar no relógio e ver que ainda não são duas horas da tarde, pode assistir a votação do projeto quase que secreto na Câmara e, assim, ver a postura dos vereadores em que votaram na eleição do ano passado. E, se quiser, tomar suas avaliaçíµes pessoais as participaçíµes de vereadores, para votar de novo neles em 2016, ou para escolher outro…
O porquê? Eu não consigo entender…mesmo!
Por que não apresentar um projeto como este, que muda os instrumentos orgânicos de uma administração em evento aberto, com discursos, com defesas, com idealismo? Por que a prefeita Nílvia não apresentou a idéia pelo menos em participação na tribuna da Câmara Municipal, quando da entrada do PL, há mais ou menos 12 dias? Não consigo entender e os meus argumentos são fortes, se não vejamos:
1. O governo de Torres atual foi eleito com 70% dos votos válidos da cidade.
2. Reunia, quando eleito, três partidos fortes de Torres: PP, PT e PDT, e agora já levou mais o PTB e o PC do B para seu lado.
3. Prometeu em campanha e em plano de governo, que aumentaria, sim, muitas secretarias, que governaria com um governo cheio de gente e pastas, e que pintaria a cidade de cor de rosa de tão bonitas e amorosas eram as promessas.
4. Portanto, o PL de realinhamento orgânico nada mais é do que fazer aquilo que prometeu lá na campanha, no ano passado.
Por que, então, esconder, fugir do debate, votar o processo em sessão extraordinária e se sentir obrigado a oferecer cargos e posiçíµes políticas para obter a aprovação da Câmara? E por que não chamar a população para apoiar o formato, já que é a mesma população que votou com 70% de consentimento este governo, aprovando-o e dando carta branca para que se instrumentalizasse para trabalhar?
Somente uma explicação existe para esta incoerência. Parece que é mais fácil conseguir as coisas na base da troca de favores do que no enfretamento do problema. Esta postura não é de agora, aconteceu igual no governo João Alberto, em 2005.
Mas aquele governo se elegeu com 40% dos votos; este, o de Nílvia, se elegeu com 70% de apoio, 2/3 dos torrenses. Não dá para entender, resta-nos… DECORAR!
Vários ossos…
E são vários ossos que estão em jogo na votação deste projeto Top Secret. Ossos para os vereadores… e amigos… A presidência da Câmara para 2014 é um deles, um osso cheio de tutano.
Sabe-se que, dependendo do resultado da votação no projeto da estrutura orgânica na sexta (29), tanto da oposição (o PMDB “ porque os outros partidos todos são situação), quanto do PP, estará definida a presidência da Câmara Municipal para o ano que vem. São especulaçíµes, mas a bola de cristal desta coluna oferece um bom percentual de chance de acerto…
Se TODO o PMDB votar a favor do projeto de reformulação organizacional, está quase certo que o vereador Gimi (PMDB) será o presidente da casa no ano que vem. Mas se o vereador Fábio da Rosa (PP) votar a favor do projeto e SOMENTE UM vereador do PMDB votar contra, é provável que o novo presidente seja o vereador Fábio. Tudo dominado?
Vários ossos 2
São especulaçíµes bastante importantes, com chances de dar certo. O que ainda não sei é o que acontecerá se, por uma eventualidade, todo o PMDB e, também, o vereador Fábio votarem a favor do projeto de reformulação orgânica da prefeitura. Aí eu acho que vai dar disputa séria na segunda-feira (2 de dezembro)… E a votação para presidente da casa vai acabar sendo de coração, ou seja: os dois candidatos terão chapas separadas e o voto irá decidir quem será o presidente. E pode, aí, surgir outra chapa e atropelar tudo na reta final, como tordilho louco.
Vários ossos 3
í‰ que as duas promessas de votação do projeto teriam sido cumpridas. E a cobrança da contrapartida da promessa só pode cumprir uma das promessas: trata-se de uma questão de aritmética, pois são DUAS promessas de presidência da Câmara para UMA vaga de presidência da Câmara. E a desculpa dos (e para) os políticos que montaram esta verdadeira estratégia política fisiologista deverá ser o compromisso de dar para o perdedor a presidência da Câmara Municipal de 2015. Algo como investir açíµes no mercado futuro.
Portanto, pode, sim, aparecer um tordilho louco na reta final. Veremos. Será resolvido tudo nesta segunda (2). Vale í pena assistir a sessão.


