Avaliando a Câmara de Vereadores, o ano na política foi no mínimo confuso, para não dizer que foi quase o caos. A dança de cadeiras e ossos disputados dentro dos cargos da prefeitura acabaram gerando coligaçíµes esdrúxulas, formadas afinal só para objetivos fúteis, qual seja: cargo em troca de voto a favor do governo.
í‰ que o PP nunca teve um período sereno na relação com o governo Nílvia. E esta diferença, que parece que é de DNA partidário acabou sendo agravada pela declaração de independência de dois dos três vereadores que iniciaram o ano na Câmara representando os progressistas: Fábio da Rosa e Gisa Webber.
Até a fundação do PROS acabou ocorrendo para que o vereador Ernando Elias (então PP) mantivesse seu voto a favor de Nílvia e o governo pudesse deixar o PP í vontade para desembarcar da coligação, montada ainda antes do pleito de 2012.
A aquisição de dois partidos (PTB e PC do B) pelo governo Nílvia para sua base em troca de secretarias também teve de ser feita pelo pragmático governo do PT de Nílvia. Tratava-se de uma questão matemática: dois votos rebeldes e contra o governo, mesmo sendo do PP – teoricamente coligado (Fábio e Gisa) substituídos por dois partidos e seus dois votos (PC do B e PTB). Preço? Duas secretarias… e novas!
O PMDB que acabou se fortalecendo como oposição. No início do ano, Tubarão optou por fazer parte da mesa diretora liderada pelo PT e projetou ser oposição leve, mas mudou o discurso a partir de junho. Gimi, que no início declarou que seria parceiro do governo por achar que isto seria melhor para a cidade, mudou aos poucos e terminou o ano dividido. Não se sabe se será oposição ferrenha em 2014 ou se manterá oposição moderada, não acompanhando a bancada do PMDB em alguns casos, como o fez na compra do Hotel Beira Mar votando a favor da aquisição do imóvel.
Já os vereadores Alessandro e Marcos foram oposição forte e reta desde o início; e projetam que assim o serão em 2014. Não foram daquelas oposiçíµes chatas, do tipo que desaprova até verba federal no orçamento, exercitada há alguns anos atrás, no começo do governo João Alberto pelo PT, pela própria prefeita Nílvia. Ao contrário, os dois oposicionistas puros do PMDB (Marcos e Alessandro) deram exemplo até de votar a favor da prorrogação dos contratos especiais na Saúde, quando tinham a chance de serem vingativos, pois no governo anterior este assunto recebia ataques da então oposição, que hoje é governo e segue fazendo os contratos especiais (sem concurso), sem sequer corar.
Como a maioria da parte estrutural dos projetos necessários para mudar o formato do governo está encerrando; e o governo Nílvia a partir do ano que vem deve ter pouca pauta estrutural para votar na Câmara, as coisas devem ser diferentes em 2014. Mas isto não quer dizer que os ânimos serão amenos.
í‰ que os mesmos partidos que embarcaram no governo, na campanha ou pós- campanha podem discordar e passar a criticar o governo. Daí podem perder os cargos e secretarias como represália; e os votos podem começar a ser contra novamente, o que seria o início de outro ciclo de idas e vindas.
Mas o futuro do PP é que definirá o futuro do governo Nílvia. Se os progressistas se entenderem com a prefeita, o contexto será um; mas se desentenderem de vez; a coisa pode começar a projetar um novo contexto para a nova eleição, em 2016, onde PMDB e PP podem ser parceiros muito próximos.
Ah! E tem a eleição para governador também no ano de 2014, onde o PT de Tarso querendo se reeleger será inimigo visceral do PP de Ana Amélia Lemos, a favorita nas pesquisas. E a posição do PMDB neste contexto estadual pode inclusive gerar mais proximidade entre PP e PMDB ou até entre PT e PMDB.
Coligaçíµes geraram divisíµes internas em Torres
A maioria dos partidos coligados que forma a chamada base de apoio do governo Nílvia acabaram criando conflitos internos e se dividindo. Até o próprio PT, de Nílvia, protagonizou durante o ano conflitos, mas neste caso na disputa da presidência do diretório local.
O PP “ Partido do vice-prefeito Brocca “ acabou sendo o campeão de desgastes. í‰ que desde a campanha, a agremiação em Torres se dividia nas idéias. A própria indicação de Brocca gerou divisíµes. E os embates e fogos amigos seguiram durante o ano que se finda.
Os progressistas viram 2013 para 2014 com a perda de um vereador na bancada, que fundou outro partido na cidade, o PROS; com a falta de apoio dos dois outros vereadores da Câmara, que votam conforme suas vontades ao invés de votarem com o governo em que fazem parte; com rodízio muito grande de secretários que saíram e entraram com explicaçíµes pouco convincentes; com a perda da secretaria de Obras para o PROS; e, afinal, com três alas distintas: a liderada pelo vice Brocca, a liderada por um grupo do centro e do presidente Rubens de Rose, e a liderada pela bancada na Câmara e os apoiadores das posiçíµes rebeldes dos vereadores Gisa Webber e Fábio da Rosa.
Coligaçíµes geraram divisíµes internas em Torres II
O segundo partido de maior importância na coligação que apóia o governo Nílvia é o PDT. E sai no final do ano dividido pelo menos por dois. O vereador Deomar Goulart tem sido o apaziguador dos conflitos por ter posição apaziguadora de perfil e por ter o seu voto na Câmara (e o valor dele para Nílvia) como moeda de pressão.
Mas nesta semana, Blando Ferreira e um grupo forte dos trabalhistas de Torres divulgou na rede social Facebook uma dissidência oficial dos que se intitulam brizolistas históricos do partido. Os chamados dissidentes já têm até organograma. O presidente da organização informal do PDT é o líder histórico em Torres Valdir Nunes de Souza. De vices estão nomeados Nilza de Almeida Pereira e o professor Carlos Heitor Azevedo.
A briga partidária se deu principalmente em desavenças na apresentação de nomes para que fossem nomeados CCs. E o grupo do presidente formal André Pozzi tem tido apoio total do governo Nílvia, o que o fortaleceu na briga interna, que tem casos até na justiça.
Coligaçíµes geraram divisíµes internas em Torres III
Os outros partidos coligados ao governo são praticamente representados pela troca de um voto fiel e submisso na Câmara por uma secretaria do governo.
O PROS é assim… Ernando Elias vota com o governo e tem a secretaria de Obras, mas tem o irmão da prefeita Nílvia como secretário, ou seja, a pasta está muito bem fiscalizada.
O PTB, depois de apoiar o adversário de Nílvia na eleição do ano passado, tratou de entrar no governo na votação da compra do Hotel Beira Mar e aproveitou e indicou o ex-vereador George Rech para a secretaria de Direitos Humanos e Ação Social.
O PC do B, que também trabalhou apoiando o adversário de Nílvia do PMDB na eleição do ano passado e elegeu um vereador para a Câmara, também na ocasião da votação da compra do Hotel Beira Mar trocou seu voto pela entrada com um pé no governo. O outro pé entrou com a criação formal e aprovada da nova secretaria de Cultura e Desportos oferecida aos comunistas. E agora o vereador Nego, em outros momentos oposicionistas ferrenho do governo, agora já é arauto das boas notícias da prefeita Nílvia; e o partido terá a secretaria que pediu em troca do apoio.
Escolha de nomes no PC do B e no PDT para novas secretarias
E agora é a real escolha de nomes que está valendo dentro do PDT e PC do B para que as pastas de Cultura e Desportos seja estruturada pelos comunistas e a pasta de Indústria & Comércio seja estruturada pelos brizolistas.
No PC do B o nome do jovem empresário Thiago Gomes já estava quase que certa, mas apareceu o também jovem e também empresário Marcelo Couto para concorrer internamente no PC do B.
Já no PDT os nomes de Sérgio Figueiredo e de Marcelo Guidi, ambos empresários, estão sendo em princípio o cardápio dos pedetistas para escolher quem irá trabalhar pelo fomento da Indústria e do Comércio da cidade.


