OPINIíO_Campanha Comunista

5 de setembro de 2012

 

 

Fausto Araújo Santos Júnior

 

 

A legislação eleitoral o Brasil não permite que empresas doem mais que 2% de seu faturamento anual DECLARADO para campanhas polí­ticas. Ou seja, uma empresa é limitada institucionalmente em seu apoio í s causas que acredita. í‰ que a sociedade como um todo, principalmente o funcionalismo público e os polí­ticos sem apoio produtivo, colocaram nas leis e nas normas jurí­dicas que regem os certames eleitorais, um enorme preconceitos contra empresas.

   E este preconceito manqueteado conceituou de forma generalizada, me parece, que para a sociedade, empresa que doa recursos para um projeto polí­tico na verdade quer uma vantagem lá na frente. E é claro que quer,  se não quisesse não apoiaria um projeto. Mas muitas, ou a maioria, quer retorno institucional, acreditam que seus negócios e sua competitividade irão melhorar com a eleição de A ou de B. Mas a sociedade acha que o retorno que o empresário almeja é de corrupção, de vantagens diretas. E ai vêm as leis e as normas que dificultam uma ação que deveria ser legí­tima: o apoio í  partidos, í  candidatos…

Por exemplo. Por que um empresário que acredita que em Torres não deveriam ser construí­dos mais edifí­cios altos, que acredita consequentemente que deveriam ser eles substituí­dos por condomí­nios de casas ou por loteamentos residenciais, não pode, então,  doar seu dinheiro para apoiar um candidato que, como ele, acredite nisto?  Ah… A oposição irá dizer que a doação é carta marcada. Que a empresa vai se beneficiar com a regulamentação. E vai, sim. Mas vai de forma institucional. Não vai receber autorização para fazer um condomí­nio sem oferecer infraestrutura. A lei não deixa que isto aconteça. Mas a sociedade não acredita, a sociedade acha que tem lingí¼iça no arroz. E, portanto, prefere que não haja doaçíµes de empresários.

 

Campanha Comunista 2

 

E aí­ os empresários que se sentem quase que obrigados a doarem recursos para certo candidato ou candidata, acabam tendo de fazê-lo com caixa dois. Dizem eles para os candidatos, que não querem que sua empresa apareça como doadora. Afinal,  a sociedade pode responder com represália ali adiante. Pode sugerir que a empresa está na gaveta, que está comprada por polí­ticos, embora sejam elas que compraram os polí­ticos. Ou seja, de corruptora passiva passa a ser corruptora ativa. Então, as coisas acabam acontecendo debaixo dos panos. E até o STF considera o caixa dois uma prática sistêmica… As pessoas podem receber dinheiro até em cuecas, se for para realizarem pesquisas eleitorais, parece…; podem receber dinheiro em pastas pretas se forem para campanhas eleitorais… E aí­ a coisa realmente se torna uma gandaia legalizada, onde ninguém sabe se está enganando ou sendo enganado. Na duvida dá uma enganadinha para empatar com seu oponente de gandaia.

Resumindo, a lei eleitoral e os costumes jurí­dicos no Brasil são para inglês ver. Na teoria, se trata de método comunista de certame para escolher as pessoas na polí­tica. A lógica sugere que todos são iguais. Portanto, nenhum candidato ou partido pode receber mais vantagens que os outros. Mas na prática isto não acontece. E a sociedade, aquela que nós, simples viventes ocupamos, fica entre um pleito e outro assistindo as coberturas policiais que envolvem os polí­ticos acusados de gastar dinheiro não declarado em campanhas. Na TV, a Globo, a Band, o SBT e a Record noticiam em seus programas jornalí­sticos que tal deputado de tal partido foi pego na flagra sendo comprado ou comprando alguém ou alguma empresa. Aí­ começa uma novela que dura sete anos para ser revelado  o seu final, como no Mensalão, por exemplo… Revelando, afinal,  quem é o bandido e quem é o ladrão da trama. E aí­ vem outra eleição. E aí­, meus caros leitores…Idem com fritas!

 

Jornais ricos meeeeesmo

 

Tem jornal em Torres, que está rico a tal ponto, que para eles não basta fazer uma pesquisa e publicar gratuitamente para a população o seu resultado. Tem gente fazendo pesquisa, registrando no TRE e pagando muito pra isto para poder publicar o resultado, mas que não publica. Ou seja, é como um restaurante se registrar na praça para servir refeição e após, quando funcionando,  fechar para as refeiçíµes…

Basta entrar no TRE, no item eleiçíµes 2012, após no item pesquisas, após no item sistema pesqEle, depois no item consultar pesquisas registradas, depois preencher o formulário com o Estado e a cidade, marcar o item prefeito e correr pro abraço… Depois clica em cada pesquisa para descobrir quem pagou e encomendou o trabalho.

Já foram seis pesquisas registradas na cidade. Todas por jornais. Somente duas foram publicadas. Aha, os jornais. Altamente cidadãos… Estão prestando serviços gratuitos para a comunidade, mesmo que não publiquem, talvez seja impróprio para ser publicado, para menores de 18 anos, talvez…. Já os partidos?  Nenhum fez nenhuma pesquisa até hoje. Pelo menos,   não registrou, …ou,   pelo menos não registrou em seu nome…

 

 

A FOLHA irá tentar fazer uma pesquisa

 

O jornal A FOLHA irá tentar mobilizar uma entidade para fazer uma pesquisa confiável feita, ou por um instituto importante, ou por uma universidade. Se der, publicaremos, mas publicaremos também quem fez e quem pagou a pesquisa, pois não temos dinheiro para bancar este trabalho como outros jornais locais têm.

 

Eleitor Fast Food

 

Estamos na era fast food. A falta de tempo dos brasileiros em geral, acaba os obrigando a ter uma atitude racional e rápida perante as decisíµes da vida. í‰ por isso que muitos almoçam em restaurantes de lanches chamados de fast food, que traduzindo para o português de forma literal, quer dizer refeição rápida.

Na Eleição, as escolhas acabam também seguindo este rumo social. Os eleitores escolhem quem trás diretamente para eles promessas reais, palpáveis, mensuráveis, individuais. Portanto, como as leis brasileiras permitem que planos de governo transfiram de forma direta ao cidadão dinheiro em espécie, ou cestas básicas, ou casas gratuitas, por exemplo, a tendência é que os candidatos que mais prometerem isto acabem ganhando os pleitos. Pelos menos muitos deles…

 í‰ que a ideologia não é assunto do momento. Ideologia não é fast food. Ideologia requer pensar, e as pessoas não estão com tempo para pensar… Então, fast food neles!

 Escolher as pessoas que mais trarão benefí­cios diretos e individuais acaba sendo o critério, principalmente dos menos cultos, ainda a maioria dos brasileiros. E a maioria é que elege.

 

Eleitor Super Fast Food

 

Dar a vara de pescar o invés do peixe já se tornou discurso histórico do passado na polí­tica. A vara de pescar ao invés do peixe não é fast food. Pescar requer tempo, paciência, trabalho, perseverança… E isto está longe de ser fast food.

Atualmente o eleitor quer o peixe. Quer o peixe, de preferência já limpo e preparado, í  milanesa e com molho remolado.   Quer saber se vai ganhar o desconto na farmácia, se vai receber um aterro de graça, se vai receber dinheiro direto, quantas sestas básicas mensais a famí­lia irá receber.

Alguns exigem transferência direta de renda antes da eleição, inclusive… Nenhum polí­tico assume que dê, mas dizem as más lí­nguas que muitos dão, sim, favores í s famí­lias que prometerem seus votos. Não podem, não devem, mas… fazem. Mais fast food, ainda… Neste caso, pedem lanche rápido, saboroso, mas exigem entrada… um aperitivo do que será o futuro, ora, pois…

 


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados