Orgulho de ser gaúcho!

22 de setembro de 2011

 

 

   

       

Por Guilherme Rocha

 

     

                      O sentimento de orgulho gaúcho vem mais uma vez se manifestando nesta Semana Farroupilha, Na última terça-feira (14), dezenas de cavaleiros rumaram até a prefeitura de Torres para buscar a chama crioula. Representando o prefeito do municí­pio, João Alberto Machado, e trajando vestimenta tí­pica do gaúcho, o Secretário de Governo Aristeu Moreira realizou a entrega da chama aos tradicionalistas. A cavalgada então percorreu as ruas da cidade até chegar ao CTG Porteira Gaúcha, na Vila São João, onde acontece a programação em comemoração í  Semana Farroupilha. A FOLHA acompanhou a chegada da chama ao parque tradicionalista e, entre um mate e outro, conversamos sobre o significado do espí­rito gaúcho na atualidade, a partir do ponto de vista de algumas pessoas que valorizam a cultura e as raí­zes de nossa terra.

                       

                A chama crioula

 

 

 

 

 

 

 

 

Nilo Webber, o homenageado nesta Semana
Farroupilha de Torres

 

   

                      Na década de 40, devido í  invasão do modismo no Rio Grande do Sul, vindos principalmente dos Estados Unidos, grupos de tradicionalistas gaúchos conservadores levantaram suas vozes em favor da conservação da cultura, costumes e tradiçíµes do povo gaúcho. A Chama Crioula foi acesa pela primeira vez em 1947, iniciativa de um grupo de estudantes tradicionalistas do colégio Julio de Castilhos, em Porto Alegre. Seu objetivo era homenagear os soldados mortos na Revolução Farroupilha e na Segunda Guerra Mundial. A chama crioula que acabava de nascer significava a liberdade e a confraternização entre os povos do mundo.

 

 

                         

                Tradicionalismo: cavalgando pelas geraçíµes

 

 

 

   

Henrique Monteiro aprendeu a

cavalgar com 4 anos de idade

     

                      Nilo Webber se diz um homem de poucas palavras. Aos 78 anos, ele é o homenageado da edição deste ano da Semana Farroupilha de Torres, tendo sua vida sempre marcada pelo tradicionalismo gaúcho. "Ser gaúcho é meu jeito de viver, sempre estive envolvido com o movimento tradicionalista. Trabalhei muito na lida do campo, laçando bois desde piá, montado no cavalo como se fosse uma parte de mim. í‰ assim que me sinto bem, no lombo do cavalo". O experiente Nilo indica que cavalgar é um prazer que lhe traz paz, e lamenta que, hoje em dia, nem todos respeitem as tradiçíµes do povo rio-grandense. "A cultura gaúcha é parte da história de nosso povo, por isso é importante manter as raí­zes. Preservando nossa história mantemos viva a alma do gaúcho, este povo aguerrido de homens do campo".    

                        Essa relação com o cavalo que Nilo Webber fala é algo marcante na vida do gaúcho, um costume que se renova de geração em geração. í‰ o que notamos ao conversar com Henrique Monteiro, que aos 12 anos já é um experiente cavaleiro, tendo pouco antes participado da cavalgada de busca da Chama Crioula. "Cavalgo desde os 4 anos, e para mim isto é mais que um esporte, é um estilo de vida. Espero poder estar sempre no lombo de um cavalo, até o dia da minha morte". Este hábito foi ensinado a Henrique pelo seu pai, e a relação que o garoto tem com seu cavalo é de total cumplicidade. "Meu cavalo Ligeirinho é um bom amigo, ele me entende e eu entendo ele, e essa confiança é muito importante. Aprendi a montar com o meu pai, e espero passar isso adiante se um dia tiver filhos".    

 

                O gaúcho, o mate e a cultura

   

                      Outro hábito que se mantem sempre nas tradiçíµes de nosso povo é o do chimarrão. Sorvendo lentamente o mate, Diego Teixeira Pereira lembra que "o chimarrão é muito mais que um simples chá, é uma maneira de juntar os amigos e jogar conversa fora. Uma mateada é uma forma de descontrair, purificar a alma". Já o jovem Paulo Júnior Magnus Pereira lamenta que, nos dias de hoje, muita gente venha abrindo mão de hábitos da nossa bela cultura gaúcha em detrimento do vazio das drogas, e lembra-se dos benefí­cios do chimarrão. "í‰ um prazer montar o chimarrão na cuia, e é ainda melhor saber que o mate, além de ser gostoso, faz muito bem para a saúde".

     

Diego Pereira apreciando um mate

     

                      Em meio a tantas tradiçíµes acumuladas por essas paragens do sul brasileiro, Arthur "Gaúcho" Hertzog traz no próprio apelido sua ligação com nossa cultura. Mas ele insiste em, primeiramente, contextualizar o gaúcho e as raí­zes dessa palavra, que carrega consigo tantas simbologias. "O gaucho em seu sentido original é o homem livre dos pampas, um ser errante e dono das próprias leis, que existiu num tempo em que a terra não via fronteiras. Quando as terras foram cercadas e divididas em estâncias, o gaúcho teve de se adaptar, tornando-se um peão e trabalhando na lida do campo" Para Arthur, que há muitos anos está vinculado ao movimento tradicionalista, o gaúcho de alma é um ser cortês e amigo, que reverencia a cultura de seu povo. "Este vinculo com suas tradiçíµes é o que marca o gaúcho, um respeito aos hábitos que passam de geração em geração". Findada nossa conversa, o tradicionalista se despede com um tí­pico cumprimento gaúcho, onde há primeiro encontro das mãos, que é seguido por uma palmada no antebraço. "Este cumprimento virou hábito nos tempos da Revolução Farroupilha. Servia como uma precaução, para verificar se a outra pessoa estava armada com uma adaga presa ao antebraço", conclui Arthur.

                      Cláudio "Negão" Nascimento é cantor do grupo Legado Gaúcho, declamador de poesia nativista e se considera um tradicionalista "desde que estava no saco do véio". Para ele, o simbolismo do gaúcho está marcado pelo caráter errante do povo natural dos pampas, gente que mantém as antigas tradiçíµes campeiras e que sabe respeitar suas origens. "Ser gaúcho para mim é um prazer imenso, me sinto bem mantendo esse estilo de vida, ao mesmo tempo em que mantenho as raí­zes da nossa cultura." Para Cláudio, que declama em suas poesias sobre a vida, o dia-a-dia e o espí­rito do gaúcho, existe uma grande confraternização e amizade entre as pessoas envolvidas com o tradicionalismo. "Trata-se de um sentimento que vêm de dentro, você não pode instituir que uma pessoa é ou não é gaúcha. Nesse processo a famí­lia tem um papel importante, através da transmissão das tradiçíµes e da nossa cultura".

                                   


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