Os perigos do sedentarismo: Falta de exercí­cios mata tanto quanto cigarro

29 de julho de 2012

 

Por Guilherme Rocha*

 

 

Divulgado a poucos dias do iní­cio das Olimpí­adas, estudo diz que a falta de exercí­cios tem causado mais de 5 milhíµes de mortes por ano.

 

   

 

O sedentarismo é considerada a doença do século, cada vez mais observamos que a obesidade começa na infância, e a praticidade que a tecnologia nos oferece torna cada vez mais sedentários.

 Uma pesquisa, publicada recentemente na revista médica Lancet, estima que um terço dos adultos no planeta não têm praticado atividades fí­sicas suficientes, o que tem causado 5,3 milhíµes de mortes por ano em todo o mundo. í‰ um número de mortes equivalentes aos ocasionados em decorrência do tabagismo. A inatividade fí­sica seria responsável por uma em cada dez mortes por doenças como problemas cardí­acos, diabetes, câncer de mama e do cólon, de acordo com o estudo. Os pesquisadores dizem que o problema é tão grave que deve ser tratado como uma pandemia.

A solução para o sedentarismo está em uma mudança generalizada de mentalidade, e o estudo sugerem a criação de campanhas para alertar o público dos riscos da inatividade, em vez de lembrá-lo somente dos benefí­cios da prática de esportes. O desafio global é claro: tornar a prática de atividades fí­sicas como uma prioridade em todo o mundo para aumentar o ní­vel de saúde e reduzir o risco de doenças. Segundo a equipe de 33 pesquisadores (vindos de centros de vários paí­ses diferentes), os governos deveriam desenvolver formas de tornar a atividade fí­sica mais conveniente, acessí­vel e segura.

 

 

Estudo foi coordenado por gaúcho

 

Um dos coordenadores da pesquisa é gaúcho: Pedro Hallal da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). "Com as Olimpí­adas 2012, esporte e atividade fí­sica vão atrair uma tremenda atenção mundial, mas apesar do mundo assistir a competição de atletas de elite de muitos paí­ses, a maioria dos espectadores será de sedentários," diz ele, em entrevista para a BBC Brasil.

Já a comparação com o cigarro é contestada por Pedro Hallal, pois se o tabagismo e a inatividade matam o mesmo número de pessoas, os dados indicam que o número de fumantes é bem menor do que o de sedentários, tornando o tabaco muito mais perigoso. "Quando se trata de prevenção de câncer, parar de fumar é de longe a coisa mais importante que você pode fazer", indicou.

Na América Latina e no Caribe, o estudo mostra que o estilo de vida sedentário é responsável por 11,4% de todas as mortes por doenças como problemas cardí­acos, diabetes e câncer de mama e do cólon. No Brasil, esse número sobe para 13,2%, e o sedentarismo seria a causa de 8,2% dos casos de doenças cardí­acas, 10,1% dos casos de diabetes (tipo 2), 13,4% dos casos de câncer de mama e 14,6% dos casos de câncer de cólon no paí­s.

í‰ recomendado que adultos façam 150 minutos de exercí­cios moderados, como caminhadas, ciclismo ou até jardinagem, toda a semana. Porém, este quando está longe da realidade para muitas pessoas. O estudo também indicou que as pessoas que vivem em paí­ses com alta renda per capita são as menos ativas. Entre os piores casos está a Grã-Bretanha, onde dois terços da população não se exercitam regularmente.

 

 

Dr. José Mury fala sobre o sedentarismo

 

Aproveitando o assunto, o jornal A FOLHA conversou com o médico-cirurgião José Fernandes dos Santos Mury, que trabalha no Ceclin (aqui em Torres). Ele indica alguns dos problemas que tendem a aparecer em pessoas que não praticam esportes ou atividades fí­sicas. As pessoas sedentárias são, geralmente, as que mais prejudicam a sua saúde, e assim tendem a ficar mais suscetí­veis a uma série de riscos. Primeiramente vêm a obesidade, que também é acompanhada pelo aumento elevado no colesterol e na taxa de triglicerí­deos, o que pode causar uma arteriosclerose (obstrução das artérias, principal causa de mortes nas Américas).   Além disso, a pessoa que não se movimenta muito pode desenvolver uma atrofia muscular, e até perder os movimentos das pernas em casos extremos, analisa Mury.

O coração é uma das áreas mais afetadas por aquelas pessoas que não praticam exercí­cios. Mas o Dr. Mury explica que diversos outros distúrbios podem surgir relacionados ao sedentarismo Nosso coração é um músculo, que também depende dos exercí­cios fí­sicos para se manter em boa forma.   Sem exercí­cios,   não é apenas a parte fí­sica de nosso corpo que fica prejudicada   A auto-estima da pessoa que é sedentária geralmente tende a ficar baixa, portanto outros problemas de cunho psicológico costumam a aparecer junto com o sedentarismo, como depressão, stress e ansiedade. Em muitos casos a pessoa fumante também não pratica exercí­cios fí­sicos, o que potencializa os riscos de problemas cardí­acos e psicológicos, constata o médico.

A rotina atribulada do nosso dia-a-dia (com trabalho, estudos, contas para pagar e outros problemas que surgem) faz com que algumas pessoas sintam-se cansadas e estressadas para praticar atividades fí­sicas. Porém, a vida diária exaustiva não pode ser uma razão para o sedentarismo. Muita gente usa a desculpa de que não tem tempo para se exercitar.Mas estas pessoas não sabem o mal que estão fazendo para si mesmos ao abdicar das atividades fí­sicas. Elas deveriam mudar a sua mentalidade, organizar-se, tirar a preguiça do corpo e mover-se. Praticar exercí­cios e esportes não apenas faz nosso corpo mais saudável, mas também melhora a qualidade de vida. Isso porque a atividade fí­sica também libera a endorfina, que é o hormí´nio responsável pela sensação de prazer e bem estar, finaliza o médico.


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