Palestrante do Fórum do Mar sugere Turismo Criativo como novo modelo

4 de junho de 2012

 

 

Na palestra de estréia do 1 º Fórum do Mar, que foi realizado que em Torres nos dias 30,31 e 10 passados, o professor chileno Sérgio Molina abordou um tema polêmico para os paradigmas do turismo tradicional.   O professor, que já atua na prática em vários destinos turí­sticos pelo mundo afora, principalmente no México, criticou o chamado por ele de Turismo Industrial, qual seja, aquele turismo promovido por agências de viagem grandiosas, através de pacotes que são vendidos para vários destinos pelo mundo. Para Molina, este tipo de atividade acaba sendo muito invasiva para as comunidades. Ele fundamenta isto elencando a certa pasteurização das atividades dos pacotes, que, para ele, se tratam de uma grande imitação de programas de lazer que são despejados aos turistas em qualquer lugar, fazendo com que as comunidades, atraí­das pelos valores financeiros que os pacotes geram em um primeiro momento, acabem tendo de se adaptar í s empresas de turismo, ao invés de trabalharem com os seus atributos naturais.

Para o estudioso e consultor, o Turismo Industrial acaba deixando custos sociais e estruturais muito grandes nas cidades onde eles usufruem. Geralmente, deixam rastros, que prejudicam o meio ambiente, a cultura local e nunca se habilitam a de certa forma limpar o rastro deixado. Molina disse em sua palestra que este tipo de turismo, massificado e pasteurizado, não pode ser viável em cidades pequenas e médias. Para ele os custos e as mazelas sociais, empresariais e ambientais são muito mais caros de serem corrigidas pelas sociedades. Portanto, beneficia somente grandes empresas, que acabam utilizando ambientes e culturas inteiras para angariarem seus lucros, í  custa de sociedades inteiras. Somente cidades grandes, com populaçíµes maiores e redes hoteleiras com milhares de hotéis podem assumir o Turismo Industrial sem se prejudicar social, econí´mica e ambientalmente.

 

Solução é o chamado Turismo Criativo

 

Sérgio Molina trabalha em lugares com perfis similares í  Torres com a idéia do Turismo Criativo. O Conceito parte da premissa que os valores e atributos locais serão, sempre, os diferenciais turí­sticos a serem vendidos pelo destino.   E Este diferencial, para Molina, necessariamente deve estar introjetado dentro da sociedade.   Ou seja: Por exemplo: Aqui em Torres, o Rio Mampituba, a Lagoa do Violão, o Parque da Guarita, dentre outros atributos naturais, seriam tratados em seu modelo como verdadeiras pérolas. Leis locais tratariam e proteger o que o consultor e professor chama de abundâncias locais, que em espanhol significa algo como atributos naturais e culturais. No modelo, as empresas, os gestores públicos, os formadores de opinião, a sociedade em geral devem exigir este tratamento í s parolas turí­sticas locais.  E isto deve estar em leis, de direito e de fato, legal e moralmente.

O Turismo ecológico, histórico, cultural, dentre outros modelos de turismo, seriam adaptados aos valores locais. Os hoteleiros, as agências de turismo receptivo, os restaurantes, dentre outros atores sociais, deveriam trabalhar isto de forma incondicional, evitando que outros tipos de atividades pasteurizadas e massificadas invadissem a cultura turí­stica da cidade.

Os atributos ou diferencias competitivos, deveriam ser ensinados de forma didática, histórica e detalhados nas escolas locais. Os jovens e moradores da cidade seriam ensinados desde crianças, que os atributos turí­sticos da cidade seriam o ganha-pão da comunidade. Portanto, deveriam ser respeitados de forma vital, visceral.  

 

Modelo de parceria empresarial

 

Este conceito deve, então, ser negociado em parceria com empresa do ramo do turismo que queiram lucrar vendendo estes conceitos fechados e focados de turismo. No modelo, o consultor sugere que sejam feitas parcerias com empresas do vários ramos, dando a eles, acima de tudo, a garantia da defesa incondicional dos atributos conceituais do turismo local, aplicando o que chama de Turismo Criativo.   Incentivos fiscais e parcerias público-privadas estão na proposta. Para Molina, feito isto o destino inicia um ciclo virtuoso, onde os negócios aumentam pelo foco e singularidade locais, isto gera desenvolvimento e aumento de emprego e renda na localidade, que por sua vez irá fomentar a disciplina do turismo local, dependendo cada vez menos do chamado turismo Industrial, o pasteurizado.

 


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