A humanidade tem passado por tantas e tão rápidas transformaçíµes, que o ser humano parece sentir-se afogado, como sendo engolido, por tantas exigências de adapção a situaçíµes diversas e simultâneas, que, na impossibilidade de abarcar tudo, passou a seguinte ordem do dia: trocar pelo novo, mais moderno e mais eficiente.
Nada mais é feito para durar, nem as relaçíµes, em certa medida. O velho perde o sentido. Está caindo de moda valorizar o durável , o que demanda tempo, mas isto implica em torna-se obsoleto, ultrapassado. O que importa é não perder tempo, para não ficar para trás, pois em tudo há um selo de data de validade.
Este novo século parece ser a era do superficial e do efêmero. Impossível não nos mobilizármos com estas questíµes. Entretanto, apesar de toda revolução social, constatamos que algumas coisas seguem imutáveis, tais como o fato de que o ser humano continua nascendo cem por cento dependente de alguém para vir a ser e, compulsoriamente, segue em busca do prazer para reger sua vida. Pergunta-se, então: terá mudado a natureza do prazer ou talvez tenha mudado sua qualidade, por uma substituição de uma sexualidade adulta, baseada num relação afetiva consistente, para uma imediatista, volúvel e descartável, por exemplo? Ou quem sabe pela busca de um refúgio narcísico (ter e poder tudo para si) como saída para o prazer, onde frustração fica sendo coisa do passado ?
Pois Freud, mesmo tendo se passado um seculo desde suas descobertas, ainda continua atual em muitos de seus princííos e, com o auxílio de outros pensadores em psicanálise, que contextualizam sua teoria nos dias atuais, podemos compreender, senão tudo, pelo menos muitas destas questíµes, que tanto nos inquietam, inclusive o porquê do desprazer pelo antigo, o porquê da crescente fragilidade dos vínculos, o porquê de tamanha dificuldade do desfrute do prazer desprovido do material.


