Para onde caminha a infãncia?

27 de maio de 2012

 

Muito se tem pensado, escrito e falado sobre a infância e sobre o desenvolvimento dos bebês, mas observo que os aspectos psicológicos têm perdido muito terreno para os avanços pedagógicos, sem que se chegue a um consenso, o que, a meu ver, pode acarretar numa espécie de despreocupação com aquilo que é, antes de tudo, o essencial para a constituição de um psiquismo bem estruturado, básico para a formação de indiví­duos saudáveis, formadores, por sua vez, de uma sociedade sólida e bem construí­da. As crianças hoje em dia, estão perdendo seus espaços lúdicos, do brincar livre e criativo sem compromisso, passando a ser exigidas a aprender cada vez mais rápido nas chamadas escolinhas. Estão tendo que deixar a infância muito cedo, e crescer sem ter pernas para isso. Tanto alguns pais quanto professores estão perdendo a referência, quando os vejo se admirarem diante de uma criança, por ex de 5 anos que se mostra lenta para aprender, quando na verdade ela não tem maturidade biológica e emocional para se interessar pela alfabetização. Deveria estar brincando e ralando os joelhos nas pracinhas e playground. Mas infelizmente, acabam cerceadas e enclausuradas em espaços pequenos de sala de aula, tendo que permanecer como mini adultos sentadas, comportadas e imóveis para apenas copiar e cumprir com as atividades curriculares. Sem tempo para brincar, são empanturradas de atividades e compromissos, recheando suas agendas que mais parecem de um executivo mirim.   Não é para menos que observamos os efeitos disto no comportamento de nossa crianças, com tanta angústia e energia acumulada,   agitadas e inquietas, natural que seja assim, pois de fato estão tratando criança como gente grande. Muitos pais e educadores até   se orgulham com a precocidade intelectiva de seus filhos, acreditando que isto é algo sensacional, quando na verdade é um desvio da normalidade.

Então o quê realmente determina, ou quais os determinantes para que uma criancinha cresça se constituindo como um indiví­duo emocionalmente saudável, identificando-se como um ser autí´nomo, mas pertencente e criativamente participante de um mundo onde sua existência faça diferença?

Desde o princí­pio, a psicanálise, a partir de seu criador, buscou explicaçíµes para tantas perturbaçíµes que a mente humana se mostra capaz de produzir durante o desenvolvimento de uma pessoa; perturbaçíµes que resultam em pessoas infelizes, doentes e limitadas para se relacionar com o mundo de maneira rica e prazerosa, contrariando o que parece ser a meta de todo o anseio humano: estabelecer “ ou restabelecer “ uma compreensiva harmonia com a vida, a fim de poder viver e amar em paz. Na verdade, o princí­pio está na infância e na famí­lia, ou seja, como ela está constituí­da, como funcionam as relaçíµes familiares onde esta criança faz parte. Quem são os modelos e referências para ela?Quais os valores, crenças e princí­pios desta famí­lia a qual esta criança está sendo formada em sua identidade e personalidade?Assim como uma semente que tem um potencial para ser árvore, poderá não desenvolvê-lo se for colocada num vaso, transformando – se num bonsai, pelo excesso de poda; ou vingará uma árvore frondosa? Quais as condiçíµes para isto? Certamente, se tiver uma numa terra rica em nutrientes e espaço para que cresça livremente, chegando í  fase adulta plena e forte, cumprindo com sua função e preparada para suportar as intempéries da vida. Com isso, quero dizer que nossas crianças estão deixando de ser crianças, perdendo a infância ao serem extremamente exigidas a cumprir com funçíµes as quais elas não estão preparadas, sacrificando seu verdadeiro Eu espontâneo, para corresponder ao desejo dos adultos, sob ameaça de perder o amor deles se decepcioná-los. Neste sentido, acredito que a criança é que melhor entende o que é amar incondicionalmente, já que é ela quem se molda aos desejos, cobranças e expectativas dos pais e adultos para ser amada e aceita.        

 


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