EDITORIAL – Poder exagerado

5 de fevereiro de 2011

 

 

 

Assumiram nesta semana os novos nomes que serão titulares da próxima legislatura do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas estaduais. Dentre várias constataçíµes que podemos ter sobre o estabelecido no Brasil e nos estados da federação, pode-se afirmar, sem medo de errar, que a maioria delas é negativa.    

O povo não queria que os deputados federais e estaduais pudessem dobrar seus salários sem retirarem nenhuma mordomia de seus ganhos individuais, mas o próprio congresso assim o fez, e as assembléias legislativas dos estados foram rápidas em acompanhar a atitude ditatorial tomada pelos polí­ticos, um í­nfimo grupo de brasileiros que tem, por lei, a competência legal de legislar definindo seus próprios salários e infelizmente utilizou seu poder de forma irresponsável,  se  for comparada a média da remuneração privada da nação, inclusive das cúpulas das organizaçíµes que efetivamente produzem para pagar os salários e mordomias exagerados dos polí­ticos e das cúpulas dos outros poderes constituí­dos. Mas o congresso não agiu como o povo queria, portanto um fator negativo.  

O povo certamente, se fosse consultado, não apoiaria a reeleição de José Sarney para mais um mandato na presidência do Senado Federal, por conta da irresponsabilidade mostrada por este polí­tico na sua última gestão, além de outros vários indí­cios de prevaricaçíµes. Mas Sarney está lá e disse ainda em seu discurso que está se sacrificando para exercer mais este mandato, o que chega ao extremo da falta de respeito aos 190 milhíµes de brasileiros.  

Mas a maior distorção da polí­tica nacional é a excessiva disponibilização do  poder na mão do Partido dos Trabalhadores (PT). A falta de uma oposição com ideologias claras e a proliferação de partidos fisiologistas na cena polí­tica da nação faz com que o Congresso Nacional tenha maioria governista esmagadora, o que dá direitos para que muitas matérias da constituição, inclusive, sejam colocadas goela abaixo da população, justamente pelo poder que o governo federal e o PT possuem ao chamarem partidos numerosos como, por exemplo, o PMDB  para sua base, por conta de trocas de cargos no executivo que geram somente empregos para a base do partido e a possibilidade de o partido fazer caixa, muitas vezes de forma pouco republicana para suas campanhas futura.    

 Esta extrapolação de poder na mão de uma corrente ideológica  faz com que acenda uma luz vermelha para a sociedade. O PT conseguiu conquistar a massa da população brasileira através de suas polí­ticas clientelistas de transferência direta de renda; conseguiu fortificar e aumentar sua base de militância através da farta distribuição de cargos de confiança em todo o Brasil e, afinal, achou a fórmula de se aproximar de partidos sem ideologia maior, dando-lhes simplesmente a única coisa que lhes interessa: cargos e benesses do poder. E isto dá espaço para que exerça sua vontade andando com carta branca nos vieses ideológicos de sua gestão. O poder que o partido possui atualmente chega a ser perigoso, pois não representa, de fato,  a média da ideologia dos brasileiros, mas, de direito, possui estrada livre para implementar na nação o que quiser.

   O Partido dos Trabalhadores merece parabéns pelo que conseguiu como sigla, mas movimento da oposição sério, que estruture a militância dos partidos opostos, e que flerte com partidos fisiológicos, buscando trazer de volta alguns deles para defenderem os contrapontos das matérias discutidas na estrutura da nação é a única forma da sociedade experimentar o saudável equilí­brio entre ideais no paí­s. As decisíµes últimas feitas í  revelia da vontade do povo são sinais claros desta distorção. As decisíµes são equilibradas quando há discussão. E as discussíµes só se tornam saudáveis quando há  um mí­nimo de equilí­brio entre as forças vivas da sociedade.


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados