Por Guilherme Rocha
Na semana passada, foi publicado por num meio de comunicação local que grupos empresariais, de Sombrio e Torres, estariam interessados na compra de toda uma quadra no Centro de Torres, para a construção de prédios residenciais e comerciais. Até este ponto tudo bem, mas uma polêmica instaurou-se em razão de um simples fato: a área em questão é onde se localiza o Salão Paroquial, e havia sido doada para uso da Igreja Católica. Em meio a rumores e informaçíµes confusas, o jornal A FOLHA foi averiguar sobre o fato com quem realmente sabe, sem se basear em rumores.
O debate na Câmara de Vereadores
O vereador George Rech levantou a questão na sessão da Câmara da semana passada, que a igreja Católica de Torres estaria vendendo a quadra onde existe o Salão Paroquial, algumas pequenas lojas alugadas pela paróquia e a área onde se instala nos veríµes o Parque de diversíµes. O vereador falou sobre o assunto em clima de protesto. Para o George Rech, a igreja estaria manipulando a boa vontade da comunidade e dos fiéis da Igreja. í‰ que a área foi doada pela prefeitura, e não seria justa a transformação do local em recursos financeiros. Para o vereador a quadra já é tradicional na cidade; o salão paroquial é um equipamento utilizado por vários setores sociais da cidade para promover eventos benemerentes e, para ele, seria uma falta de respeito, inclusive, ás outras religiíµes.
Na mesma sessão, o vereador Gimi indicou que uma lei, aprovada em 1954 pela Câmara Municipal da época, autorizou a prefeitura que realizasse a doação da área para a Igreja. Porém, o local não poderia ser vendido.
Já fora do auditório da Câmara, o vereador Zé Ivan Pereira conversou com o jornal A FOLHA sobre o assunto. Devemos considerar aquilo que é bom para o município, a legalidade da situação e a opinião dos fieis. Nossa cidade foi construída sobre terras públicas, áreas que foram cedidas pelos governos vigentes, e portanto a situação da quadra do Salão Paroquial era usual, ainda mais nos anos 50. A igreja também tem suas despesas, pois investe quase qe exclusivamente no bem da sociedade e em obras benemerentes. Portanto, como negócio, a venda do terreno seria interessante para ajudar financeiramente a instituição. Porém, sem legalidade na situação, a venda perderia sua legitimidade indica o vereador, que complementa. Particulrmente sou católico e seria favorável ao negócio, que melhoraria sensivelmente as estruturas da igreja, além de gerar emprego e renda para Torres
Uma conversa com o padre í‰dson
Ainda assim, as negociaçíµes entre empresários e igreja continuam, buscando resolver o imbróglio jurídico. Meios de comunicação daqui de Torres vêm dizendo que a população e os fiéis estariam indo massivamente contra o negócio. Mas segundo o padre Edson Luiz Bataglin, pároco da Paróquia São Domingos, secretário da Juventude da Diocese do Litoral e um dos principais envolvidos na polêmica questão. Durante a missa do último final de semana, introduzimos a idéia de venda do terreno aos fiéis, e a nossa comunidade literalmente aplaudiu a iniciativa e a transparência por parte da Igreja. Não compactuo com a versão de que os fiéis estão contra a venda do terreno, muito menos a Coordenação da Paróquia. Ao invés disso tenho recebido mensagens de apoio em relação a medida
Jovem, surfista e violeiro, Edson vai contra o estereótipo geralmente estabelecido quando se pensa em um padre. Cheio de energia e boa vontade, o pároco (que está estabelecido em Torres há 4 meses) explica que ainda não há qualquer certeza sobre a realização do negócio. Nada está definido, estamos ainda estudando a viabilidade do negócio para potencializar as possibilidades. Estamos conversando com o vereador Idelfonso Brocca (presidente da Câmara Municipal) em busca de alternativas para superar os entraves legais, mas por enquanto estamos a espera de uma resposta mais conclusiva
Sobre a repercussão midiática do assunto, que colocou a igreja num papel quase de vilã, dizendo que a instituição católica estaria agindo sem transparência e contra a vontade dos fies, Edson indica que Ficamos chateados por tantos meios de comunicação divulgarem diversas informaçíµes baseadas em rumores.Ninguém veio realmente conversar a administração da paróquia, e ainda assim estavam acusando a igreja de falta de sensibilidade, de ganância. A religião,quer ela qual seja, defende a vida e o bem homem acima de tudo. Não temos qualquer interesse financeiro na venda dos terrenos, queremos apenas melhor capitalizar a área em debate. E os meios de comunicação deveriam ter consciência do equívoco que é publicar informaçíµes sem procedência, criticou
O pároco indica ainda como as vantagens de uma eventual venda do terreno, o que valorizaria a área. A igreja não teria qualquer custo com a obra, e receberia, em troca da cessão do terreno, em torno de 20% do espaço construido final. Entre as novas instalaçíµes, teríamos um dos salíµes paroquiais mais modernos e amplos do litoral, com isolamento acústico e longe do Hospital Municipal, que não perceberia absolutamente nenhum ruído de um eventual uso do espaço em festas e eventos. Além disso, a igreja poderia lucrar ainda com o aluguel de salas comerciais que os seriam cedidas, cuja verba acabaria revertendo em ajuda para muitas famílias carentes que precisam do nosso apoio. E durante as obras, seriam gerados centenas de empregos, valorização da área e uma cidade de Torres ainda mais desenvolvida, conclui o padre í‰dson.


