Por onde andam? As promessas da dupla Grenal que não vingaram

24 de julho de 2012

 

Por Guile Rocha

 

No começo dos anos 2000, começavam a se destacar nas categorias de base três jogadores da dupla Grenal. No Olí­mpico, Bruno era citado pela imprensa como sucessor do talento de Ronaldinho Gaúcho. Já no Beira-Rio, os gêmeos Diego e Diogo surgiam como esperança de glórias para uma torcida (na época) em jejum de tí­tulos. Porém, o futuro não reservou a estas promessas de craques uma carreira de destaque no futebol como se esperava

 

 

Bruno: Promessa de herói que virou vilão no Tricolor

 

 

Bruno comemorando seu último gol pelo Grêmio, pela Série B, em 2005

 

 

No Grêmio, Bruno virou manchete nacional quando despertou o interesse do Arsenal, em 1999. Os Gunners, na época, ofereceram 250 mil dólares para que o garoto de quinze anos passasse por um perí­odo de testes em Londres. Então destaque da Seleção Brasileira sub-15 e do infantil do Grêmio, a famí­lia do garoto recusou a oferta.

Campeão e destaque pela Seleção Brasileira Sub-17 no Sul-Americano da categoria em 2001, no ano seguinte Bruno conseguiu sua primeira chance entre os titulares. Lançado por Tite, não demorou a ser comparado a Ronaldinho Gaúcho e colocado como o primeiro sucessor do craque. No clima de oba-oba que se seguiu í  profissionalização, o fato de ter pulado fases de preparação nos juniores seria essencial em seu futuro, principalmente no que tange ao aspecto psicológico. Para Tite, "a comparação com o Ronaldinho foi extremamente prejudicial. O Bruno tem um estilo mais cadenciado, o Ronaldinho é explosivo. E não dá para comparar um jogador em formação com outro que já está pronto".

Em 2002, primeiro ano do meia nos profissionais, o Grêmio liderado por Danrlei, Gilberto e Rodrigo Fabri chegou í s semifinais do Brasileiro. Mesmo num ambiente considerado vencedor e relativamente tranqí¼ilo, Bruno não conseguiu aproveitar bem as oportunidades.

 

Decepção no Grêmio

 

 O ano de 2003 não começou bem para o tricolor gaúcho. A desclassificação na Libertadores acirrou os ânimos no Olí­mpico. Tite caiu e deu lugar a Adí­lson Batista. O novo técnico chegava com uma missão complicada: além de salvar o time do rebaixamento, socorrer Bruno também estava no projeto.  Na época, mesmo com apenas com 19 anos recém-completados, a torcida lhe dava uma alta carga de responsabilidade. Sentindo a pressão de substituir Ronaldinho, Bruno era acusado de falta de vontade em campo: seu jogo cadenciado não era bem aceito e a torcida acabou marcando o meia após poucas partidas.

Com o Grêmio salvo da Série B, o Sporting de Lisboa surgiu com uma proposta para contratá-lo, mas Bruno optou por permanecer em Porto Alegre após se reunir com Adí­lson Batista e ouvir do comandante sobre sua importância na equipe que se desenhava para 2004. Aquele que seria seu ano de consagração logo se tornou seu inferno astral. Adí­lson não demorou a ser demitido e, com um Grêmio desfigurado e sem qualquer padrão, a rotatividade de técnicos ajudou a fazer com que o meia se queimasse de vez. A torcida vaiava Bruno a cada toque na bola e insurgia contra qualquer técnico que o colocasse em campo. Mesmo com uma participação relativamente pequena no campeonato daquele ano, a torcida não o poupou e o marcou como um dos responsáveis pela queda gremista para a Série B. Ainda que sem moral no time, foi mantido no elenco. Em 2005, na reserva, ele foi ainda menos aproveitado na campanha de retomada que levou o Grêmio de volta í  Série A.

 

Tentando a sorte longe do Olí­mpico

 

Contratado pelo Fluminense em 2006, esperava-se que Bruno mostrasse seu futebol longe da pressão de Porto Alegre. Mas a precariedade no futebol do Flu, que viu seis técnicos no decorrer da temporada, definitivamente não lhe auxiliou na afirmação. Com menos glamour, o ano de 2007  foi o mais brilhante de sua carreira, por ironia do destino. Sem ninguém que apostasse em seu futebol, o meia aceitou o convite do Porto Alegre para disputar a segunda divisão gaúcha e não decepcionou. No segundo semestre, Bruno acertou com o Joinville para a disputa da Copa Santa Catarina, uma parceria que deu certo, rendeu ao JEC o vice-campeonato do torneio e a Bruno o primeiro momento de simpatia por parte de uma torcida.

Depois de um bom ano transitando em categorias inferiores, Bruno recusou propostas de clubes paulistas para voltar ao Rio Grande Sul. Em sua apresentação ao Santa Cruz, se disse mais completo, sabendo marcar e chamar o jogo para si com mais atitude. No mesmo perí­odo, Denis Abrahão, diretor de futebol do Grêmio na época de Bruno, foi categórico: "Agora chegou o momento dele. Ele era muito imaturo, mas tem talento de sobra. Se encontrar uma equipe em que consiga desenvolver seu potencial, pode vir a se tornar um jogador top de linha". Abrahão acabou se enganando. Mesmo sem a pressão dos anos do Grêmio, Bruno jamais conseguiu brilhar no clube do interior gaúcho, que por pouco não foi rebaixado do Gauchão.

 

Caminho do esquecimento

 

Ainda assim, o meia conseguiu o último suspiro e foi contratado pelo Cruzeiro em 2008. Bastaram três partidas para que a exigente torcida celeste começasse a vaiá-lo. Ele estava lento, errava passes, errou até em bola num jogo pelo Brasileirão. No seu quinto jogo, foi extremamente vaiado pelo Mineirão logo que o técnico Adí­lson Batista (o único treinador que ainda acreditava em Bruno) o chamou entre os atletas que aqueciam.  

Desde então, a internet brasileira tem poucos registro sobre o futebol de Bruno. Passou novamente pelo Porto Alegre, também pelo Metropolitano e foi tentar a sorte fora do Brasil. No União de Leiria, fez um trabalho razoável, mas obteve grande sucesso no Consadole Sapporo em 2011. Com apenas 12 derrotas no ano, o pequeno clube japonês acabou em terceiro lugar na segunda divisão nacional, e conquistou o acesso para a J-League (elite do futebol japonês). Isto foi considerado um grande feito, e Bruno teve seu momento de glória na carreira, Com 27 anos de idade, ele retornou ao Brasil em 2012, depois de duas temporadas no Exterior, para defender o Guarani. í‰ reserva, e ainda não marcou gols no ano.

 

 

 

Diego e Diogo: Os gêmeos colorados que nunca engrenaram

 

 

Gemêos Diogo e Diego, durante sua passagem pela China, em 2009

 

 

Quando Ronaldinho surgiu no Grêmio, colorados dos quatro cantos desdenharam o craque rival. No inter do começo dos anos 2000, as esperanças repousavam em uma dupla que, ainda nas categorias de base, empilhavam gols e boas atuaçíµes e fazia brilhar os olhos de uma torcida que passara a década de 90 vendo o principal rival acumular tí­tulos. Eram os gêmeos Diego e Diogo

Não era nem Ronaldinho. A expectativa era de que seriam os novos Ronaldos (Nazário), que era a referência da época. E sempre se imaginava o quanto seria legal uma dupla de irmãos craques jogando pelo Inter comenta o jornalista Gustavo Alves, da Zero Hora.

Mesmo com todo o sucesso nas categorias de base e com passagens por seleçíµes sub-20, o atacante Diego e o meia Diogo não conseguiram se firmar no time principal do Inter. Talvez as esperanças e expectativas sobre os então garotos, que debutaram no time profissional colorado prematuramente, com apenas 16 anos (em 2001), tenha exercido pressíµes demais sobre a cabeça da dupla. Jogando juntos e como titulares, receberam poucas oportunidades na equipe colorada, e aos poucos os torcedores (que esperavam milagres da dupla) viram a parceria dos gêmeos ser desfeita.

 

Caminhos separados, sucesso moderado

 

 O que mais teve oportunidade no Inter foi Diego. Ele fez parte do trio mágico colorado em 2003, e tinha como companheiros Nilmar e Daniel Carvalho. Em 2004, atuou com Rafael Sóbis e Chiquinho. Durante estes dois anos,  Diego mesclava atuaçíµes de destaque com outras nem tão boas, tendo marcado no total 14 gols, sendo o mais marcante contra o Boca Juniors no Estádio La Bombonera, pela semifinal da Copa Sul-Americana de 2005. Se destacava na habilidade e velocidade, mas sempre foi considerado muito franzino e cavador de faltas. Com Sóbis se firmando como titular do inter em 2005, Diego começou a perder espaço no time, e começou a ser emprestado. Teve passagens frustadas por Santos e Sport, e uma mediana participação no Figueirense de 2006.

Já o meia Diogo nunca teve muitas oportunidades no colorado. Entre 2002 e 2004 jogou pelo Inter pouco mais que uma dúzia de partidas, figurando na reserva e marcando apenas um gol durante sua passagem. Entre 2005 e 2008 foi emprestado para Coritiba, Ipatinga, Bragantino e Paulista, sendo que apenas no Paulista, durante o ano de 2009, conseguiu ter boas atuaçíµes e se firmar como titular. O Inter, aquele mesmo que Diogo teria a incumbência de que salvar com seu irmão Diego, acabou ficou para trás. O nosso momento no Inter passou. Mas continuamos acompanhando e torcendo pelo clube, nossa famí­lia é colorada, disse Diogo í  Zero Hora alguns anos atrás.

 

Parceria refeita

 

Para reativar a dupla, os irmãos tiveram de trocar de continente. Eles jogaram juntos em 2009, no Guangzhou Pharmaceutical F.C., da China. Na ísia, reencontraram o sucesso e se tornaram í­dolos locais.  A torcida gostava muito de mim. Com a chegada do Diego, o Guangzhou fez uma campanha forte de marketing. Foi a primeira vez que gêmeos atuaram juntos no futebol chinês, contou Diego na época.

Durante a temporada no futebol chinês, a dupla também encontrou vários outros brasileiros. Alguns bem conhecidos dos gaúchos, como os atacantes Rodrigo Paulista, Jefferson Feijão e Gustavo Papa, além do zagueiro Scheidt.

                      Apesar do forte apelo de marketing que a dupla de gêmeos tinha fora de campo, nas quatro linhas a dupla nunca chegou a ser genial. Após dois anos na China, Diego transferiu-se ao Nacional, de Portugal, onde faz relativo sucesso e alguns gols. Diogo voltou ao Brasil, e agora joga pelo Bonsucesso, onde disputou o Campeonato Carioca em 2012.

 

 

 

 


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