Por que não recriar o Dia da Criança?

18 de outubro de 2011

Em que mundo vive uma criança hoje? Certamente diferente do mundo em que viviam seus pais, quando crianças. í‰ só comparar uma frase corriqueira, que ouvimos em profusão nos dias atuais, que seria impensável alguns anos atrás:

 

– Mas ele tem de tudo!   E quem disse que criança que tem tudo é a mais feliz?Até algumas décadas atrás, a criança deveria lidar com o não ter, com a impossibilidade, com o adiamento da satisfação de seu prazer, em outras palavras com uma falta. E os pais dessa criança, por sua vez, deveriam suportar essa falta da criança, mesmo que isso tocasse em suas próprias faltas, afinal não podemos esquecer de que a criança toca na criança que temos… dentro de nós.

 

Nos tempos atuais, de globalização, está havendo a sedimentação de um sistema econí´mico que afeta a todos, que permeia as relaçíµes, que cria necessidades imaginárias, que fomenta transformam desejos em necessidades urgentes levando a um consumismo alienante.   E o pior, um sistema que se retroalimenta a partir da consecução de um primeiro desejo supostamente satisfeito, que pede uma substituição rápida por outro objeto que tampone esse desejo, e assim continuamente. Afinal, o que importa é ver uma criança feliz! Alguém precisa estar sempre feliz, ou seja, dar a possibilidade grande de meu filho vir a ser o que eu não fui, ter o que eu não tive. Aqui um grande equí­voco, pois quem disse que as necessidades dele serão iguais as minhas? Que legado estamos deixando aos nossos filhos?Para não sofrerem, poupamos nossos filhos de viver a frustração é privando, por conseguinte, do direito de crescer.  

 

 Neste dia da criança, lamentavelmente o mundo está sem idéias, apenas a roda do consumo gira, aliena, seduz e esvazia a satisfação do desejo que sempre se renova e incansavelmente não encontra seu verdadeiro objeto de satisfação. A criança ganha o brinquedo, pronto, engessado, sem possibilidade de criar, recriar, transformar, e assim, acaba sendo esquecido ao limbo! Mas e que tal um dia no parque, um piquenique com a famí­lia, um encontro de verdade, um brincar juntos, um trocar palavras de amor, estas sim serão memórias afetivas vivas jamais esquecidas e compráveis numa prateleira de loja de brinquedos.  


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