Proliferação de insetos no verão. Como mantê-los longe?

11 de janeiro de 2013

Somente as fêmeas de mosquitos sugam o sangue

 Se tem uma coisa que incomoda no verão é aquele zunido de mosquitos ou moscas ao redor. Pior ainda são as reaçíµes alérgicas na pele causadas pelas picadas de insetos, para quem tem esse problema. Isso sem contar o risco de transmissão de doenças graves, como dengue e malária.    Buscando se proteger contra estes indesejados problemas, é comum apelar para inseticidas, repelentes e dedetizaçíµes durante o verão. No entanto, a própria natureza pode se encarregar da missão de manter os insetos longe.

 

O verão e a proliferação

 

O aumento da umidade do ar e as altas temperaturas estimulam as atividades reprodutivas dos insetos, provocando sua proliferação. Então, para livrar sua casa desse incí´modo, todo cuidado é pouco. Além de serem intrusos asquerosos e irritante (dependendo do inseto e do ponto de vista da pessoa), alguns deles ainda podem provocar doenças.

A limpeza dos lares é um dos principais meios para se combater os insetos, mas muitas vezes não é o suficiente. A dedetização também é uma arma eficaz, mas nem sempre esta ação é capaz de eliminar todas as incí´modas espécies.

– Há venenos especí­ficos para cada tipo de inseto. A pessoa precisa saber quais as espécies que estão proliferando em seus lares antes de contratar o serviço, que também não impedirá a entrada dos insetos voadores, que são atraí­dos pela luz como a barata de esgoto e o cupim – afirma Anthony í‰rico Guimarães, chefe do Laboratório de Dí­ptera, do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), entrevistado pelo site O Globo.

 

Baratas

 

Existem dois tipos de baratas que podem ser encontradas dentro das casas mais frequentemente.   As baratas de esgoto são grandes, escuras e voadores que, geralmente, invadem as casas durante a noite, atraí­das pela luz, em busca de restos de comida. Essas não são criadas em nossos lares. Normalmente, seus criadouros e abrigos são lugares quentes e úmidos como esgotos e fossas (como o nome sugere). Insetos resistentes, mesmo numa casa limpa e dedetizada elas podem entrar sem cerimí´nias.

O papel efetivo das baratas como transmissoras de doenças ainda não é bastante claro, porém existe uma série de organismos patogênicos comprovadamente associados a esses insetos, como bactérias, fungos, helmintos, protozoários e ví­rus. Por isso, é recomendável nunca deixar louças sujas na pia de um dia para outro e panelas abertas com comida sobre o fogão. Para barrar as asquerosas voadoras, neste perí­odo do ano, só fechando as janelas ao anoitecer ou usar telas mosquiteiras.

Elas também chegam í s residências pelos ralos dos banheiros, cozinhas e áreas de serviço. Entretanto, os insetidas aerossol não resolvem o problema, já que facilmente o veneno será levado pela água que escoa no ralo. Embora sendo dos esgotos, essas baratas escuras podem fazer o criadouro dentro das casas dependendo da higiene doméstica do ambiente.

A barata doméstica, pequena, marrom e amarela, cria-se em nossas casas, dentro de armários de cozinha e roupas, depósitos quentes e úmidos, forração interna das portas de geladeiras, assoalhos de banheiro, etc. A limpeza periódica da cozinha, a vedação de frestas e o cuidado com infiltraçíµes podem prevenir uma grande infestação por baratas. Caso o número desses insetos no ambiente seja alto, deve-se chamar uma empresa de dedetização idí´nea. Algumas iscas para controle das baratas, encontradas em estabelecimentos comerciais e supermercados, podem ser eficientes também.

 

Moscas muitas vezes colocar seus ovos sobre lixo e restos de comida

 

Mosquitos e pernilongos

 

No caso dos mosquitos, a incidência aumenta porque, com as chuvas, cresce o número de criadouros e a temperatura elevada acelera o ciclo de desenvolvimento. Eles têm hábitos crepusculares e noturnos, também nos causam grande incí´modo e podem transmitir doenças. desenvolvem-se em 4 fases: ovos, larvas, pupas e adultos. As três primeiras fases ocorrem na água e a última no meio terrestre. O surgimento de pernilongos, um mosquito urbano, está mais ligado í  falta de saneamento básico, pois estes fazem seus criadouros fora de casa, usando primordialmente a água parada (dos córregos, esgotos e valas). Para evitar que entrem nos lares, é bom adotar o hábito de fechar a janela antes do pí´r-do-sol. Mas o quê fazer quando eles já entraram nos quartos?

Segundo o especialista Anthony Guimarães, os aparelhos elétricos (pastilha ou lí­quido) e mesmo o aerossol são apenas paliativos, espantando as fêmeas dos mosquitos (já que os machos não sugam sangue, apenas ficam zunindo incomodamente próximo aos nossos ouvidos ), mas nenhum deles realmente mata o mosquito. Para que um aerossol realmente extermine o inseto, é preciso que uma gota do produto acerte o mosquito em cheio, pois caso contrário apenas o espantará.

Todos esses produtos se baseiam no fato de as fêmeas dos mosquitos serem atraí­das pelo odor que o humano elimina naturalmente pela pele, principalmente o ácido lático e o CO2 liberado na respiração. Quando usamos esses aparelhos que produzem cheiros, assim como os repelentes usados diretamente na pele, a fêmea do mosquito não consegue "descobrir’ ou ‘perceber’ a presença do homem. Mas são apenas paliativos, pois só funcionam quando estão ligados.

Algumas espécies são vetores de doenças que podem ser fatais ao homem, como o dengue e a febre amarela. Para prevenir a proliferação destes insetos, deve-se evitar água acumulada em pratos de vasos, pneus ou qualquer recipientes onde a água permaneça majoritariamente parada, assim como manter a caixa d™água bem fechada. Recomenda-se fechar as janelas logo ao entardecer ou utilizar telas mosquiteiras. Lugares menos óbvios, como as bandejas de geladeira e de aparelhos de ar-condicionado também precisam ser lavadas regularmente, assim como as vasilhas de água de animais de estimação.

 

Moscas e cupins

 

As moscas são outro grupo de insetos indesejados, pois além de ficar zumbizando irritantemente a nossa volta, elas pousam em todo lugar e podem contaminar alimentos. As moscas adultas freqí¼entam o lixo e, muitas vezes, depositam ali seus ovos, sobre carcaças e restos de comida.

Por isso, é fundamental buscar sempre limpar e manter as lixeiras fechadas, assim como não acumular resí­duos orgânicos, pois as moscas depositam seus ovos sobre restos de alimentos, que servem de comida para as larvas. Há também as pequenas moscas de banheiro que se criam nos ralos dos boxes devido í  alta umidade. Para combatê-las, usar inseticida usualmente ou detergente no ralo.

Mesmo nos lares limpos e dedetizados, acontece a entrada das espécies aladas. Em alguns casos, especialmente nas noites bem quentes e úmidas, basta deixar as janelas abertas para perceber a revoada de cupins voando em torno de pontos luminosos. Parecem inofensivos, parece que seu único propósito é servir de kamikazes prontos para perderem suas vidas em nossos copos e pratos, no meio das refeiçíµes.

Mas é ali que os pares se formam. Quando ocorre a perda das asas, o par procura um local favorável para iniciar uma nova colí´nia, com milhares de larvas. A partir daí­ livros, móveis ouqualquer tipo de madeira correm o risco de se tornarem refeição de cupins. Como paliativo, é possí­vel colocar querosene nos pontos onde há indí­cios do inseto. Quando detectar um móvel infestado, alguns cupinicidas de uso livre poderão ser eficazes, mas para liquidá-los em caso de infestação generalizada, a dedetização especifica ainda é o melhor caminho.

 

Baratas voadoras entram em nossas casas atraí­das pelo lixo e pela luz

 

Formigas e bicho-do-pé

 

Outro inseto que se torna mais comum nos lares no verão é a formiga, que se instala em jardins, azulejos quebrados, vãos de armários e prateleiras. Uma alternativa para combatê-las, segundo Anthony Guimarães, é criar uma barreira mecânica com graxa, detergente ou óleo. Mantenha também os alimentos sempre cobertos e fechados .

As formigas não transmitem doença na mesma intensidade que os mosquitos, mas são importantes condutores mecânicos de doenças, carregando todos os micróbios e bactérias de seu trajeto. Em casa, as formigas causam muito incí´modo, principalmente quando resolvem visitar nossos alimentos e até nossa cama. Um saquinho com cravo-da-í­ndia é uma solução para afugentar as formigas do nosso açucareiro.

Um passeio na beira da praia pode significar um incí´modo se a pessoa tiver o azar de pegar um bicho-do-pé. Oficialmente conhecido por Tungiase, é uma das infecçíµes cutâneas mais freqí¼entes no verão. Trata-se do alojamento da pulga feminina de nome cientí­fico Tunga penetrans, que se aloja na pele para se alimentar do sangue e pí´r ovos. Instala-se geralmente próximo í  unha do pé, mas pode se hospedar em qualquer parte do corpo, tanto de seres humanos como de animais. Os principais sintomas da infestação é uma leve coceira local, que pode evoluir para úlceras dolorosas, que culminam com freqí¼ência em infecçíµes secundárias e Inchaço.

Para o tratamento deve-se procurar um médico para a remoção do bicho-do-pé, que poderá indicar, se necessária, a utilização de antibióticos, além da vacinação contra tétano. A utilização de calçado sempre que estiver em locais que podem estar infectados (como areia, chuveiros e banheiros públicos) ajuda na prevenção.

 

Repelentes naturais

 

Para evitar incí´modos, é comum apelar para inseticidas e repelentes nesta época do ano. No entanto, a própria natureza pode se encarregar da missão de espantar os insetos. São os chamados repelentes naturais, caso da andiroba e da citronela.

A andiroba é uma árvore de grande porte encontrada desde o Paraguai até a América Central, ocorrendo principalmente em áreas úmidas da região amazí´nica. De suas sementes, é extraí­do um óleo que funciona como fagorrepelente, ou seja, tira o apetite dos insetos hematófagos, como pulgas, mosquitos, carrapatos, piolhos e moscas.

O óleo de andiroba é usado na fabricação de velas de ação repelente de insetos, especialmente os . Recentemente descobriu-se que as velas feitas com andiroba também espantam o mosquito que transmite a dengue, o Aedes aegytpi.

Já a citronela é uma planta parecida com a erva-cidreira. í‰ originária da ilha de Java, na Indonésia, e é utilizada em muitos paí­ses no combate aos insetos. Tem cheiro semelhante ao do eucalipto. Suas folhas têm um óleo essencial, rico em citronela, geraniol e limoneno, que atua como repelente de moscas e mosquitos. í‰ usada na fabricação de velas e também de repelentes para o corpo

 

*com informaçíµes dos sites O Globo, Uol, Terra e Pragas.com


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