Ao tentar refletir sobre o tema penso que essas duas técnicas da Psicologia Clínica. Psicodiagnóstico e Psicoterapia, constituem parte do mesmo processo, uma é a continuação da outra, formam parte de uma linha de trabalho semelhante e suas diversas atividades visam o mesmo objetivo: descobrir as causas do sofrimento psíquico e tentar aliviá-lo da maneira mais adequada possível.
A comunicação do Psicodiagnóstico, a sua conclusão prepara caminho para a Psicoterapia. O trabalho diagnóstico é complexo, difícil e de grande responsabilidade. O paciente ao tentar verbalizar seu mal estar pode levar o especialista a confundir, por exemplo, ansiedade com depressão e e abordar bem como tratar erradamente. Como assinala Passalacqua é mais frequente do que se supíµe o médico dar ansiolíticos a um paciente com quadro depressivo, ou pior, antidepressivos para alguém muito angustiado. Sabemos, do ponto de vista Psicanalítico, que a angústia não é doença, masuma sinalização necessária de conflito psíquico, ou seja, é pela angústia que o paciente se mobiliza a buscar ajuda; sem ela não poderá saber do que sofre e por quê? Como todos os métodos de investigação e tratamento da Personalidade, o Psicodiagnóstico tem seus críticos. Alguns sem chegar a atacar o processo de frente o desvalorizam ao afirmar que é tarefa fácil, pouco comprometedora, trabalho para iniciantes em psicologia clínica.
O especialista em psicodiagnóstico, por sua vez, precisa de uma formação e aptidão especial para abstrair, concluir, num tempo geralmente exíguo, o essencial dos múltiplos dados da personalidade em estudo e pronunciar-se í respeito. Esse pronunciamento, em forma de Parecerou Laudo, é feito por escrito de trabalho. Durante mais de 30 anos de trabalho nesta área temos presenciado erros graves, determinados pela onipotência de certos especialistas que se negam a aceitar informaçíµes valiosas que podem ajudar a compreender melhor o desenrolar do processo terapêutico. As informaçíµes provenientes de um bom Psicodiagnóstico proporcionam uma visão mais completa do funcionamento da personalidade e contribuem, não apenas na escolha do melhor tipo de tratamento, como do profissional mais adequado a essa função. Por exemplo, se é da alçada doPsiquiatra, Psicanalista ou de uma abordagem terapêutica combinada de ambos.


