Psicoterapia e/ou psiquiatria?

12 de novembro de 2010

Pesquisas mostram que intervençíµes psicoterápicas e farmacológicas conseguem resultados semelhantes. O senso comum tende a encarar o tratamento psiquiátrico como indicado párea casos mais graves, ou seja, para loucos. Na verdade, existe um grande engano, pois muitas vezes a causa do sofrimento psí­quico é de origem orgânica, ou seja, cerebral. Assim, a medicação que o psiquiatra utiliza modificaria o funcionamento cerebral do paciente, para restabelecer seu equilí­brio psí­quico. Mas teria a psicoterapia o mesmo efeito? Se a psicologia utiliza como instrumento terapêutico a escuta e a palavra com o paciente, estaria ela também modificando a estrutura do cérebro, ou seja,   a sua bioquí­mica? Estudos apontam que sim!( LANDEIRA-FERNADEZ,J.;CRUZ, A.P.M., 2000).  

Nos últimos anos, pesquisas analisaram a eficácia da psicoterapia comparando-a com o tratamento farmacológico, sendo que ambas as intervençíµes (psicoterápica e farmacológica) conseguiram resultados positivos muito semelhantes, pois ambas resultaram na modificação nas mesmas estruturas cerebrais, o que nos leva a concluir que tanto a prática psiquiátrica quanto a psicologia produzem efeitos sobre o cérebro, já que o papel seria o mesmo: tanto uma como outra atuariam modificando o padrão de transmissão sináptica do cérebro e consequentemente alterando o modo de sentir, pensar, perceber o mundo ao redor, e consequentemente modificando a conduta.    

Desta maneira, as duas terapêuticas visam a mudança de comportamento, resultando em bem estar, qualidade de vida para o paciente. Por outro lado, é importante esclarecer que a indicação de medicação deverá ser criteriosamente investigada somente por um profissional com formação em medicina e psiquiatria, pois vemos que hoje existe uma forte tendência ao uso abusivo de medicação psicotrópica indiscriminado, í s vezes pela auto medicação, como uma busca iludida de satisfação, plenitude,   como no caso dos antidepressivos tidos como a pí­lula da felicidade. A maioria dos profissionais de saúde mental, os mais sensatos, entendem que ambas as terapêuticas são complementares e não antagí´nicas, em alguns casos, pois quando combinadas levam í  melhor eficácia.  

   

Referências:  

   LANDEIRA-FERNANDEZ, J.& CRUZ, A.P.M. Da filosofia í  neurobiologia: o que o psicólogo deve saber sobre efeitos da psicoterapia no sistema nervoso. Cadernos de Psicologia.    


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