Maria Helena Tomé Gonçalves
Mal começou a veiculação do horário político televisivo e os absurdos linguísticos e gramaticais dos candidatos í s próximas eleiçíµes começaram a aparecer provando que para ser aceito candidato é preciso bem mais em termos de escolaridade e conhecimento do que uma fajuta declaração dizendo que sabe ler e escrever indicando também o grau de escolaridade do candidato. Isso é pouco, muito pouco. Alguns candidatos a vereador na capital do nosso Estado no primeiro dia saíram com algumas pérolas maravilhosas de verdadeiros crimes contra a língua portuguesa. Vejamos: um candidato vai dar ensentivo í educação; outro disse Pesso teu voto; uma candidata é contrária ao disperdiço de dinheiro público; dois candidatos í reeleição, vejam só, reeleição saíram com mais duas pérolas: Trofel Solidariedade e Concurço público. Tudo isso no primeiro dia da Campanha, escrito nas legendas do horário eleitoral televisivo gratuito. Não fosse uma tragédia, seria cí´mico ver tanta falta de conhecimento da própria língua pátria, tanta ignorância e tanta falta de cuidado dos partidos que deixam essas asneiras irem ao ar em horários nobres e tanto ignorante sendo candidato, não apenas í eleição, mas também í reeleição.
Para qualquer concurso (com s) público é exigido pelo menos ensino fundamental completo, a maioria exige ensino médio completo, mas para ser político nesse país de-faz-de-conta basta declarar que sabe ler e escrever (mesmo que não saiba). Porque saber ler e escrever é muito mais do que garatujar seu próprio nome ou decifrar as letras escritas como fazem muitos candidatos. A principal tarefa dos vereadores e dos deputados é legislar e, mesmo que não sejam eles que redijam as leis (essas são de fato escritas por assessores em geral formados em Direito), eles precisam ler, ler muito as leis em que vão votar e outras leis, precisam saber analisar e avaliar o conteúdo das mesmas para aprová-las com um grau mínimo de consciência política e de senso do bem comum. Mas isso não é considerado nem pela legislação atual, nem pelos partidos que aprovam os candidatos. Para ser considerado um bom candidato basta que o cidadão seja popular e conquiste votos para a legenda que representa ou para o balaio de gatos que forma a coligação a qual o seu partido se aliou. Não se considera a possibilidade real do candidato mal instruído mas popular, simpático, trabalhador e, í s vezes, aquele cara que não deu sorte na vida e precisa do emprego de vereador e do salário que lhe é correspondente, para que ele seja inscrito candidato e seja até considerado um bom candidato. Depois, se for mesmo eleito, é outra coisa. Aí o cara aprende na marra ou vira um Maria-vai-com-as-outras ou vira um dependente do seu assessor que sendo indicado e supervisionado pelo Partido sabe bem mais que o próprio candidato eleito.
í‰ preciso mudar nossa legislação eleitoral. Para ser candidato a Vereador a escolaridade mínima deve ser Ensino Médio completo e para todos, digo todos os demais cargos eletivos, o mínimo deve ser Ensino Superior Completo. Hoje o ensino é acessível a todos os brasileiros, só não estuda quem não quer fazer esforço algum para isso. Embora nosso ensino seja de muito má qualidade é melhor esse ensino do que nada, do que analfabetismo simulado, disfarçado, escondido. Isso evitaria termos Presidente que se orgulha de não ter estudado e mesmo sendo um operário foi capaz de chegar í Presidência do País num bem sucedido esforço de superação ou termos um palhaço de profissão, o que não é vergonha nenhuma, mas a verdadeira vergonha é ser um analfabeto funcional disfarçado eleito Deputado Federal por um dos mais importantes estados brasileiros estar hoje ocupando inutilmente uma cadeira na Câmara Federal, cadeira essa desnecessária porque se está sendo ocupada por um incapaz prova que não é necessária, portanto poderia ser reduzido o número de Deputados e o País economizaria uma boa grana, pois não estaria pagando um representante do povo que não representa nada. (continua no próximo exemplar)


