Quando a dor de não estar vivendo for maior que o medo da mudança, a pessoa muda” (Sigmund Freud)

22 de abril de 2012

 

A compulsão í  repetição é trabalhada por Freud no texto "Repetir, Recordar e Elaborar" de maneira singular, destacandoa presença no psiquismo de uma compulsão í  repetição. Ele afirma que enquanto estamos emtratamento psicoterápico, ou análise, não podemos deixar de ter esta compulsão í  repetição, que é uma maneira de recordar sem que nos demos  conta do que está ocorrendo, ou seja, quando repetimos alguma situação, escolha, reação, atitude, estamos  atuando  sem saber que está se repetindo.

 Freud acreditava que para lidar com a repetição e superar a resistência a mudanças, é preciso tornar consciente o que está inconsciente.   Para Freud, nessa época, a repetição está identificada í  resistência, que está relacionada com as lacunas de memória. Portanto, espera-se que o trabalho analí­tico supere as resistências com o preenchimento das lacunas de memória através das interpretaçíµes do material inconsciente.

A compulsão í  repetição é um impulso í  ação que substitui o recordar; sendo assim, quanto maior a atuação, maior a resistência e menor a recordação. Logo, a repetição é definida como algo que faz oposição ao saber, sendo ela da ordem da ação. Desta maneira, quanto maior a alienação do indiví­duo ou inconsciência sobre si mesmo, tanto maior serão seus atos impensados e impulsivos.

 Assim, podemos concluir que para Freud, em 1914, o que resiste í  recordação é o material reprimido, ou seja:  o que está a ní­vel inconsciente, que não pode chegar í  consciência. Este material proibido de se revelar na consciência, pode ser uma cena, lembrança, fantasia, sentimento, desejo o qual causaria muita angústia, caso fosse descoberto num momento inoportuno; como num sonho em que acordamos sobressaltados, assustados com a lembrança viva da imagem que nos aterrorizou (um pesadelo). Neste sentido, a repressão deste material preserva o psiquismo da dor psí­quica, (angústia, ansiedade, culpa),  mas por outro lado aliena o indiví­duo em relação a si mesmo e a seus atos que encobrem uma motivação inconsciente, por isso impensados, repetitivos e muitas vezes sem sentido aparente, contraditórios e inconsequentes,o que dá uma sensação de estar na mesmice, num tédio e na vida sem sentido que não muda, não evolui.

Mal ou bem sabe a pessoa que ela é a única responsável por isso, mas não sabe disto.  A presença da repetição ultrapassa os limites do tratamento analí­tico, pois ela está presente na vida de todas as pessoas e revela um caráter pulsional, portanto, inerente í  condição humana. O que motivará o indiví­duo a ultrapassar esta repetição, será o enorme sofrimento de uma vida vazia, e sem sentido pela monotonia, podendo, este sofrimento motivá-lo í  busca de um tratamento psicanalí­tico.


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