Que tempo éeste?
11 de dezembro de 2010
A violência está inserida na vida moderna. í‰ fato! Sem pedir licença, se enraíza no cotidiano, seja por meio da mídia, nas praças, ruas ou na família, no lar… Muitas vezes, nos sentimos numa selva em que é necessário sobreviver, talvez sacrificando a paz, o bem estar e a felicidade para se defender em circunstâncias desafiantes de puro stress e medo, em que pode aflorar um comportamento explosivo e agressivo como proteção, escudo.
Atualmente é muito raro ver atitudes de cordialidade e respeito. Muitos de nós não nos enxergamos mais uns aos outros, parece que estamos cegos e surdos, com a sensação de sermos invisíveis, em função de uma cólera generalizada. Vivemos com pressa, correndo, atropelando, no meio do trânsito caótico, numa ânsia enfurecida de vencer o tempo, o trabalho, as contas, as dívidas de um consumo desenfreado… Parece que o tempo está passando mais rápido e sentimos que não temos mais tempo para nós, para introspecção, para contemplar o sol, a noite, a natureza, a vida que acontece ao nosso lado e nem nos damos conta. Estamos alheios, anestesiados e condicionados a correr atrás da máquina.
Neste contexto, crescem as novas geraçíµes, dentro de uma normalidade avessa. Compromisso com valores morais, a tolerância com o diferente, o elo com a justiça, o sentimento de solidariedade e compaixão, que deveriam ser semeados já na infância e na adolescência para serem firmados na vida adulta, dão lugar, muitas vezes, í violência, apontada em todo mundo com estatísticas crescentes. Podemos entender este fení´meno social por vários prismas, entre eles, a análise do vazio afetivo atribuído í modernidade. Parece que vivemos insatisfeitos, pois não basta ter saúde, queremos ser eternamente jovens, bonitos, sarados, irresistíveis. Não basta ter dinheiro para pagar aluguel, comida, cinema, mas queremos um castelo encantado de ouro. Quanto ao amor, não basta termos alguém com quem compartilhar uma boa conversa, ou uma pizza, e fazer sexo de vez em quando: queremos estar loucamente apaixonados, esperando declaraçíµes e presentes surpreendentes todos os dias, então esquecemos que podemos ser felizes de um jeito mais realista.
Por que não buscar aquelas coisas que nos saem de graça e que aquecem o coração, como um abraço, um sorriso sincero, o bom humor, o afeto? Trabalhar sem almejar a fama, o sucesso, e amar sem almejar ser para sempre, é pensar pequeno? Como, então, poderemos valorizar as grandes coisas se nem as singelas nos engrandecem?
A vida não é um jogo em busca de troféu. Se o ideal é muito grande, ele se torna inatingível, perdemos a força e o sentido de persegui-lo, pois nossa insatisfação nos torna obstinados e cegos; mal humorados e egoístas. Para onde estamos correndo? Aonde queremos chegar com isto?


