Resgatando, registrando e divulgando a HISTí“RIA DE TORRES

9 de julho de 2014

 

Foto do primeiro encontro ‘Conversando com a história’, que ocorreu no final de maio

 

 Por Roni Dalpiaz

Mestre em Marketing, Administrador e Turismólogo.

e-mail: ronidalpiaz@gmail.com

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 Dois encontros aqui em Torres – um no final de maio e outro na última semana – possibilitaram que momentos importantes de nossa história e cultura fossem resgatados

 

 

Que satisfação em saber que parte da memória torrense está sendo resgatada e consequentemente será preservada. Guardiíµes do cotidiano da cidade de Torres estão, aos poucos, contando parte do nosso passado recente e deixando um importante legado ao porvir.

Com a iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura e do Esporte (desmembrada do Turismo e melhor seria também do esporte, pois teria maior autonomia) foi organizado, desde o final de maio, o projeto Conversando com a História. O projeto consiste em palestras temáticas com o intuito de resgatar, divulgar e registrar, através da oralidade, as histórias da cidade. Já aconteceu, no mês passado, o primeiro encontro que foi direcionado aos mitos e personagens de Torres e de como eles influenciaram na construção da cidade e na identificação turí­stica e fotográfica. Participou a doutoranda em História, Camila Eberhardt, o jornalista Nelson Adams Filho, o delegado aposentado Ari Raupp Vieira e o meteorologista Bento Barcelos.

 

Causos da nossa história

 

Bento Barcelos descreveu com detalhes a famosa história do Sequilho, o cadáver mumificado de um descendente da primeira famí­lia torrense, José Rodrigues da Silva. Contou que durante a Revolução Federalista muitos homens foram degolados no que se chamou a Revolta dos Degolados. Rodrigues da Silva, neto de Manoel Porto, um dos precursores da cidade, foi degolado, envolvido em couro de boi e enterrado nas dunas. Quando as areias cederam, descobriu-se o corpo mumificado.

A pesquisa sobre o Sequilho foi continuada e divulgada por Bento Barcelos que creditou as informaçíµes a seu irmão o pesquisador já falecido, João Barcelos.

Ari Raupp narrou a história dos personagens que ajudaram na construção de Torres e de como o Coronel Severiano Rodrigues da Silva passou de analfabeto a prefeito eleito e reeleito da cidade. Já Camila ilustrou com várias fotografias a importância do Estúdio Fotográfico Feltes na construção da identidade turí­stica da cidade.

Nelson Adams Filho demonstrou a importância de José Antí´nio Picoral na escolha do turismo como fonte econí´mica, até então baseada na agricultura. Contou que Picoral propí´s ao Coronel Pacheco a implantação da Estação Balneária de Torres, dando iní­cio a era turí­stica da cidade.

 

 

O telegrama de Picoral e o turismo em Torres

 

 

O telegrama de Picoral, que estava em Tramandaí­, enviado ao então intendente de São Domingos das Torres, o Coronel Pacheco, no qual tratava sobre sua vontade em desenvolver o turismo balnear na cidade. Entre outras coisas dizia:
 
Cada vez mais me convenço de desenvolvermos uma estação balnear nos altos daí­. Pois temperatura aqui muito mais elevada, além de faltarem outros materiais. Saudaçíµes, Picoral.

   

 

 

História da Música na cidade

 

 

Foto com os palestrantes do segundo encontro, que tratou da história da música torrense

 

Neste mês foi a vez da música. Veio representá-la o Sr. Alziro Ramos, neto do maestro Antí´nio João Ramos fundador da primeira banda de Torres; o famoso artista torrense, cantor e ator Claudio Romario; o Sr. Agildo Bitencourt; o produtor musical e músico Francisco Reis e o músico Evandro Elias.

 Alziro Ramos narrou a saga da primeira banda de Torres, a de seu aví´ o maestro Antí´nio João Ramos. Uma banda composta por 16 músicos na banda, sendo 6 filhos (Paulo, José, Ludgero, Pedro, João e Alziro Vidal Ramos). A banda foi fundada em 1916 e alegrou a cidade durante 20 anos até a morte do maestro em 1936. Seu filho Ludgero continuou seu legado fundando a Corporação Musical Carlos Gomes de Morro Azul, na década de 1940.

Agildo do bandolim, com muita simpatia, contou que aprendeu a tocar repetindo algumas notas no violão de seu irmão. Depois se voltou para o bandolim, que também aprendeu sozinho, de ouvido (escutando no rádio e outros músicos). Bem humorado, diz que é o melhor tocador deste instrumento na cidade, esclarecendo não conhecer mais ninguém que toque bandolim por aqui. Ele foi um dos pioneiros músicos da cidade.

Claudio Romario contou sobre seu iní­cio na música e seu primeiro conjunto, o Trepidasom. Falou, também, de suas aventuras como ator e que inclusive está fazendo um novo filme sem data para ser lançado.

Evandro Elias, em seu relato, contou que participou do Trepidasom com Claudio Romario, sendo este um grande incentivador de sua carreira musical. Mais tarde entrou para a banda Fórmula 1 com Francisco Reis e outros músicos. Depois de alguns anos fundaria o musical Karisma, fruto da fusão do Fórmula 1 com o Embalo 5. Karisma que seria, segundo ele e os outros participantes do evento, o mais completo (e melhor) conjunto musical da cidade por muitos anos.

Francisco Reis falou em conjunto com Evandro, pois suas histórias musicais se confundiam. Estavam juntos na maioria das ocasiíµes musicais, inclusive na primeira Guarita da Canção.

Outros destaques do segundo encontro foram:

·                 Guarita da Canção: Uma música feita por Francisco Reis e outros músicos torrenses ganhou o primeiro lugar neste festival, sendo a escolhida por voto popular.

·                 Primeiro disco de vinil: Claudio Romario foi o percursor no lançamento de disco vinil na cidade. Seu disco compacto com quatro músicas tinha o nome Caminhos.

 

A história oral e o resgate do passado

 

A sensação de voltar alguns ou muitos anos atrás é totalmente especial. Ouvir da fonte viva, é melhor ainda. A história oral é um método que ajuda a conservar a memória local, regional e nacional, e é de grande contribuição para o resgate histórico.

 

í‰ preciso preservar a memória fí­sica e espacial, como também descobrir e valorizar a memória do homem. A verdade de um pode ser a verdade de muitos, possibilitando a evidência dos fatos coletivos. A história oral destaca a importância das pessoas como testemunhas do passado e, que é bom ouvi-las, pois elas têm sempre alguma coisa interessante a dizer. (Thompson)

 

í‰ extremamente importante para uma sociedade valorizar o passado construí­do através de suas pessoas, tratando o antigo com o apreço que ele merece. E é isso que se espera com este tipo de encontro. Valorizar a história, não apenas fí­sica, mas também a memória do homem. Maior ou menor relevância não existe neste tema, o importante, o essencial é subjetivo e fica por conta do interlocutor.

O que prevalece é o resgate, o registro e a divulgação.  Nas ruas de Torres está a história esculpida em cada casa, em cada calçada, em cada muro, em cada monumento. O tempo e a modernidade podem ir aos poucos destruindo tudo isso, mas não poderá apagar da memória de seu povo se ele souber repassá-la í s geraçíµes futuras.

 

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Fontes: THOMPSON, Paul. A voz do passado – Historia Oral. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992; Site Prefeitura Municipal de Torres.

 


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