Roupa suja

6 de maio de 2012

 

Roupa suja

 

O gestor do Parque Itapeva em Torres foi í  câmara para desabafar sobre o que chamou inverdades publicadas em um jornal local (não é A FOLHA). Mas ele acabou repetindo, em público, justamente o que reclamava. Acusou o vereador Gimi de ter sido o mentor da divulgação das inverdades. Cobrou e pagou a conta com a mesma moeda. A questão ficou feia e pareceu uma lavação de roupa suja em público.

Mas foi bom para a cidade. Tem lingí¼iça neste arroz. Um dos três está mentindo. Ou é o vereador Gimi, ou é o gestor do Parque ou é o jornal.

 

Roupa suja 2

 

 Por trás da lavação de diferenças, está o foto, cabalmente provado pelo vereador Gimi, do desligamento da água de um cidadão torrense. Gimi acusa a pressão da Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Mostra com documentos que a justiça reverteu contra a ação de corte e mandou religar a água.

Já o gestor do parque diz que o problema foi da Corsan, que, conforme ele, não poderia ter sequer ligado a água. Diz que o Estado vai recorrer e responsabilizar a Corsan. Diz, afinal, que está cumprindo as leis vigentes.

Ora, acho que o gestor do PEVA em Torres não está entendendo o âmago do assunto, ou não quer concordar e está botando a culpa na lei, na subordinação. A cidade, o vereador Gimi, todos, não querem denegrir o nome do gestor local. Querem que a secretaria onde ele trabalha pare com as atrocidades feitas sem nenhuma visão humanista do processo.   Se o gestor achar que está sendo prejudicado pessoalmente, deve levar isto í  sua chefia e pedir providências, inclusive jurí­dicas se for o caso.

Não é nada coerente desligar a luz ou a água de uma famí­lia simples. Pode-se iniciar um processo jurí­dico para encaminhar a ilegalidade, mas agir desta forma sempre será abusivo, mesmo dentro da lei. Eu pediria para a secretária da pasta do meio ambiente do RS vir pessoalmente cortar esta água ou esta luz. Profissionalmente eu diria que enquanto não houver uma sentença pontual, ninguém tem este direito.  

 

Roupa suja 3

 

Parece-me que o que está por trás destas insistentes brigas entre os gestores do Parque e a população local está um espí­rito belicoso dos que pendam para o lado de ambientalistas, mas que na verdade defendem a separação entre o homem e seu ambiente natural.   Sabemos que existem, sim, pessoas em qualquer lugar que tratam muito mal as questíµes de preservação do meio ambiente, mas no caso aqui de Torres parece que a questão esta longe de ser esta.

Termos utilizados na linguagem dos planos de manejo do Parque ou dos parques no Brasil, como, por exemplo, desafetar (quando o Plano sugere que não exista presença de atividades sistêmicas humanas no local), podem estar na base, eles podem ser entendidos como a necessidade de uma separação radical entre o Ser Humano e o Ambiente onde ele vive junto com seus pares da natureza.  

Outras açíµes manipuladoras, que jogam fofocas ao ar sem provas ou sem fundamento, se trata de outra questão que pode estar tornando o ambiente belicoso. Uma ONG publicou em sua página no ano passado uma matéria que acusava a sociedade de Torres de estar promovendo uma especulação imobiliária na área do Parque Itapeva, assim como acusou vereadores da cidade, sem citar nomes, mas acusou, de estarem trabalhando í  favor desta especulação. O texto não fundamentou o porquê desta dedução da ONG, e a coisa se tornou fofoca de salão de beleza. Ninguém pediu explicação da ONG. Nem a Câmara, nem a prefeitura. Para quem vê de fora parece que há, sim, especulação, embora eu não veja nada que sugira isto. Ao contrário: em todas as reuniíµes que tratam sobre o Plano de Manejo do Parque a comunidade quase que totalmente se posiciona a favor do Parque. Reclama da falta de trabalho, quer uma Estrada Parque, mas nunca ameaça o Parque, somente questiona a legitimidade de o Estado estar exercendo o poder que exerce sem cumprir sua parte, só isto.

 

Roupa suja 4

 

 Em minha opinião, não existe possibilidade saudável de haver efetivos processos de autosustentabilidade ambiental sem a presença do homem e sua liberdade dentro deles. O Homem faz parte do meio ambiente.   Conceito de meio ambiente sem homem é incompleto assim como conceito de homem sem meio ambiente é no mí­nimo mí­ope, curto, fútil.

Sabemos que existem ambientalistas que, ao verem a forma que seus pares da humanidade tratam o meio ambiente, acabam ficando com preconceito contra a própria espécie.   Isto não é saudável. Na grande maioria das vezes, os homens tratam mal o ambiente de onde eles próprios retiram ar, alimento, aquecimento, enfim: a vida, porque a sociedade está muito acelerada, muito baseada em buscas de sobrevivência eminente, consumista demais. Mas isto não é motivo para preconceber alguém, muito menos para de certa forma forçar a separação do homem do meio ambiente que se quer preservar.

Trata-se de preconceito e prepotência as atitudes de grupos ou pessoas que se dizem ambientalista e se acham superiores í  seus pares por somente eles militarem pela preservação da natureza.  Eles estão fazendo sua parte, assim como existem cientistas que estão inventando modernidades justamente para eu estes ambientalistas possam trabalhar melhor. E estes cientistas não se acham superiores por isto.

Existe ainda um grupo de pessoas, geralmente com a vida financeira resolvida, que optam por trabalhar para preservar até gramí­neas em nome na preservação ambiental.   Não se importam com a necessidade de mais alimento para a humanidade, da necessidade de mais dinheiro para obras públicas, dentre outras demandas mundiais. Por eles, tudo parava: Obras, novas fábricas, novas técnicas de alimentação… Mas eles não abrem mão de seus salários na maioria das vezes vindos de salários públicos, muitos pensionistas de terceira geração ou aposentados, salários estes que são oriundos justamente do progresso que estes ambientalistas condenam.    

Estão errados. A salvação do meio ambiente mundial está certamente no inteligente, democrático e progressista enfoque do manejo do homem onde ele vive e o Meio ambiente.  Homem é meio ambiente e meio ambiente é homem. Tido é a mesma coisa. Equilí­brio é a palavra-chave.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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