EDITORIAL – Seguro Agrí­cola: uma bolsa de auxí­lio” coerente

15 de janeiro de 2012

Com a chegada de mais uma seca no RS, as mazelas da Coisa Pública começam a aparecer. Mais uma vez o Estado deve penar com milhares de famí­lias de agricultores que perderem sua safra, muitas vezes a única fonte de renda anual, e para eles só cabe pedir ou esmolar, além de rezar. Mas as mazelas também aparecem através de rumos dados í s polí­ticas públicas estaduais. A insistente corrente socialista, que vê na transferência direta de recursos a forma de incluir ou amenizar a pobreza das polpaçíµes rurais,  acaba esquecendo que talvez seja na forma de benefí­cios í  produção que esteja a verdadeira solução. Ao invés de tratar de aposentadorias de agricultores, de repasses diretos de trabalho e terra í s famí­lias,  de bolsas de auxí­lio direto, dentre outras açíµes diretas de benefí­cios, o Estado como um todo poderia assumir, por exemplo, o pagamento dos seguros, ou parte deles,  aos pequenos produtores rurais, como forma de protegê-los de caso extremos de seca, enchente, pragas, dentre outras mazelas, que os guerreiros empreendedores do campo enfrentam anualmente em seu campo de batalha pela vida.

 

O próprio secretário da pasta no RS Ivar Pavan, em entrevista na mí­dia de TV estadual, lembrou que a maioria dos pequenos agricultores     não conseguem recursos para o pagamento de seguro contra seca e outras mazelas climáticas ou naturais por conta do orçamento das famí­lias, que leva na ponta do lápis a diferença entre as receitas, muitas vezes cí­clicas e dependentes da oferta e procura do mercado; e as despesas de custeio da safra ou das safras. E o resultado disto é triste. São famí­lias inteiras se defrontando com uma lavoura devassada pela ação climática por um lado, e no outro as contas e contas a pagar, fora o sustento daqueles lares, que mesmo sendo de tratos simples, necessitam de recursos básicos para a alimentação, higiene e vestuário. O mesmo secretário na mesma entrevista salientou também que a irrigação para muitos pequenos agricultores poderia se tornar onerosa demais em relação í s receitas auferidas pelas lavouras. Disse ele que não adiantaria criar um sistema de irrigação estrutural para os agricultores gaúchos, se o custo de execução da irrigação deixasse, como ele afirma,  os encargos dos plantadores mais altos do que as receitas dos mesmos, obtidas através da venda dos grãos, na maioria milho e soja. Ora, se é este o problema, nada mais justo que outro subsí­dio do Estado í  estes agricultores. A luz e o investimento necessários poderiam fazer parte de um pacote de apoio de fomento ao agricultor, por que não?

 

 O êxodo Rural é uma das maiores mazelas da sociedade brasileira e gaúcha. A falta de incentivo í s famí­lias para que fiquem no interior do Estado e dos municí­pios é a causa. São milhares de pessoas que anualmente desistem de morar no campo por conta da quase impossí­vel jornada de sobrevivência das pequenas propriedades, que dependem da venda capitalista por um lado, mas recebem quase nada estruturalmente do Estado por outro. E o seguro agrí­cola se trata de uma forma efetiva de garantia ao agricultor que ao menos ele não irá perder todo seu trabalho e risco assumidos após o plantio por conta de uma praga, uma enchente ou uma seca, como estamos assistindo agora. O plano de irrigação esboçado pelo governo Yeda também deveria ser revisto. í‰ melhor o Estado dar garantia de instrumentos de trabalho para os pequenos produtores rurais do que seguir dando terras, dinheiro e previdência í s pessoas envolvidas no processo. Trata-se de um fomento ao aumento do êxodo rural, talvez o item que mais colabora para a existência dos bolsíµes de miséria no entorno dos centros urbanos, além de por si só executar o final de muitos sonhos e realidades de agricultores que vivem felizes no campo, sendo donos de seu próprio nariz, justamente em um paí­s onde a agricultura é um dos principais diferenciais competitivos da nação no cenário mundial, a realidade prática e pouco explorada do nosso Brasil.    


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