Com a chegada de mais uma seca no RS, as mazelas da Coisa Pública começam a aparecer. Mais uma vez o Estado deve penar com milhares de famílias de agricultores que perderem sua safra, muitas vezes a única fonte de renda anual, e para eles só cabe pedir ou esmolar, além de rezar. Mas as mazelas também aparecem através de rumos dados í s políticas públicas estaduais. A insistente corrente socialista, que vê na transferência direta de recursos a forma de incluir ou amenizar a pobreza das polpaçíµes rurais, acaba esquecendo que talvez seja na forma de benefícios í produção que esteja a verdadeira solução. Ao invés de tratar de aposentadorias de agricultores, de repasses diretos de trabalho e terra í s famílias, de bolsas de auxílio direto, dentre outras açíµes diretas de benefícios, o Estado como um todo poderia assumir, por exemplo, o pagamento dos seguros, ou parte deles, aos pequenos produtores rurais, como forma de protegê-los de caso extremos de seca, enchente, pragas, dentre outras mazelas, que os guerreiros empreendedores do campo enfrentam anualmente em seu campo de batalha pela vida.
O próprio secretário da pasta no RS Ivar Pavan, em entrevista na mídia de TV estadual, lembrou que a maioria dos pequenos agricultores não conseguem recursos para o pagamento de seguro contra seca e outras mazelas climáticas ou naturais por conta do orçamento das famílias, que leva na ponta do lápis a diferença entre as receitas, muitas vezes cíclicas e dependentes da oferta e procura do mercado; e as despesas de custeio da safra ou das safras. E o resultado disto é triste. São famílias inteiras se defrontando com uma lavoura devassada pela ação climática por um lado, e no outro as contas e contas a pagar, fora o sustento daqueles lares, que mesmo sendo de tratos simples, necessitam de recursos básicos para a alimentação, higiene e vestuário. O mesmo secretário na mesma entrevista salientou também que a irrigação para muitos pequenos agricultores poderia se tornar onerosa demais em relação í s receitas auferidas pelas lavouras. Disse ele que não adiantaria criar um sistema de irrigação estrutural para os agricultores gaúchos, se o custo de execução da irrigação deixasse, como ele afirma, os encargos dos plantadores mais altos do que as receitas dos mesmos, obtidas através da venda dos grãos, na maioria milho e soja. Ora, se é este o problema, nada mais justo que outro subsídio do Estado í estes agricultores. A luz e o investimento necessários poderiam fazer parte de um pacote de apoio de fomento ao agricultor, por que não?
O êxodo Rural é uma das maiores mazelas da sociedade brasileira e gaúcha. A falta de incentivo í s famílias para que fiquem no interior do Estado e dos municípios é a causa. São milhares de pessoas que anualmente desistem de morar no campo por conta da quase impossível jornada de sobrevivência das pequenas propriedades, que dependem da venda capitalista por um lado, mas recebem quase nada estruturalmente do Estado por outro. E o seguro agrícola se trata de uma forma efetiva de garantia ao agricultor que ao menos ele não irá perder todo seu trabalho e risco assumidos após o plantio por conta de uma praga, uma enchente ou uma seca, como estamos assistindo agora. O plano de irrigação esboçado pelo governo Yeda também deveria ser revisto. í‰ melhor o Estado dar garantia de instrumentos de trabalho para os pequenos produtores rurais do que seguir dando terras, dinheiro e previdência í s pessoas envolvidas no processo. Trata-se de um fomento ao aumento do êxodo rural, talvez o item que mais colabora para a existência dos bolsíµes de miséria no entorno dos centros urbanos, além de por si só executar o final de muitos sonhos e realidades de agricultores que vivem felizes no campo, sendo donos de seu próprio nariz, justamente em um país onde a agricultura é um dos principais diferenciais competitivos da nação no cenário mundial, a realidade prática e pouco explorada do nosso Brasil.


