Seminário discutiu o futuro das águas no Litoral Norte
2 de maio de 2011
O I Seminário Conversa sobre a ígua ressaltou a importância de discutir sobre um recurso natural que tem a sua qualidade ameaçada, principalmente devido í falta de saneamento básico, pelos agrotóxicos e a sua crescente demanda de uso. Por isso necessita ser gerenciados de forma compartilhada, com as instituiçíµes, a sociedade e o governo. A bacia litorânea é um importante manancial de águas que abrange 18 municípios, desde Mostarda até Torres, onde suas nascentes, rios e lagos vão desaguar no rio Tramandaí.
Para conversar sobre o assunto, foram convidados representantes de diversos municípios do litoral norte, entre governos, pescadores, produtores rurais, estudantes e professores que discutiram sobre licenciamentos, cobrança e os usos da água, além das próximas açíµes que irão fortalecer o gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí.
O evento, que aconteceu na Câmara Municipal de Osório, dia 14 de abril, faz parte do projeto Taramandahy: gestão integrada dos recursos hídricos na bacia do rio Tramandaí, realizado pela ONG Ação Nascente Maquiné (ANAMA), com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental. Este projeto visa atender í s demandas debatidas, definidas e consensuadas no âmbito do Comitê desta bacia.
Cooperação
Na abertura do seminário, o ex-presidente da ANAMA, Ricardo Mello, destacou a atuação da Ong, que desde 1997, vem agindo em cooperação com governos e a comunidade, para a conservação dos recursos naturais e no âmbito social, para o aumento da geração de renda, através da agroecologia, turismo rural e artesanato. Em seu pronunciamento, o vice-presidente do comitê, Edson de Souza, enfatizou o grande suporte que o programa vem trazer para implementar os planos de açíµes do comitê. Por sua vez, o representante da Associação dos Municípios do Litoral Norte (AMLINORTE), Cacau, ressaltou a importância dos municípios e seus prefeitos se unirem para garantirem uma água de qualidade para a região.
Taramandahy
Iniciando a conversa sobre a água, o coordenador do projeto Taramandahy, Dilton de Castro, apresentou o mapa dos recursos hídricos da região e a biodiversidade da Mata Atlântica. Existem mais de 100 nascentes que contribuem para uma água de excelente qualidade na bacia litorânea, afirma. O ecólogo mostrou quais as principais açíµes que serão realizadas durante os dois anos do projeto, como o monitoramento da qualidade da água na bacia. Outras práticas incluem o desassoreamento e o reflorestamento da mata ciliar em pontos críticos do rio Maquiné e o fortalecimento do comitê de gerenciamento e da rede de educação ambiental da bacia. Além da cartografia das áreas de risco e produção de atlas ambiental da bacia, guias e cartilhas a serem distribuídas na rede escolar.
Bem público
Participou também da conversa, a Dra. Elaine dos Santos, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), que apresentou a legislação referente aos recursos hídricos e falou sobre o pagamento pelos serviços ambientais ao produtor rural.
O primeiro presidente do comitê Tramandaí, Milton Haak, contou a história pioneira em organizar uma gestão de bacia no Estado, destacando que a gestão dos recursos hídricos deve estar na mão da sociedade.
Conflitos – Para discutir o conflito referente í barragem na lagoa Fortaleza, que necessita de um estudo técnico, foram convidados os representantes dos pescadores, dos produtores rurais de Palmares do Sul, da Corsan, além do comandante da 1 ª Companhia da Polícia Ambiental, capitão João J. Correa da Silva. Mostrando que os conflitos devem ser resolvidos no âmbito do comitê da bacia e do Estado, já que a água é pública.
Educação ambiental
Para finalizar o evento, a coordenadora da Rede de Educação Ambiental do comitê, a bióloga Juliana Hogetop, apresentou o programa de educação ambiental que será realizado durante o projeto. O objetivo é fortalecer a rede de educação ambiental que abrange as escolas do litoral norte e divulgar as açíµes do comitê.
Palestra na Tribuna da Câmara Municipal de Torres
Um dos representantes do Comitê da Bacia do Rio Tramandaí, Tiago Lucas Correa esteve participando também em Torres, na Câmara Municipal, da difusão da discussão da idéia de cooperação para o melhor uso e valorização das águas. Ele explicou que o Rio Mampituba não pertence í bacia do Tramandaí e que, inclusive, a Bacia do Rio Mampituba pertence ao fórum das íguas em níveis nocionais, pois possui rios e córregos em cidades de dois estados federativos que alimentam os afluentes do Mampituba. Ele também falou sobre a importância a Lago Itapeva na bacia do Tramandaí, da qual ela faz parte.
Conforme último levantamento feito pelo Fórum Estadual das Bacias, a Lagoa que supre a cidade de Torres e várias outras com sua água, tratada para consumo humano, foi classificada com nível 2, qual seja, um razoável nível de poluição, mas que poucas intervençíµes no tratamento da água podem transforma-a (como é atualmente) em água para consumo humano. A melhor classificação de águas é de nível 1, que ocorre somente em nascentes de rios. Neste caso não há necessidade de tratamento de água para consumo humano.
Ele explicou também que a propriedade das políticas públicas em todas as bacias é o consumo humano. As açíµes sempre serão feitas no sentido de proteger os mananciais da poluição neste sentido. O isolamento do gado e animais de criação em geral das margens de lagoas e rios é uma das atitudes tomadas, onde já existem procedimentos modificados em parceria com produtores que se mostraram com sucesso em toda a região.


