Sistemas agroflorestais da região ajudam a combater o aquecimento global

7 de março de 2012

 

 

Em 2006, com 14 anos de implementação, cada hectare de um sistema agroflorestal   (Saf) na comunidade da Raposa, em Três Cachoeiras,   Litoral Norte do RS,   já havia seqí¼estrado cerca de 21 toneladas de CO2. Como o Saf tem 4 hectares, é multiplicar para saber que, em 14 anos, 84 toneladas de dióxido de carbono foram retiradas da atmosfera.

O CO2 capturado está lá, retido naquele fragmento recuperado de Mata Atlântica, onde a famí­lia de Tobias e Luzia Fernandes cultivam banana ecológica, abacate, laranja, lima e bergamota. A renda sustenta a famí­lia. O Saf serve de casa para animais e plantas da biodiversidade local.

No mesmo municí­pio, a poucos quilí´metros da propriedade dos Fernandes, a agrofloresta onde Adroaldo Jorge Cardoso produz 500   quilos de banana orgânica por semana contava 11 anos de implementação no ano de 2006 e havia sequestrado 13 toneladas de dióxido de carbono por hectare. No ano passado, Adroaldo acompanhou técnicos da ONG Centro Ecológico fazendo uma nova medição das árvores do Saf.   O levantamento permitirá a atualização dos cálculos para saber quanto CO2 a agrofloresta está retendo.

O CO2 não é vilão. í‰ a enorme quantidade desse gás na atmosfera, junto com o metano, o óxido nitroso e outros de nomes complicados, que forma uma camada difí­cil de ser transpassada   pela energia da radiação solar para voltar   ao espaço. Essa energia é devolvida para a Terra e, pronto, temos o chamado efeito estufa – que por sua vez tem provocado uma série de alteraçíµes no clima do planeta.

 

Mudanças climáticas chamaram a atenção para

 os benefí­cios ambientais dos Safs

 

"Com as mudanças climáticas, a capacidade da agricultura orgânica de reter carbono no solo e nos sistemas agroflorestais ganhou cada vez mais importância", diz o   Ph.D. em Recursos Naturais pela Universidade de Cornell(EUA) André Gonçalves. Para ele,   agroflorestas como   a da famí­lia Fernandes e de Adroaldo   funcionam como   um ar refrigerado, mas os efeitos na atmosfera global só seriam percebidos se este tipo de produção fosse praticado em escala.

A boa noticia é que, pelo menos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, cerca de 300 famí­lias famí­lias produzem ou estão em processo de transição para o cultivo da banana em Safs. ¨Todos estão deixando árvores no bananal ¨, garante o técnico agrí­cola Cristiano Motter.

A quantificação dos benefí­cios ambientais da produção ecológica é uma meta de dois projetos implementados pelo Centro Ecológico com recursos da Icco e Sociedade Sueca de Proteção da Natureza.  


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