Surfistas e pescadores chegam a acordo para utilização da orla

13 de março de 2011

As negociaçíµes intermediadas pelo Ministério Público, iniciadas em dezembro, entre pescadores e surfistas sobre o uso da orla gaúcha resultaram em um acordo. As definiçíµes finais sobre a delimitação de áreas destinadas í  pesca e ao surf foram estabelecidas em uma reunião realizada nesta quarta-feira, 2, na Promotoria de Justiça de Capão da Canoa.    

Conforme o promotor de Justiça Daniel Martini, que instaurou um inquérito regional para apurar e propor soluçíµes para o impasse, todos os municí­pios da orla gaúcha irão se adequar í  lei estadual sancionada no iní­cio desse ano que estabelece limite mí­nimo para demarcação da área de surf de 2,1 quilí´metros. Além disso, o Promotor explica que foram redefinidos alguns espaços que antes estavam quebrados: algumas áreas para o surf eram pequenas, intercaladas com outras áreas para a pesca. Com isso, segundo Daniel Martini, as áreas para surf ficaram maiores e mais seguras, sem prejuí­zos aos pescadores.    

O subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Luiz Carlos Ziomkowski, que recebeu a demanda de pais de ví­timas e pescadores e indicou o promotor Daniel Martini para presidir o inquérito, acompanhou as negociaçíµes. Para ele, o acordo é fundamental, pois estabelece um consenso após anos de impasse sobre a utilização da orla. "O Ministério Público sempre priorizou a construção de uma saí­da conjunta para o problema", disse Ziomkowski.    

O coordenador do Fórum de Pescadores do Litoral Norte, Valdomiro Bastos Hoffmann, elogiou o acordo e disse que "ficou bom para todo mundo". Hoffmann ressalvou que "ainda falta ficar definido algum tipo de indenização para os pescadores que não puderem trabalhar durante o veraneio". O promotor Martini assegurou que a questão será tratada oportunamente.  

O presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho, afirmou que o acordo "deixou todos muito satisfeitos, principalmente em relação a Quintão e Capão da Canoa". A Federação desenvolverá campanhas educativas e o Ministério Público irá recomendar o mesmo aos municí­pios. Outro tema discutido foi a sinalização das áreas. O MP vai recomendar í s prefeituras a adequação das placas e indicaçíµes próximo í  orla, inclusive nas vias de acesso í  praia. No municí­pio de Xangri-lá está em processo de licitação a aquisição de boias para implantar a sinalização das áreas no mar, que foi tema das negociaçíµes e reivindicação de surfistas, por facilitar a visualização. O projeto deverá servir de modelo para outras praias.  

 As negociaçíµes tiveram iní­cio no dia 15 de dezembro de 2010, quando em uma reunião convocada pelo Ministério Público foi formado um grupo de trabalho responsável por avaliar as demarcaçíµes das áreas existentes e por dialogar com entidades representativas em cada municí­pio do Litoral Norte sobre as formas possí­veis de conciliar as duas atividades. Na ocasião, ficou acertado que o grupo de trabalho teria até o começo de março para apresentar propostas para um acordo. Além disso, foi definido que, durante a temporada, os pescadores removeriam os cabos de rede fixa das praias.    


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