Surfistas inventam alternativa para manter a praia limpa, mas depredadores atrapalham

5 de fevereiro de 2011

 

 

 

Em tempos de respeito í  natureza e, principalmente, em tempos de veraneio, nada mais importante do que o destino dos resí­duos de consumo em locais, como Torres, por exemplo, que recebe até 300 mil pessoas freqí¼entando a cidade, e, naturalmente, frequentando a beira das praias.  

Todas as açíµes públicas e esforços privados mesmo assim acabam insistentemente não servindo para que efetivamente os turistas e veranistas se sintam em um ambiente limpo e seguro quando estão curtindo a parte principal de suas férias: o descanso no verão aqui na cidade na beira da praia. Cacos de vidro, baganas de cigarro, papéis de guloseimas, copos de plástico, espigas de milho, dentre outros, são companheiros constantes dos freqí¼entadores das paias. í€s vezes, fruto da displicência ou falta de espí­rito coletivo dos próprios veranistas, o mesmo agressor do ambiente se sente agredido pelo mesmo ato, numa constatação de que aqui se faz aqui se paga.  

Mas, baseados nesse diagnóstico e na total falta de resultado que reclames e conselhos deram, um grupo de surfistas resolveu agir de forma afirmativa no problema, ao menos na região onde a chamada tribo dos surfistas predomina.  Naturalmente os pegadores de onda respeitam mais o ambiente de beira de praia e o mar. Eles estão nele boa parte de suas vidas e sabem muito bem a diferença que um ambiente limpo ou um mar isento de sujeira faz para o seu dia a dia, e naturalmente também projetam isto para seus pares de cidadania, mesmo eles não sendo surfistas. E por isto são na maioria arautos de programas e projetos de limpeza do mar e das areias das praias, formando um grupo que se alia de certa forma aos ambientalistas radicais, mesmo sendo somente na beira da praia suas militâncias.

   

Iniciativa privada e cooperada

   

Tudo começou através de um empresário da área de escolas de surfe. Tucano, como é carinhosamente conhecido na Praia Grande, possui uma delas e trabalha durante todo o dia nos arredores da Praia dos Molhes. Torrense, recebe apoio de outros surfistas que freqí¼entam as praias para pegar onda no verão e o inverno. Eles constataram que í  noite, veranistas, turistas e torrenses (até torrenses) estavam costumando ir para a beira da praia junto com namoradas ou namorados, amigos, etc., e levavam junto garrafas de cerveja. E o resultado de tudo isto era o de a praia nos arredores dos Molhes amanhecer cheia de garrafas espalhadas, muitas delas em cacos, causando perigo além da poluição. Outros vários objetos eram também encontrados e todos espalhados pela areia, local sagrado para o surfista, que chega ali bem cedinho, todos os dias, pra curtir seu esporte, geralmente parte de uma filosofia de vida. Foi quando resolveram agir. Conforme Tucano, primeiramente foi tentado a conscientização com campanhas do tipo boca-a-boca, junto aos praianos, junto aos donos de bares, mas não surtiu efeito.  

 

       

 

Foi quanto então o mesmo Tucano e seu grupo resolveram criar uma lixeira bem desenhada, que chamasse a atenção aos praianos inclusive nas noites, e que ao mesmo tempo recebesse os dejetos dos freqí¼entadores da praia, noturnos e diurnos. Tucano foi í  luta, buscou parceria com várias empresas locais para patrocinar a empreitada e acabou lançando um produto bastante adequando í  demanda: uma caixa de madeira ecologicamente correta, que recebe uma espécie de galão plástico, que pode ser retirado da caixa e substituí­do por outro limpo, ou simplesmente esvaziado, conforme formato do recolhimento.   Nas lixeiras são colocadas mensagens de conscientização sobre o lixo na praia e o logotipo dos patrocinadores.  

   

Os depredadores e espertinhos da noite

   

Mas Tucano não contava com um inimigo oculto: os depredadores e espetinho. í‰ que os galíµes das lixeiras começaram a ser roubados, em alguns casos somente para depredar, mas em outros para utilização doméstica. Agora o desafio é prender os galíµes na lixeira de forma que não possa ser retirado.

 Tucano se orgulha com seus pares de surfe e patrocinadores pela atitude, embora fique um pouco desmotivado pela falta de pensamento coletivo de alguns, que além de não ajudarem, atrapalham. Mas está ciente da eficácia do projeto, já registrou a idéia e pretende que possa servir como equipamento em outras praias de torres e de outros locais litorâneos com o mesmo problema.


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados